Roupa Nova: 10 canções que provam que a banda é mais rock do que você imagina


O anúncio do Roupa Nova no Rock in Rio abriu uma série de debates nas redes sociais sobre a relevância da banda — inclusive com muitos defendendo sua presença no Palco Mundo. Por outro lado, entre as críticas ao line-up, um argumento se repetiu: o grupo “não é rock”.

A reação expõe algo curioso: parte da nova geração parece desconhecer a origem sonora da banda. Embora tenha dominado as rádios com baladas e pop romântico, o Roupa Nova surgiu com forte influência do rock progressivo e do rock de rádio que marcava o final dos anos 70 e início dos 80.

Formado no começo daquela década, o grupo construiu sua trajetória transitando entre pop sofisticado, harmonias vocais elaboradas e o chamado AOR (Adult Oriented Rock) — vertente que, no exterior, consagrou nomes como Journey, Toto e Foreigner. No Brasil, essa fronteira entre pop e rock sempre foi mais difusa, e muitas vezes o rótulo simplificou uma sonoridade mais complexa.

Embora a memória coletiva associe o Roupa Nova principalmente às baladas, uma escuta mais atenta da discografia revela guitarras constantes, estruturas típicas de arena rock, baterias marcadas e arranjos que dialogam diretamente com o rock oitentista de rádio.

É importante lembrar que, nos anos 80, o rock dominante nas FMs não se limitava a distorções pesadas. O AOR lotava estádios com melodias acessíveis, refrões fortes e produção refinada — exatamente o território em que o Roupa Nova se consolidou no Brasil.

A seguir, 10 canções que ajudam a compreender essa faceta menos comentada — e frequentemente subestimada — do Roupa Nova.

 10.  ROMANCE MUTANTE
 

Composição da dupla Sullivan & Massadas, parceiros históricos da banda, a faixa revela o lado mais pesado — e menos óbvio — de Frente e Versos (1990). Em meio a um repertório associado às baladas, a música expõe guitarras mais presentes e uma energia que foge do estereótipo romântico.

 9.  UM CASO LOUCO
 

Os riffs marcantes e o solo estonteante de Kiko dão o tom desse AOR primoroso, gravado com um cuidado raro para a época — especialmente em um cenário em que as guitarras muitas vezes eram relegadas ao segundo plano nas produções radiofônicas.


 8.  CAMALEÃO
 

Faixa que flerta com uma sonoridade mais próxima do blues rock, evidenciando uma guitarra mais crua e orgânica. Presente no excelente Luz, marca um momento de transição do grupo para um som mais lapidado, sem abrir mão da identidade instrumental. Sua atmosfera direta e menos radiofônica antecipa caminhos que hoje aparecem em bandas como o The Baggios.

 7.  CALEIDOSCÓPIO
 

Canção assinada por Evandro Mesquita em parceria com Kiko, a faixa apresenta um rock típico da época, com estrutura direta e energia pulsante. Lapidada pelos vocais marcantes do Roupa Nova, ganha força extra na bateria de Serginho Herval, que praticamente dita o ritmo e conduz a intensidade da música.

 6.  UM LUGAR NO MUNDO


Comandada pelo baixo pulsante de Nando e pela criatividade de Feghali nos arranjos, a faixa surge como prova de que o Roupa Nova estava atento às transformações sonoras da época. Há ecos claros do rock brasileiro mais urbano do período — é quase impossível não associar à estética que os Titãs exploravam em Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas. A força da música foi tamanha que acabou escolhida como tema de abertura de novela, ampliando ainda mais seu alcance.

 5.  SAPATO VELHO


Um mega sucesso e, sem exagero, uma das composições mais sofisticadas da banda em qualquer vertente. O teclado com nuances progressivas, as mudanças sutis de andamento e as variações nas vocalizações constroem uma dinâmica pouco comum no pop de rádio da época. A letra sensível e a sonoridade elaborada transformaram a faixa em um dos grandes clássicos do disco de estreia do grupo — e em prova clara da ambição musical do Roupa Nova.

 4.  VIDEOGAME


Instrumental ousada que evidencia o domínio técnico da banda. Entre camadas de sintetizadores, linhas melódicas envolventes e guitarras bem definidas, a faixa traduz o espírito futurista da década. Ao virar trilha da Rede Manchete, marcou a memória afetiva da TV brasileira durante os anos em que a emissora esteve no ar.

 3.  ROUPA NOVA


Marcada pela influência direta do rock dos anos 70, a música aposta em dinâmica ascendente, variações rítmicas e diálogo constante entre baixo e bateria. Os slaps adicionam groove à construção, enquanto o solo de guitarra com estética progressiva amplia a complexidade da faixa. Integrante do disco de estreia, reafirma o DNA roqueiro que moldou os primeiros passos da banda.

 2.  LUMIAR
 

Originalmente lançada por Beto Guedes no final da década de 70, a canção recebeu do Roupa Nova uma leitura com forte acento progressivo. A icônica introdução de teclado estabelece atmosfera e identidade imediatas, enquanto os solos de guitarra ampliam a densidade sonora. O baixo de Nando, com abordagem dinâmica que lembra a tradição de Geddy Lee, assume papel central na construção rítmica, elevando a faixa a outro patamar instrumental.

 1.  TIPOS FATAIS
 

Símbolo do período em que o Roupa Nova consolidou sua reputação dentro do AOR nacional, a faixa se apoia na bateria vigorosa de Serginho Herval e na guitarra expressiva de Kiko. Os solos, com acento próximo ao heavy metal oitentista, ampliam o impacto sonoro e afastam qualquer leitura excessivamente romântica. Presente em Luz, reafirma a vocação roqueira do grupo em sua fase mais madura. 

O Roupa Nova se apresenta no Rock in Rio, no dia 7 de setembro, mesmo dia de Elton John, Gilberto Gil, Jon Batiste, Laufey, Luísa Sonza convida Roberto Menescal Péricles.

Bruno Eduardo

Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem
Banner-Mundo-livre-SA