Monsters of Rock 2026: tradição, renovação e um Allianz Parque em êxtase

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concert

A 9ª edição do festival Monsters of Rock que aconteceu no Allianz Parque neste sábado (04), agitou a cidade de São Paulo, provando mais uma vez que a cidade é um reduto mais do que seguro quando o assunto é rock!

E antes de falar dessa edição, vale aquele respiro pra lembrar de onde vem toda essa grandiosidade. O Monsters of Rock não é só mais um festival, é um dos eventos mais tradicionais do rock no Brasil. Desde a histórica estreia em 1994, quando reuniu nomes como Kiss, Black Sabbath e Slayer, o festival ajudou a moldar várias gerações de fãs por aqui.

Depois disso, vieram outras edições igualmente marcantes, trazendo gigantes como o Príncipe das Trevas, Ozzy Osbourne, além de Iron Maiden, Motörhead, Megadeth e Judas Priest. Isso sem falar das edições mais recentes com Slipknot, Scorpions e Deep Purple. Entre pausas e retornos, o festival sempre manteve sua essência voltada ao heavy metal e hard rock, se reinventando sem perder o peso.


Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concert

E é justamente essa trajetória que faz a 9ª edição chegar com ainda mais força, trazendo nomes gigantes e apostas mais recentes, como as banda Jayler e Dirty Honey, expoentes da nova cena de hard rock, mostrando que o gênero não só resiste, como evolui, se renova e segue fazendo muito barulho.

O festival Monsters of Rock mostrou, mais uma vez, porque segue como um dos pilares do rock no Brasil. Com um line up que equilibrou veteranos consagrados e nomes mais recentes da cena, o Allianz Parque foi palco de uma verdadeira celebração do gênero - em técnicas apuradas ao carisma arrebatador, passando por um público fiel, que segue inabalável.


Malmsteen tem recepção morna e Halestorm entrega show potente

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concert

Entre os chamados “monstros do rock”, o guitarrista 
Yngwie Malmsteen abriu sua apresentação com o virtuosismo de sempre, mas encontrou um público ainda tímido e em processo de chegada ao estádio. A recepção morna não fez jus ao talento do sueco, que segue impressionando pela técnica refinada e domínio absoluto do instrumento.

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concert

Na sequência, Halestorm mostrou porque se mantém relevante mesmo após décadas de estrada. A banda, que começou em 1997 e é liderada por Lzzy Hale (vocalista) e pelo irmão Arejay Hale (baterista), entregou um show potente, técnico e cheio de presença de voz e de palco.

Com carisma e fôlego de sobra, Lzzy não apenas comandou o palco como deixou claro mais uma vez o porquê de ser uma das vozes mais marcantes do rock contemporâneo.


Extreme impecável e aula de rock com Lynyrd Skynyrd

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concert

Debaixo de chuva, o Extreme protagonizou um dos momentos mais intensos do festival. Mesmo com um setlist bem parecido com o executado no festival Best of Blues em 2023, a banda segue impecável em performance e entrega!

O vocalista Gary Cherone  esbanja energia de sobra e vocais consistentes. Ao seu lado, o guitarrista Nuno Bettencourt continua sendo peça-chave para manter o vigor musical da banda, provando que o tempo só fortaleceu sua identidade sonora.

A clássica balada romântica "More than Words" fez alguns fãs chorarem copiosamente, inclusive esta repórter!

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concert

Representando o southern rock com autoridade, o Lynyrd Skynyrd deu uma verdadeira aula de como construir um show memorável. Sob o comando de Johnny Van Zant, a banda reafirmou sua relevância histórica e emocionou uma legião de fãs fiéis, transformando o momento em uma celebração coletiva.

Continuar com uma banda em meio à perdas trágicas como o Lynyrd Skynyrd fez e faz até hoje, torna a banda uma lenda, das mais longevas. Lynyrd é autêntico, icônico e visceral.

Foi uma apresentação que deu o tom para o festival e preparou o público para o viria a seguir.

Guns N'Roses brilha com ótimo setlist e performance sólida de Axl Rose

Foto: Facebook Guns N' Roses

Encerrando a noite, o Guns N' Roses provou mais uma vez que é uma das bandas mais amadas do mundo e que ainda carrega o peso de ser uma das maiores instituições de rock do planeta. Para ter uma ideia da força do Guns por aqui, eles lotaram este mesmo estádio no ano passado com a turnê "Because What You Want and What You Get Are Two Completely Different Things", e mesmo assim, não é exagero dizer que 70% do público presente no Allianz estava lá só para ver eles.

Abrindo com o hino "Welcome to the Jungle", o grupo mostrou que não seguiria de forma protocolar, ao trazer logo na segunda música da noite, "Slither", do Velvet Revolver - supergrupo que juntava integrantes do Guns com Scott Weiland do Stone Temple Pilots. Na sequência vieram "It’s So Easy" e "Live and Let Die". 

Para a felicidade de muitos fãs, o show não ficou apenas nos Greatest Hits de sempre. Vários Lados B foram inclusos no repertório, e sendo assim, canções como "Mr. Brownstone", "Bad Obsession", "Rocket Queen", "Perhaps" e "Dead Horse", se misturavam a outros clássicos como "You Could Be Mine", "Civil War" e "Estranged" (com direito a balões de golfinhos na plateia). 

Mas as maiores surpresas do set foram "Bad Apples" - que não era tocada desde a turnê de Use Your Illusion I - e uma versão para "Junior's Eyes", do Black Sabbath (fase Never Say Die!, de 1978).

Como era de ser, os holofotes do show naturalmente recaíram sobre Axl Rose, que apresentou uma performance vocal sólida dentro de suas possibilidades atuais. Com médios bem preservados e arriscando os agudos que marcaram sua carreira, o vocalista mostrou evolução em relação aos últimos anos, e segurou bem algumas músicas mais exigentes, como "November Rain" e "Sweet Child O Mine". Aos 64 anos de idade, Axl demonstrou entrega total: correu, dançou, girou e reviveu trejeitos clássicos que remetem ao auge da banda e de seus 23 anos, em 1985 quando tudo começou.

E, no fim das contas, fica a reflexão inevitável: quem precisa de perfeição vocal quando se tem um público que canta cada verso a plenos pulmões?

Além de Axl, o Guns N' Roses tem uma engrenagem que segue precisa e essencial. Slash, incansável e impecável em seus solos e riffs eternos, reafirma sua posição entre os maiores guitarristas do rock de todos os tempos, enquanto Duff McKagan sustenta a base sonora da banda com consistência e uma presença de palco que não perde a força.

No final, a derradeira de sempre: "Paradise City" trouxe o fim de festa perfeito para um dia de celebração do rock.

Faça chuva ou faça sol, o rock permanece intacto e o Monsters of Rock é a prova viva de que sua potência continua mais forte e renovada do que nunca.

Karla Beltrani

É colaboradora do site Rock On Board e apaixonada por música e Rock N´ Roll desde que se entende por gente e não vive sem uma boa trilha sonora! Adotou o Hard Rock como sua vertente preferida nesse enorme universo chamado Rock! Já foi vocalista de um Whitesnake Tributo, suas três bandas de cabeceira são: Aerosmith, Kiss e Whitesnake, além de ser fã assumida da banda KISS! Tendo a façanha de entrevistar personalidades do Rock como: David Gilmour (Pink Floyd) e Ozzy Osbourne (Black Sabbath)

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