Os brasilienses do Scalene não são estranhos ao palco do Lollapalooza Brasil. Pela terceira vez em Interlagos, o trio retorna aproveitando o momento para retomar a carreira após a breve pausa iniciada em 2022 — e também para celebrar os 10 anos de seu álbum mais bem-sucedido, Éter (2015).
Diante de um público razoável, “Danse Macabre” abriu a apresentação com o peso melancólico característico da banda, já arrancando boa interação dos presentes. Na sequência, “Sublimação” manteve o clima, com vocais pré-gravados que funcionaram bem ao vivo.
“Esc (Caverna Digital)” trouxe uma atmosfera mais radiofônica, destacando as guitarras afiadas dos irmãos Bertoni, Gustavo e Tomás. Esse mesmo espírito seguiu em “Surreal”, que ganhou até uma coreografia espontânea do público com as mãos.
O tradicional “ôoooooô” ecoou fora do universo do rock mais pesado, e “Náufrago” entregou exatamente isso: uma conexão forte com uma plateia mais alternativa, que respondeu com entusiasmo digno de shows mais pesados.
O baterista convidado Max Souza fez um breve, porém eficiente destaque antes da pesadíssima “Histeria”, que elevou a temperatura da apresentação. O clima seguiu intenso em “Distopia”, refletido até na quantidade de leques em ação no meio do público.
O trio agradeceu aos fãs antes de executar a densa e introspectiva “Peguei Ar”, com guitarras afinadas mais baixas do que o habitual, criando uma atmosfera ainda mais carregada.
“Entrelaços”, a música mais conhecida do repertório, teve resposta imediata do público, confirmando seu status. Destaque para a guitarra de Gustavo Bertoni, que reforça que seu talento vai muito além dos vocais.
Após um momento de respiro, “Vultos” entrou no set na hora certa, trazendo mais peso e abrindo espaço para as tradicionais rodas de mosh — pequenas, mas essenciais para qualquer show de rock que se preze. Na sequência, “Discórdia” manteve essa energia em alta.
A curiosa “Sincopado” marcou um dos momentos mais espontâneos do show, com Gustavo se lançando em um rápido stage dive — atitude que, mesmo breve, incendiou a plateia.
Encerrando a apresentação, “Legado” trouxe um clima mais indie e fechou o set em menos de uma hora, deixando claro que, apesar da pausa recente, o Scalene segue relevante dentro do rock brasileiro.
