Há 25 anos, o Rock in Rio alcançava o seu maior público em um só dia. Cerca de 250 mil pessoas foram até a antiga Cidade do Rock, em Jacarepaguá, no dia 21 de janeiro de 2001, para assistir nomes como Red Hot Chili Peppers, Silverchair, Deftones e Capital Inicial — garantindo o recorde absoluto de público na história do festival.
A presença maciça do público era um sintoma principalmente do ápice popular do Red Hot Chili Peppers, que vivia a fase Californication, onde enfileirou hits nas rádios brasileiras e contava com uma lacuna de quase uma década sem vir ao país. Além disso, era a primeira vez que o Brasil poderia ver ao vivo, a formação clássica da banda - com o guitarrista John Frusciante.
Ainda no mesmo palco, era um privilégio assistir ao Silverchair em seu momento mais maduro, e também ver a estreia do Deftones no país com o seu melhor álbum da vida (White Pony). Do lado nacional, brilhou a experiência e o repertório do Capital Inicial. Diesel (em show surpreendente) e O Surto (tocando duas vezes "A Cera" e uma versão paródia de "Californication") também subiram no palco naquele dia.
A lendária Tenda Brasil
Havia também uma borbulha fervilhante da nova cena do rock nacional em outro canto da Cidade do Rock. A Tenda Brasil, que era um palco com o objetivo de reunir apenas nomes nacionais, fez sucesso entre os presentes e é lembrada até hoje por quem estava lá - pois naquela época só havia transmissão de TV do Palco Mundo.
O local ficou pequeno no dia mais cheio da história do Rock in Rio, e rendeu algumas apresentações icônicas, como das bandas Tihuana e Tianastácia - ainda iniciantes. Nesse mesmo palco, Cajamanga, Autoramas, Wilson Sideral, Plebe Rude, Tribo de Jah, Biquíni Cavadão também agitaram uma verdadeira multidão na Cidade do Rock.
O peso do público e da experiência
Quando pensamos naquelas 250 mil pessoas aglomeradas num local de campo aberto por mais de 12 horas apenas dispostas a assistir uma maratona de shows, temos a noção exata de uma época que não volta mais. Naquele tempo, ir a um Rock in Rio ainda significava uma experiência de festival físico intensa, quase ritualística.
O público passava horas em pé sob o sol, com pouco conforto, poucas opções de comida e pontos de hidratação, isso sem contar com a dificuldade logística inimaginável para os tempos atuais. Se hoje há BRTs na porta e ônibus executivos Primeira Classe, naquela época o mais próximo que você conseguia chegar na Cidade do Rock, era pegar um ônibus comum até o Rio Centro - e de lá iniciar uma longa caminhada. Isso sem contar que não haviam ônibus rodando 24h.
Hoje, a experiência de festival - não apenas do Rock in Rio - mudou radicalmente. Há muito mais tecnologia: aplicativos que mapeiam multidões, pulseiras inteligentes, palcos sincronizados com telas gigantes, experiências VIPs, transmissões ao vivo, e quase sempre plateias divididas entre quem está lá pelo show presencial e quem está assistindo do outro lado da tela. Isso muda a relação do público com o próprio evento. Antes, ir ao Rock in Rio era essencialmente por conta do line up e pela relação com os artistas. Hoje, é um evento híbrido, com muitos caminhos de experiência — física, digital, social.
Um Rock in Rio histórico
Todo o esforço do público para assistir shows evidenciava também uma época de outras prioridades, além claro de valores. A sociedade mudou como um todo, assim como as exigências. E tudo isso pode ser visto como uma evolução natural e necessária para chegarmos a níveis de qualidade humana mais adequadas. No entanto, a importância artística também já foi maior um dia. O Rock in Rio de 2001 ainda conseguia reunir grandes nomes do rock em sua forma mais visceral — algo que, nas edições mais recentes, ficou diluído pela diversidade de gêneros.
Em 2001, tivemos um ótimo line up, que trazia algumas bandas pela primeira vez ao Brasil (R.E.M., Foo Fighters, Queens Of The Stone Age, Deftones, Papa Roach, Beck) e promovia retornos históricos (Guns N’ Roses, Iron Maiden, Neil Young, Oasis, Red Hot Chili Peppers). E foi num pico de empolgação, popularidade artística, hype, e curadoria atenta que o Rock in Rio conseguiu bater o seu recorde popular, que permanece até hoje - e dificilmente será batido.
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