Num dia de Rock in Rio de ingressos esgotados, o Maroon 5 foi a atração principal de uma noite predominantemente pop nostálgica. Sim, a geração 2000 já é nostalgia. Criticado por quem não aguenta mais a repetição de headliners, o grupo de Adam Levine faz por justificar o posto quando o Palco Mundo está entupido de gente cantando por 1h40 de forma ininterrupta.
Ou seja, não tem como negar que eles são competentes. Em cima do palco, o grupo não deixa lacunas para empáfia ou críticas técnicas. A banda cumpre a tarefa que lhe foi conferida, e segura 100 mil pessoas sem dar muita chance para contestação. Tanto que “Harder to Breathe” e “This Love” aparecem logo no início para não ter erro.
E o grupo é realmente bom de palco e muito entrosado. “Misery” é um exemplo disso. A canção tem uma levada de groove, com algumas quebradas, que faz lembrar que o Maroon 5 tem esse lado meio balanço, meio funk, que fica escondido por conta da fama de banda extremamente radiofônica. Não que seja um problema ser uma banda radiofônica, mas, em alguns momentos, a banda soou água com açúcar demais.
Neste show, porém, o lado mais musical do grupo aparece bem. É o caso de um momento jam, carregado essencialmente pela levada de PJ Morton, que introduz o superhit “Sunday Morning” numa versão quase jazzística. A música então descamba para um refrão cantado em uníssono pelos fãs e ainda ganha um solo de guitarra de James Valentine.
Outro destaque positivo é a utilização dos telões, que se estendem totalmente pelo Palco Mundo. Assim como o Stray Kids na noite anterior, o grupo de Adam Levine transformou o palco em um enorme telão de cinema.
Um dos melhores momentos do show foi “Heavy”, um blues composto por PJ Morton, que assumiu os vocais, relembrando seu bom show solo na noite anterior. Adam Levine entra com uma boa participação vocal, enquanto James Valentine entrega mais um solo quente.
Depois começam a aparecer aquelas canções que fazem do grupo um bem comum num público de gosto plural e que garantem milhões de streams e cifras: “Memories”, com polaroides no telão, e “She Will Be Loved”, com Levine descendo ao fosso para fazer selfies com as fãs.
Em “What Lovers Do”, surge o lado menos atrativo musicalmente, que segue na mesma pegada com “Makes Me Wonder”. A chuva começa a cair no momento em que Levine, pasme, tira a camisa. No entanto, vem mais uma cantoria geral em “Moves Like Jagger”, hit que já tem mais de 15 anos. Outra das antigas é “Sugar”, uma trilha sonora de festas de adulto, que conta com dois solos de guitarra de destaque. Primeiro Adam Levine e, depois, James Valentine, que sola a esmo, como um guitarrista dos mais virtuosos.
No fim, o Maroon 5 entrega exatamente aquilo que se esperava dele: hits, eficiência e um estádio inteiro cantando. Mas, quando deixa o piloto automático radiofônico de lado e mostra o groove, o improviso e a qualidade de seus músicos, a banda lembra por que ainda ocupa o topo de um festival como o Rock in Rio.


