Halestorm exalta fãs brasileiros, cita Guns N’ Roses e revela bastidores do palco

 
Com o retorno triunfal do Halestorm aos palcos brasileiros, a expectativa dos fãs não poderia estar mais alta. Às vésperas de apresentações em cidades como São Paulo, Curitiba e Porto Alegre [serviços no final do artigo], o Rock On Board conversou com o baixista Josh Smith sobre a conexão visceral que a banda mantém com o público do país — que ele categoricamente define como o melhor do mundo. Em um papo descontraído, Josh mergulhou nos detalhes da preparação para grandes festivais como o Monsters of Rock, revelou as influências clássicas e de jazz que moldam seu estilo no baixo e compartilhou a empolgação de dividir o line-up com ídolos lendários.

Confira aqui a entrevista completa:

Oi Josh!

Oi, Carol. Como você está?

Estou ótima, e você?

Estou ótimo, obrigado.

É bom estar aqui com você. Eu vi vocês duas vezes no ano passado, mas infelizmente não tivemos a oportunidade de conversar.

Oh, onde você nos viu?

Eu encontrei vocês no Sweden Rock Festival, na sessão de autógrafos, e eu estava no Back to the Beginning.

Meu Deus, história, você fez parte da história. Isso é incrível.
 

Foi incrível mesmo, muito especial! E é ótimo que vocês finalmente estejam voltando ao Brasil, então terei a oportunidade de vê-los mais uma vez. Três shows diferentes aqui, certo?

Sim!

O que te deixa mais animado?

Para ser sincero, o fato de tocarmos três shows no Brasil é incrível, e conhecer novos lugares é sempre empolgante, mas os entrevistadores frequentemente nos perguntam quem são os melhores fãs do mundo, e dizemos que não há competição, é o Brasil; então, poder fazer três shows aí é o mais emocionante, com certeza.

É super legal ouvir isso, e por que você acha que é assim? Por que você acha que o público brasileiro é tão enérgico dessa forma?

Eu não sei, acho que música e ritmo correm no DNA de todos os seres humanos, mas há algo a mais nos brasileiros, e há uma cultura musical maravilhosa, e acho que isso realmente estimula a paixão pela arte da música e pelas pessoas. É especial, seja lá o que for. Não sei, é isso ou a água? Talvez haja algo na água daí que todos nós precisamos beber.

É, nunca saberemos, mas o bom é que isso faz vocês voltarem e tocarem para nós.

Sim, finalmente.

Algum lugar novo onde vocês tocarão este ano e que nunca estiveram aqui no Brasil?

Sim, eu não olhei nossa agenda o suficiente, mas olhei os nomes e pensei "não, acho que nunca estivemos lá", mas historicamente, eu só me lembro de tocar no Rio e em São Paulo, e agora vamos tocar em... quais são as três cidades que vamos tocar agora?

São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

Sim, elas parecem incríveis, mal posso esperar para conhecê-las.

Acho que vocês vão se divertir muito lá.

Bom, bom.

E aqui em São Paulo, vocês tocarão no festival Monsters of Rock. Eu sei que festivais são um desafio diferente de shows próprios. Como você se prepara mentalmente para esses palcos enormes de festivais em comparação ao seu show solo?

Sim, os festivais para nós, especialmente como este, o Monsters of Rock, por exemplo, eu acho que é como uma prova de velocidade comparada a uma de resistência. E dentro disso, nós não tocamos com metrônomo ou algo do tipo. Somos apenas nós quatro nos entendendo todas as noites. E quando tocamos nesses festivais, a empolgação e a energia são muito maiores por causa da duração menor do set e da multidão gigante à nossa frente. A animação é tanta que não conseguimos nos conter. Simplesmente deixamos tudo lá no palco. Não desaceleramos muito o set. Mantemos o ritmo lá em cima. E sim, é engraçado ir para um show solo depois disso, porque parece muito mais relaxado. Temos muito mais tempo. Temos que nos lembrar de que não precisamos correr com as músicas nem nada. E aproveitamos nosso tempo expandindo ideias de improvisação dentro das canções. Então são duas coisas completamente diferentes, mas cada uma muito recompensadora. Acho que, se tivesse que escolher, diria que sempre amo nossos shows solo porque parecem ser verdadeiramente o nosso show. Mas a oportunidade de tocar na frente de tantas pessoas e conhecer tantos novos fãs é algo muito especial e que amamos nos festivais.


Sim, faz todo sentido. E especialmente porque há fãs de todas as bandas que estão tocando e é uma oportunidade de conquistar novos fãs, para as pessoas conhecerem sua música.

E também podemos ser fãs. Podemos assistir ao Extreme e ao Guns N' Roses. E eu diria que um dos meus maiores medos é olhar para o lado do palco e, se eu vir alguém que admiro, fico nervoso pra caramba. Então eu realmente espero que o Duff McKagan não esteja no lado esquerdo do palco assistindo, porque eu não vou tocar bem se ele estiver.

Tenho certeza que você vai! Você mencionou o Duff. Existe alguma banda que você esteja pessoalmente animado para ver no Monsters of Rock ou compartilhar o palco?

Sim, fomos sortudos o suficiente de tocar no Back to the Beginning quando o Guns N' Roses estava lá. E eles ainda soam ótimos. Estão tocando juntos a vida toda. E é muito especial. Mal posso esperar para vê-los. Conseguimos ver o Extreme no ano passado. Estou ansioso para vê-los também. Sim, quem mais? Mas essas duas bandas, quero dizer, elas são lendárias. E é, para nós, muito inspirador. Temos a sorte de estar fazendo isso há mais de 20 anos. E isso é tudo o que eu quero fazer para o resto da minha vida. Então, ver essas bandas que fazem isso a vida inteira é muito, muito inspirador. Vimos isso com o Iron Maiden quando fizemos turnê com eles no ano passado. Isso responde à pergunta que, sabe, sempre é uma preocupação conforme você envelhece. "Ei, eu consigo continuar fazendo isso?" E então você vê esses caras que fazem isso a vida toda e você pensa: "Sim, sim, é isso. Este é o caminho. Continue indo. Continue seguindo em frente". Então, sim, eu simplesmente mal posso esperar. Mal posso esperar para ver esses caras. E vai ser divertido. Estamos muito ansiosos para chegar no Brasil.

"Fomos sortudos de tocar no Back to the Beginning quando o Guns N' Roses estava lá. E eles ainda soam ótimos"

Com certeza! Vai ser incrível. Existe alguma música específica no setlist atual, seja para o festival ou para os shows solo, que seja especificamente poderosa ao vivo ou que você ache que será algo interessante para os fãs?

Sim, na verdade você estava no Back to the Beginning. Acho que tocamos "Rain Your Blood On Me". E essa música para nós é muito divertida de tocar e muito divertida de ver a reação do público, especialmente de pessoas que não nos viram ou já viram, mas ainda não ouviram essa música. Ela parece se conectar com todos ao mesmo tempo. E sim, tem sido muito divertido tocá-la ao vivo.

Realmente se conecta. Eu me lembro da multidão quando vocês tocaram essa música no Back to the Beginning, foi selvagem, foi incrível.

Sim, foi legal.


E qual é uma coisa surpreendente que os fãs podem não perceber sobre o que acontece no palco durante um show do Halestorm?

Oh, sim, provavelmente não dá para notar. Quero dizer, há muitos erros acontecendo o tempo todo. Mas acho que não se trata de se vamos cometer erros, mas de quando. E o "quando" é bem frequente. Acho que para nós, sabe, como não tocamos com trilhas gravadas ou metrônomo, somos os quatro nos comunicando em tempo real. E acho que parte de se tornar um músico melhor e um grupo melhor é meio que "aguentar o tranco" e passar pelos erros sem acumular falhas. Você comete um erro e continua como se nunca tivesse acontecido. E acho que isso está sempre acontecendo e talvez as pessoas não percebam, sabe, ou de noite para noite os andamentos variam muito. E às vezes parece forçado e às vezes parece cansado, sabe, quase preguiçoso. E é engraçado, nós gravamos todos os nossos shows e ouvimos de volta, e percebo como muda de acordo com como estava me sentindo no momento em que estava tocando… Sempre fico surpreso ouvindo de volta como soou. Algumas noites, sabe, você pensa: "Sim, aquilo pareceu incrível". Outras noites você pensa: "Aquele foi um show difícil". E então você ouve de volta e diz: "Foi um bom show. Foi ok". Então, sim, acho que esse tipo de mentalidade, esse tipo de... não luta ou batalha, mas é apenas a luta para dar o seu melhor todas as noites. E às vezes parece que você está perdendo a luta, mas você olha para a multidão e todos parecem estar gostando. E é fácil apenas, sabe, meio que se livrar da dúvida na sua cabeça.


Sim. Sim. Erros acontecem e todos temos sentimentos, você é apenas humano, afinal. Faz parte do show. Todos temos dias ruins e dias bons, mas somos mais críticos conosco do que os fãs.

Sim, exatamente. Para mim, certamente é como a dúvida circulando na minha cabeça antes de um show e fico como "saia daqui, vá embora". Sinto, "meu deus, eu não consigo fazer isso". Mas é tipo, "eu tenho que fazer isso". Acabamos de assistir Star Wars pela primeira vez com meus filhos. E agora repetimos o Yoda o tempo todo. Ele diz: "Não existe tentativa, existe apenas fazer ou não fazer”. Então sim, estou adotando o mantra do Yoda. No palco de agora em diante, existe apenas o fazer. Não há tentativa.

É um bom mantra.

Sim.

E o Halestorm tem um equilíbrio muito grande entre peso e melodia. Do seu ponto de vista, o que define o som do Halestorm?

Eu acho que é isso. Acho que quando você tem uma cantora como a Lzzy, e um baterista como o Arejay, é importante destacar essas coisas. E é isso que o Halestorm é, esse equilíbrio de que você falou. Quero dizer, é verdade, isso nos define, o equilíbrio de peso e melodia, sabe, e não é heavy metal, é “heavy melody”. Sim. Então acho que, desculpe pegar isso e jogar de volta para você… Mas eu diria que é exatamente isso.

"O equilíbrio de peso e a melodia nos define. Não é heavy metal, é heavy melody!"

Sim, perfeito. Concordo totalmente com você, acho que "Heavy Melody" é a melhor definição que você poderia dar. E o que te inspira fora da música rock? Existem influências inesperadas que aparecem no seu jeito de tocar?

Oh, para mim? Sim. Sinto que eu era o cara menos provável de gostar de metal e rock. Não, isso não é verdade. Não deveria dizer isso. Metal não era meu forte, sabe, tipo, eu tinha álbuns do Metallica crescendo. Mas eu nunca fui um grande metaleiro. E ainda não sou, eu amo metal, mas eu ouço muito mais coisas. Comecei a tocar piano aos seis ou sete anos, e tive formação clássica. No baixo, comecei aos 10, e tive formação de jazz. E era isso que eu fazia, sabe, eu estava em bandas de jazz. E claro, eu sempre estava em pequenas bandas de rock no ensino fundamental e médio. Sempre houve essa parte, mas esse treinamento formal foi um marco importante na minha vida. E se você precisar de um exemplo, acho que para o piano… Obviamente, eu, como pianista, amo Billy Joel e Elton John. Eu pensava: "Oh, você pode fazer isso, e isso é tipo música pop”. E então me lembro de estar meio cansado da música clássica e daquela rotina formal e então ouvi Ben Folds Five. Na época, os álbuns dele eram simplesmente muito despreocupados. Era um trio e o baixista tinha o som de baixo mais distorcido de todos. E ele estava apenas batendo no piano. Eu pensei: "Isso é tão legal". Foi um momento marcante da minha vida, no ensino médio, ouvir aquilo e perceber que você pode tocar piano, você pode fazer... não existem regras, você pode arrasar e abordar qualquer coisa com essa atitude divertida e despreocupada e fazer músicas maravilhosas.

Que legal! Quando vocês estão escrevendo músicas para novos álbuns, etc., você tem liberdade para incluir esse tipo de inspirações diferentes nas músicas que criam?

Oh, sim, com certeza. E o que é muito divertido é que sinto que agora, quando estamos escrevendo ou gravando — como neste último álbum, por exemplo — se você tem algo na cabeça, você simplesmente vai lá e faz. E então, se alguém estiver ouvindo, diz: "Oh, isso é legal". E seguimos gravando. Fizemos isso na música "Killing" deste álbum mais novo. Eu caminhei até o piano e fiz aquele tipo de coisa que Rachmaninoff ou Beethoven fariam. E eles ficaram tipo: "Sabe, isso é muito legal. Deveríamos colocar isso no meio". E está lá. Então é muito divertido fazer isso. Também fazemos coisas assim ao vivo, faremos isso antes de tocar "Familiar Taste of Poison" ou antes de "Rain Your Blood", onde tem essa coisa grandiosa de sintetizador. Não muito diferente da introdução de "Perry Mason". Mas não posso dar crédito a essa intro por isso, acho que estávamos ouvindo a música do filme Labyrinth (Labirinto), e o David Bowie canta aquela música "your eyes can be so cruel". E então fazemos essa abordagem de sintetizador. E acho que isso será algo que utilizaremos muito mais em nossa música: o piano, o sintetizador e as teclas. É simplesmente muito divertido. E é algo que eu faço, mas a Lzzy também faz. Quando o Halestorm foi concebido, a Lzzy tocava um keytar com sons de sintetizador. Então, sim, acho que temos muito mais desses elementos para explorar e expandir.

Muito bom! E antes de terminarmos, eu queria fazer uma rodada de perguntas rápidas com você.

Ok.

Maior ritual pré-show.

Nossos apertos de mão. Todos temos esses apertos de mão secretos e todos são diferentes. Tipo, o meu com o Joe, e com o Arejay, com a Lzzy... são diferentes, e os deles entre si são diferentes, e com a nossa equipe, todos temos nossos próprios "high fives" e apertos de mão.  Sabe, fazemos isso antes de subir ao palco.

Incrível! Uma música que você nunca se cansa de tocar ao vivo.

Puxa. Sabe, é engraçado. Eu cansei dela e agora não estou cansado. Eu realmente gosto de tocar "Uncomfortable". Acho que tivemos que reabordá-la ou entendê-la de uma forma diferente. E essa música tem sido muito divertida ultimamente.

Alguém com quem você adoraria tocar, vivo ou morto.

Oh, puxa. Deep Purple.

E sua coisa favorita sobre o Brasil.
Os fãs. É fácil. Os melhores fãs do mundo.

E depois desta turnê e tudo mais, o que vem a seguir para o Halestorm que os fãs podem esperar?

Hum, precisamos começar a trabalhar em músicas novas. Vamos continuar em turnê no próximo ano. E mais importante, vou apenas dizer que não vai demorar tanto para voltarmos para todos vocês novamente. Veremos vocês nas próximas semanas, e então espero vê-los daqui a dois ou três anos, não 10. 

Sabe, acho que todos esperamos o mesmo. Realmente queremos ter vocês de volta logo aqui.

Sim. Mal posso esperar. Vocês são os melhores.

Josh, muito obrigada pelo seu tempo. Foi um prazer conversar com você. Espero ver você em breve nos shows aqui no Brasil. Divirta-se e a gente se vê por aí.

Incrível. Obrigado, Carol. Muito obrigado.


HALESTORM NO BRASIL

PORTO ALEGRE
Data: 1 de abril – Halestorm + Guns N’Roses - Jockey Club – Porto Alegre
Local: JOCKEY CLUB
Endereço: Av. Diário de Notícias, 750
Horário: 20h30

SÃO PAULO
Data: 4 de abril – Monsters of Rock – Allianz Parque - São Paulo
Local: Allianz Parque
Endereço: Avenida Francisco Matarazzo, 1705 – Água Branca
Horário: 10h

CURITIBA
Data: 8 de abril – Halestorm + Extreme - Live Curitiba - Curitiba
Local: Live Curitiba
Endereço: Rua Itajubá, 143 – Novo Mundo
Horário: 21h

Carol Goldenberg

Advogada, jornalista musical e guitarrista, mas acima de tudo, amante da música desde sempre. Roadie, guitar tech e exploradora de shows e festivais pelo mundo, vivendo cada acorde como se fosse único e cada plateia como um novo universo.

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