Com a vinda do AC/DC ao Brasil, os holofotes se voltam naturalmente para o uniforme escolar de Angus Young e a voz de trovão de Brian Johnson. No entanto, o segredo de uma das maiores bandas de rock do planeta não está apenas na linha de frente performática. O AC/DC é fundado no minimalismo perfeito, e para que Angus e Brian possam brilhar com seus solos frenéticos e voz potente, existe uma engrenagem perfeita funcionando no fundo do palco. Você conhece quem são os membros que mantêm o motor rodando e que sustentam o peso dessa lenda?
Stevie Young: O Guardião do DNA Rítmico
Para o fã que observa o palco de longe, a silhueta na guitarra rítmica ostentando uma Gretsch Jet Firebird parece terrivelmente familiar. Trata-se de Stevie Young, sobrinho dos fundadores Malcolm e Angus, que assumiu oficialmente o posto em 2014, após a aposentadoria forçada de seu tio Malcolm por motivos de saúde.
Stevie não caiu de paraquedas; ele já havia substituído o tio brevemente durante a turnê de Blow Up Your Video em 1988, o que o torna o único músico capaz de replicar o "ataque" percussivo que define o som da banda. Ele não está ali para brilhar com solos, mas para preservar uma fundação sagrada. Ao usar os mesmos amplificadores Marshall e a mesma filosofia de pouca distorção e muito volume, Stevie garante que Angus continue brilhando, provando que o DNA dos Young é o que realmente pulsa o sangue nas veias do AC/DC.
Matt Laug: A Precisão do Metrônomo Humano
A bateria do AC/DC sempre foi descrita como um batimento cardíaco: constante, forte e sem firulas desnecessárias. Atualmente, o comando das baquetas está nas mãos de Matt Laug, um veterano da indústria que se juntou ao time para o histórico festival Power Trip em 2023 e segue na formação atual.
Laug traz um currículo que inclui colaborações com Alanis Morissette e Alice Cooper, mas no AC/DC, ele entende que menos é muito mais. Sua entrada na banda foi um movimento estratégico para manter a "escola Phil Rudd" de tocar: um bumbo pesado que você sente no peito e uma caixa que estala como um chicote. Matt entrega uma fundação inabalável, permitindo que o groove balance as arenas sem que o tempo da música oscile um milímetro sequer, mantendo a mística de que o AC/DC é, antes de tudo, uma máquina de ritmo.
Chris Chaney: O Novo Guardião das Graves Frequências
Se por décadas Cliff Williams foi a âncora inabalável do AC/DC, a nova fase da banda traz um rosto conhecido do rock alternativo para segurar o peso do grave: Chris Chaney. Anunciado como o baixista da turnê Power Up em 2024, Chaney carrega a responsabilidade de substituir um ícone que estava na casa desde 1977.
Com passagens marcantes pelo Jane’s Addiction e pela banda de Alanis Morissette, Chris é um músico de precisão técnica absoluta e versatilidade reconhecida no meio. No palco com os australianos, ele entende perfeitamente a "lei do menos é mais" que rege a banda. Sua missão não é reinventar as linhas de baixo, mas sim entregar aquela batida pulsante e reta que serve de alicerce para os riffs de Angus.
Chris Chaney traz um vigor renovado para a formação, garantindo que a parede de som do AC/DC continue soando tão sólida e intimidadora quanto nos tempos de Powerage.
O Poder da Engrenagem Completa
Ao final de um show do AC/DC, é comum sairmos extasiados com a energia incansável de Angus Young e Brian Johnson, mas a verdadeira magia do grupo reside na compreensão de que ninguém ali é maior que a música.
O AC/DC não é um conjunto de individualidades disputando espaço, mas uma entidade sonora que depende da humildade técnica de músicos como Stevie, Matt e Chris. Eles aceitam o papel de "membros ocultos" para que o espetáculo mantenha a mesma força e honestidade de cinquenta anos atrás.
Assistir a essa formação no Brasil não é apenas ver uma banda de rock; é presenciar uma aula de como o respeito ao legado e a precisão técnica podem manter uma lenda viva e pulsante, independentemente de quem esteja sob o foco principal dos holofotes.
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