Dirty Honey e Jayler transformam a Audio em um templo do hard rock setentista

Foto: Loquillo Panamá / Rock On Board

É revigorante ver o Hard Rock de alma setentista ocupando espaços nobres em São Paulo. A Audio, com sua pista ampla e varandas que funcionam como mirantes privilegiados, foi o cenário ideal para esse tipo de comunhão: som alto, ar-condicionado no ponto e um clima festivo que preparou o espírito para o que vem a seguir no festival Monsters of Rock, no sábado, 4 de abril, no Estádio Allianz Parque.


​Jayler: O DNA Purista do Led Zeppelin

Foto: Loquillo Panamá / Rock On Board

​Se o Dirty Honey flerta com o swing americano, os ingleses do Jayler trazem o DNA purista do Led Zeppelin. Nascidos no Reino Unido em 2022, os rapazes trazem consigo a autenticidade do berço do rock. A banda é um quarteto unido pela amizade e pela química musical, composta por:​ James Bartholomew (Voz), Tyler Arrowsmith (Guitarra)​, Ricky Hodgkiss ( Baixo) e uma espécie de reencarnação do Keith Moon do The Who na bateria, ​Ed Evans.

O próprio nome da banda, Jayler, é uma junção criativa dos apelidos dos quatro fundadores. No palco da Audio, o que se viu foi uma aula de presença cênica. Apesar de muito jovens, os músicos ignoram a timidez: batem cabelo, pulam e executam todas as poses icônicas do "manual do deus do rock". Entre jams e improvisos, o setlist mergulhou no Hard Rock que prioriza o groove e a melodia, com destaque para "The Gateway""Need Your Luv Tonight" e "Lover".


A banda vive um momento crucial: o single "Down Below" foi lançado em 17 de fevereiro de 2026, e o aguardado álbum de estreia, Voices Unheard, está programado para chegar ao streaming em 29 de maio de 2026, contando também com a já conhecida "Riverboat Queen". O Jayler prova que a fórmula de vocais agudos e guitarras rítmicas do passado é atemporal.

Dirty Honey: A Nova Vanguarda do Classic Rock

Foto: Loquillo Panamá / Rock On Board

Dirty Honey não entrou no palco; eles tomaram o palco. Ao som de AC/DC ecoando nos PAs, a banda fez uma entrada gloriosa nesta quinta-feira (02). O som, propositalmente mais alto do que o do Jayler e com aquele feedback cru no início, anunciava que o volume não seria um problema.

O guitarrista John Notto, o baixista canhoto Justin Smolian e o vocalista Marc LaBelle surgiram de óculos escuros, mantendo a aura de rockstars clássicos, mas os sorrisos constantes entregavam a euforia do debut em solo brasileiro. Diretamente da Califórnia, eles chegam com o selo de "nova vanguarda", ocupando o vácuo deixado por gigantes como Aerosmith e Bad Company.

Leia também: Dirty Honey desembarca com o novo clássico no Monsters Of Rock 2026

Performance e Conexão

​Sem perder tempo, jogaram os hits logo de cara: "California Dreamin'" e "Heartbreaker" quebraram o gelo em segundos. A interpretação de Marc LaBelle é um capítulo à parte; é impossível não traçar um paralelo com o saudoso Jack Russell (Great White) pelo timbre rasgado e bluesy. Ao vivo, a banda soa muito mais pesada e visceral do que no LP.

O ritmo foi frenético, parando apenas para um brinde com shots de tequila no palco. Em um momento de descontração, Marc perguntou: "Can we get a little bit high tonight?", pedindo a "erva" para a plateia.

O público — comportado pelo ar-condicionado gelado — respondeu com gritos em vez de fumaça.

Além dos hits, mandaram a inédita "Lights Out", selando um pacto com os fãs, que entregaram uma bandeira com o logo dos lábios da banda em verde e amarelo.

A conexão física atingiu o auge quando o vocalista desceu do palco e subiu em uma cadeira no meio da multidão na pista, cantando olho no olho com os fãs. Foi o momento em que a barreira entre ídolo e público desapareceu.


Conclusão: O Rock em Boas Mãos

Foto: Loquillo Panamá / Rock On Board

Se no estádio a distância é um desafio, na Audio a conexão foi total. Jayler e Dirty Honey são os pilares dessa nova geração que o público brasileiro finalmente pôde testemunhar de perto. Sob a bênção de Eddie Trunk, o Dirty Honey provou por que transformou a pista em um pedaço da Sunset Strip. "When I'm Gone" e "Rollin 7's" fecham o evento com um toque glorioso.

Vale destacar que a banda está na estrada há 9 anos abrindo shows para gigantes do rock, como o próprio Guns N' Roses e ganhando plateias por onde passam.

Ver esses jovens "esticarem as costas" no palco e honrarem os riffs que definiram gerações é a prova de que o rock não precisa ser reinventado — ele só precisa ser tocado com alma e sangue novo. Para o fã brasileiro, ver essa entrega em uma casa íntima antes do caos monumental de um estádio é a realização de um sonho.

O Rock and Roll está em boas mãos, e elas estão segurando guitarras suadas e copos de tequila.

Loquillo Panamá

Nômade agregador de ritmos musicais e fanático por shows. Está sempre correndo atrás de novidades para multiplicar e informar os amantes de boa música.

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