Assim como o Scalene, o Interpol retornou ao Lollapalooza Brasil 2026 pela terceira vez cercado de expectativa — especialmente com a promessa de um novo álbum ainda este ano.
A abertura com “All The Rage Back Home” veio acompanhada de um belo pôr do sol em Interlagos, criando uma atmosfera visualmente impactante. No entanto, desde os primeiros minutos, o vocalista e guitarrista Paul Banks demonstrava um semblante fechado, quase impenetrável — postura que se manteve em “No I In Threesome” (título bastante peculiar).
“C’Mere” e “The Rover” deram sequência ao show sem grandes sobressaltos, mantendo um nível apenas mediano. “Rest My Chemistry”, mais climática e arrastada, conseguiu envolver um pouco mais, sugerindo que a banda funciona melhor quando aposta em densidade e atmosfera.
Com um sorriso mínimo, Paul introduziu na sua guitarra “Obstacle 1”, que apesar da bonita iluminação de palco, não convenceu muito, apesar de estar agradando bastante seus fãs presentes. Mas o mesmo não pode ser dito de “Evil”. Por ser seu maior hit, esse mostrou Paul Banks um pouco mais distante da postura blasé - mas só um pouco. O refrão bem no estilo The Smiths agradou a todos, e o público finalmente saudou a banda pelo nome.
O riff de “Narc” é simples, e a canção mostrou a banda um pouco diferente do repertório habitual, com um arranjo cheio de malícia e melodia. Grande momento do show.
A ode ao pós punk veio com “Roland” e mais uma vez a brilhante iluminação do palco salvou a pele do sorumbático Banks. Mas “Not Even Jail” pegou todos os clichês ruins da banda e foi condensada em intermináveis seis minutos. Bem cansativo e quebrou ainda mais o clima do show.
Encerrando com “PDA”, o Interpol terminou o show convencendo apenas seus fãs mais dedicados - muito por conta da pouca interação, da rigidez de palco e da ausência de momentos realmente empolgantes.
