| Foto: Ricardo A. Flávio / Rock On Board |
Despedida da banda inglesa reúne gerações do punk e transforma noite em celebração coletiva no Carioca Club.
Noite
fantástica, do início ao fim. Daquelas que começam fortes e terminam em catarse
coletiva, com o The Adicts transformando o Carioca Club em um verdadeiro templo
do punk rock.
A
abertura ficou por conta da Lixomania, e falar deles é mais do que obrigatório.
Além do repertório próprio, a sequência com Fogo Cruzado, Psykoze e “Vida
Ruim”, da fase inicial do Ratos de Porão, foi uma celebração direta das raízes
do punk nacional. Para fechar, “O Punk Rock Não Morreu” foi gritada em uníssono
— como tem que ser.
Na
sequência, Supla sobe ao palco e, como de costume, divide opiniões. Para os
mais radicais, ainda é o “playboy”. Mas no palco, isso pouco importa: entrega,
carisma e conexão com o público falam mais alto. E o momento mais forte veio
com a participação de Clemente Nascimento, de volta aos palcos após um grave
problema cardíaco ocorrido em dezembro. Emocionante. Juntos, mandaram “Humanos”
e “Garota de Berlin”, resgatando o espírito oitentista do Tokyo e arrancando
aplausos sinceros.
Mas
quando o The Adicts entra em cena, tudo ganha outra dimensão.
É
catarse.
É
idolatria.
É
o público ensandecido do início ao fim.
Com
seu espetáculo visual intacto — confetes, cores e performance teatral — a banda
conduz uma sequência de clássicos que não dá trégua. “Numbers”, “Joker in the
Pack” e tantos outros hinos são cantados em coro, mas é no encerramento que a
mágica se completa: “Viva La Revolution” e “You’ll Never Walk Alone”
transformam o ambiente em um grande ritual coletivo.
E
ali, naquele momento, não havia mais banda e público.
Era
uma coisa só.
Uma
noite para sair leve. Lavado.
Como
se o punk, mais uma vez, tivesse cumprido sua missão.
Tags
The Adicts
