Em 1991 o Skid Row lançou Slave to the Grind, seu segundo álbum de estúdio. Aqui no Brasil ele foi o maior sucesso comercial da banda. Hits como "Wasted Time", "Monkey Business" e "In A Darkened Room" rodavam diariamente nas rádios e seus clipes eram impulsionados de forma viral pela MTV Brasil.
Quase trinta e cinco anos depois, o disco não é lembrado apenas por sua sonoridade mais pesada ou por representar o auge do grupo. Ele entrou para a história por um motivo ainda maior: foi o primeiro álbum de heavy metal a estrear diretamente no primeiro lugar da Billboard 200 durante a recém-inaugurada era SoundScan.
Para entender o tamanho desse feito, é preciso compreender o que era — e o que mudou com — o SoundScan.
SoundScan, o que é isso?
Até 1991, as posições na Billboard eram calculadas com base em estimativas fornecidas por lojistas e distribuidores. Não havia um sistema digital de rastreamento preciso. Muitas vezes, os números eram baseados em projeções, ligações telefônicas e relatórios voluntários. Isso favorecia artistas considerados “seguros” pelo mercado e subestimava nichos como rap, country e heavy metal.
Tudo mudou em maio de 1991, quando a Billboard passou a utilizar o sistema Nielsen SoundScan, que monitorava vendas reais por meio de códigos de barras escaneados nos caixas das lojas. Pela primeira vez, os números refletiam o que o público realmente estava comprando — e não apenas o que a indústria acreditava que vendia.
O impacto foi imediato.
O heavy metal mostrando força em 1991
Gêneros antes tratados como marginais começaram a aparecer com força nos rankings. O country disparou. O rap mostrou números impressionantes. E o heavy metal revelou uma base de fãs muito maior do que se imaginava. Bandas como Metallica, Ozzy Osbourne e Guns N'Roses iriam seguir o mesmo rumo do Skid Row para reforçar a popularidade do gênero naquele ano.
Foi nesse contexto que Slave to the Grind estreou em primeiro lugar na Billboard 200.
O feito foi histórico por dois motivos:
1. Foi a primeira estreia em #1 da era SoundScan.
2. Foi a primeira vez que um álbum de heavy metal debutou diretamente no topo da principal parada dos Estados Unidos.
Isso demonstrava que o público do metal não era apenas fiel — era numeroso e disposto a comprar discos na semana de lançamento.
Um Skid Row mais agressivo
Musicalmente, o álbum também representava uma evolução sonora da banda. Se o debut do Skid Row (homônimo, de 1989) ainda carregava forte influência do hard rock oitentista, Slave to the Grind mergulhava em territórios mais agressivos, com riffs mais pesados, bateria mais intensa e vocais ainda mais rasgados de Sebastian Bach. Em um momento em que o grunge começava a emergir em Seattle, o Skid Row mostrou que o metal ainda tinha força comercial. A escolha de "Monkey Business" como primeiro single, mostrava bem o que a banda queria naquele momento.
Curiosamente, poucos meses depois, o próprio cenário mudaria drasticamente com a explosão de Nevermind, do Nirvana. Mas o feito do Skid Row já estava registrado: o metal podia liderar o mercado mesmo sob um sistema de medição mais rígido e transparente.
Mesmo com toda a incerteza sobre quem será o novo vocalista da banda, Slave to the Grind segue como símbolo de um momento de transição na indústria fonográfica — quando a tecnologia expôs a real força de gêneros subestimados e alterou permanentemente a lógica das paradas. Definitivamente, um divisor de águas estatístico.
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