PJ Morton faz show sofisticado e para poucos no Rock in Rio

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

Pouca gente foi até o Palco Sunset para assistir a PJ Morton nesta sexta-feira (11), no Rock in Rio. E talvez esse tenha sido o maior contraste de sua apresentação: enquanto a Cidade do Rock estava dominada pelo K-pop, pelos lightsticks, pelas grandes produções visuais e por um público majoritariamente jovem, o músico americano entregou um show construído praticamente na direção oposta — baseado em voz, banda e musicalidade.

Tecladista do Maroon 5, que se apresenta neste sábado (12) como headliner do Palco Mundo, PJ Morton aproveitou o Rock in Rio para mostrar uma outra faceta de sua carreira. No trabalho solo, ele deixa o papel de músico de apoio para assumir o protagonismo como cantor, pianista e compositor, explorando uma sonoridade que passeia pelo soul, R&B e pelo pop sofisticado.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

E canta muito bem. Talvez esse seja um dos maiores destaques da apresentação. Com uma boa banda de apoio, Morton mostrou uma voz segura e expressiva, conduzindo músicas como “Mutual”, “My Peace”, “Good Morning”, “Ready” e “Claustrophobic”. O repertório também passou por “Sticking to My Guns”, “Mercy”, “Sell My Soul” e “First Began”, criando uma atmosfera muito mais intimista do que aquela normalmente associada ao Maroon 5.

Foi um show para quem estava interessado em música — não necessariamente em hits, efeitos, lasers ou grandes estímulos visuais. E isso, em um dia de Rock in Rio praticamente tomado pelo universo do K-pop, ganhou um significado ainda maior.

A diferença de proposta ficou evidente também na plateia. Morton teve um dos menores públicos do Palco Sunset desde o início desta edição do festival. A baixa presença não parece estar relacionada à qualidade da apresentação, mas muito mais ao encaixe da escalação. Colocar um artista de soul e R&B, com uma proposta mais sofisticada e contemplativa, em um dia dominado por atrações voltadas a um público muito mais jovem, talvez não tenha sido a combinação mais favorável. Ainda assim, a escolha merece ser elogiada.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

Em meio a um dia em que luzes, telões, coreografias e milhares de lightsticks se transformaram em parte fundamental do espetáculo, PJ Morton mostrou que ainda é possível subir a um palco de festival e deixar a música ocupar o primeiro plano.

Até mesmo ao revisitar “How Deep Is Your Love?”, dos Bee Gees, no encerramento, Morton encontrou espaço para imprimir sua personalidade à canção. Foi uma escolha que reforçou a ligação de seu trabalho com uma tradição musical que atravessa gerações.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

O show não teve a multidão de outros momentos do Rock in Rio. Não teve o impacto visual de uma grande produção pop. Mas teve algo que, em um festival desse tamanho, não pode - e nem deve - ser subestimado: músicos tocando muito bem, uma ótima voz e canções que se sustentam sem precisar de nenhum outro recurso.

Em um Rock in Rio dominado pelo espetáculo visual e pelas danças core, PJ Morton apostou na música. E ganhou.

Bruno Eduardo

Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.

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