Nesta quarta-feira (04), o AC/DC realizou seu último show no Brasil nesta turnê. Foram três noites históricas no Morumbis, que transformaram São Paulo em uma verdadeira capital mundial do rock.
Durante quase dez dias, a cidade respirou AC/DC. Famílias inteiras se reuniram no estádio. Crianças subiram nos ombros dos pais para enxergar melhor o palco e cantar alto hinos como "Back in Black", "Thunderstruck" e "Highway To Hell". Chifrinhos vermelhos brilhavam na escuridão enquanto milhares de fãs celebravam juntos um repertório que atravessa gerações.
Poucas bandas no planeta conseguem canonizar de maneira tão poderosa a influência que um show pode ter no cotidiano das pessoas. Foi emocionante constatar a peregrinação de muitos fãs, que vieram de todos os cantos do Brasil para assistir a uma das maiores instituições da história do rock.
Invasão roqueira
Nos três dias de apresentações da banda, a cidade de São Paulo parecia respirar um ar diferente. Não era carnaval. Mas também parou a cidade. Nos transportes públicos, era impossível não notar a quantidade de pessoas vestindo camisetas do AC/DC. O Terminal Rodoviário Tietê também ficou especialmente movimentado, recebendo fãs de várias partes do país.
Há relatos curiosos de quem chegou de avião vindo do Sul do Brasil, em voos praticamente tomados por fãs da banda — a ponto de o próprio piloto desejar pelo sistema de som: “um bom show para vocês!”.
Foi uma experiência completa. O Tokio Marine Hall, conhecida casa de shows da capital, virou ponto de encontro para fãs que queriam prolongar a celebração. Lá estava montada a House Pop-Up Store oficial da banda, que se transformou em ponto turístico e parada obrigatória para quem queria levar para casa um pedaço desse momento histórico.
Antes mesmo do show, os arredores do Morumbis davam a tônica dessa instituição roqueira. Era gente vindo de tudo que é lugar do mundo. Não só brasileiros. Não só paulistanos. Um show do AC/DC não pertence a uma faixa etária específica. Ele pertence a todos que atendem ao chamado. Homens, mulheres, jovens, veteranos, fãs que atravessaram estados e países — quase todos vestindo a mesma farda preta com o logo estampado no peito. Não é uniforme por obrigação; é por devoção.
Repertório seguro, execução avassaladora
A banda manteve o mesmo repertório dos outros shows no Brasil. Sem surpresas profundas. Sem raridades inesperadas. Mas também sem espaço para decepção. Quando o catálogo é composto por hinos que atravessaram décadas, não é preciso reinventar — basta executar com convicção. E convicção nunca faltou. Destaque para as duas canções de Power Up ("Demon Fire" e "Shot In The Dark"), que funcionam perfeitamente ao vivo.
E vale sempre destacar os momentos icônicos, que nunca saem de moda. O sino que desce no meio do palco em "Hells Bells", o show de papel picado (todos personalizados com o nome "AC/DC") e os canhões que disparam em "For Those About to Rock (We Salute You)", dando golpe final na apresentação. Tudo isso vira memória até mesmo para os fãs mais veteranos.
A capital nacional do AC/DC
Mais do que uma série de apresentações, a passagem do AC/DC pelo Brasil mostrou que o rock ainda tem força para mobilizar multidões, movimentar a cidade e renovar seu público. Durante pouco mais de uma semana, o Brasil que ama o rock viveu intensamente o AC/DC. E momentos como esse lembram uma verdade simples: a vida fica um pouco mais leve quando o rock está tocando.
Quem conseguiu estar no Morumbis nessas noites pode ter testemunhado algo raro: talvez um dos últimos capítulos dessa história ao vivo. Afinal, o vocalista Brian Johnson, hoje com quase 80, já enfrentou sérios problemas de saúde ao longo dos últimos anos.
Se for mesmo uma despedida, São Paulo pode dizer que viveu esse momento da forma mais intensa possível, e que foi, por um período, a capital nacional do AC/DC em 2026.
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