Interpol entrega show frio no Lollapalooza e convence apenas fãs mais fiéis

Foto: Rom Jom / Rock On Board

Assim como o Scalene, o Interpol retornou ao Lollapalooza Brasil 2026 pela terceira vez cercado de expectativa — especialmente com a promessa de um novo álbum ainda este ano.

A abertura com “All The Rage Back Home” veio acompanhada de um belo pôr do sol em Interlagos, criando uma atmosfera visualmente impactante. No entanto, desde os primeiros minutos, o vocalista e guitarrista Paul Banks demonstrava um semblante fechado, quase impenetrável — postura que se manteve em “No I In Threesome” (título bastante peculiar).


“C’Mere” e “The Rover” deram sequência ao show sem grandes sobressaltos, mantendo um nível apenas mediano. “Rest My Chemistry”, mais climática e arrastada, conseguiu envolver um pouco mais, sugerindo que a banda funciona melhor quando aposta em densidade e atmosfera.

Com um sorriso mínimo, Paul introduziu na sua guitarra “Obstacle 1”, que apesar da bonita iluminação de palco, não convenceu muito, apesar de estar agradando bastante seus fãs presentes. Mas o mesmo não pode ser dito de “Evil”. Por ser seu maior hit, esse mostrou Paul Banks um pouco mais distante da postura blasé - mas só um pouco. O refrão bem no estilo The Smiths agradou a todos, e o público finalmente saudou a banda pelo nome.

O riff de “Narc” é simples, e a canção mostrou a banda um pouco diferente do repertório habitual, com um arranjo cheio de malícia e melodia. Grande momento do show.


A ode ao pós punk veio com “Roland” e mais uma vez a brilhante iluminação do palco salvou a pele do sorumbático Banks. Mas “Not Even Jail” pegou todos os clichês ruins da banda e foi condensada em intermináveis seis minutos. Bem cansativo e quebrou ainda mais o clima do show.

Encerrando com “PDA”, o Interpol terminou o show convencendo apenas seus fãs mais dedicados - muito por conta da pouca interação, da rigidez de palco e da ausência de momentos realmente empolgantes.

Tarcísio Chagas

Foi iniciado na música no meio da Soul Music, Rock Br e se perdeu de vez quando comprou o disco "Animalize" do KISS em novembro de 1984. Farofeiro raiz, mas curtidor de quase todos os estilos musicais, Tio Tatá já foi há mais de 1000 shows em 40 anos de pista. Já escreveu para o Metal Na Lata, Confere Rock, Igor Miranda site, Rock Vibrations e eventualmente colabora com o canal Tomar Uma no YouTube.

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