AC/DC no Brasil: a maior fábrica de hits da história do rock?

 
Quando o AC/DC pisa em solo brasileiro, não é apenas mais um show internacional. É a chegada de uma instituição do rock. Uma banda que atravessou cinco décadas, sobreviveu à morte de integrantes fundamentais, enfrentou mudanças na indústria e, ainda assim, continua lotando estádios com a mesma fórmula: riffs diretos, refrões explosivos e energia inegociável. O grupo retorna ao Brasil com a turnê Power Up, realizando três shows confirmados no Estádio MorumBIS, em São Paulo, nos dias 24/02, 28/02 e 04/03 - com abertura de The Pretty Reckless. INGRESSOS AQUI.

Há uma medida simples para definir uma “fábrica de hits”: quantas músicas o público canta do início ao fim? No caso do AC/DC, o problema não é escolher as que funcionam — é decidir quais ficam de fora do setlist.

Poucas bandas conseguem colocar 15, 20 faixas no palco sem que o público perca o fôlego. O AC/DC faz isso com naturalidade.

A fórmula que virou padrão

Enquanto muitos grupos reinventaram o próprio som ao longo dos anos, o AC/DC fez o contrário: aperfeiçoou o mesmo DNA. Riffs simples, bateria reta, groove bluesy e refrões que parecem ter sido feitos sob medida para 70 mil pessoas cantarem juntas. 

O AC/DC nunca foi sobre virtuosismo excessivo, conceitos complexos ou reinvenções radicais. Foi sobre identidade. Enquanto tendências surgiam e desapareciam — punk, new wave, grunge, nu metal — o AC/DC manteve sua essência. Talvez o maior mérito da banda seja esse: transformar simplicidade em grandiosidade.

E o grande arquiteto dessa fórmula é Angus Young. É difícil encontrar outra banda com tantas músicas reconhecíveis nos primeiros segundos do riff de guitarra. Da mesma maneira, a muralha rítmica de Malcolm YoungPhil Rudd, e os timbres de Bon Scott e Brian Johnson trouxeram a firmeza necessária para a criação de uma sequência quase inacreditável de músicas que atravessam gerações.

Colecionando hinos do rock

A fase inicial moldou o espírito da banda. Entre irreverência e pura energia de pub rock, nasceram clássicos como "Highway to Hell", "Whole Lotta Rosie", "T.N.T.", "Let There Be Rock", "Dirty Deeds Done Dirt Cheap". Bon Scott era carisma e perigo em forma humana. Sua morte, em 1980, poderia ter encerrado a história da banda ali. Mas a entrada de Brian Johnson resultou em um dos discos mais vendidos da história da música: Back in BlackDali saíram hinos eternos: "Back in Black", "Hells Bells", "You Shook Me All Night Long", "Shoot to Thrill" e "Rock and Roll Ain’t Noise Pollution".

Os anos oitenta foram uma fonte inesgotável de canções clássicas. De lá ainda vieram "For Those About to Rock", "Who Made Who", "Heatseeker", "That's The Way I Wanna Rock N Roll", "Shake Your Foundations". Nas décadas seguintes, a máquina continuou a todo vapor com "Thunderstruck", "Moneytalks", "Hard As A Rock", "Stiff Upper Lip", "Rock ‘n’ Roll Train" e mais recentemente, "Shot In The Dark"", do ótimo álbum Power Up, de 2022.

Existe banda com mais hinos que o AC/DC? Ou estamos falando da maior fábrica de hits da história do rock?

O debate está aberto. E os shows no Brasil podem tirar isso a limpo.


AC/DC NO BRASIL 
Local: Estádio MorumBIS, São Paulo - SP.
Datas: 24 de fevereiro, 28 de fevereiro e 4 de março de 2026.
Banda de Abertura: The Pretty Reckless.
Ingressos: Disponíveis na Ticketmaster Brasil.
Formação Atual: Brian Johnson (vocal), Angus Young (guitarra), Stevie Young (guitarra), Chris Chaney (baixo) e Matt Laug (bateria).

Bruno Eduardo

Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.

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