Asfixia Social traz urgência sonora no single “Revolutionary Rapport”

Foto: Daniel Arantes

Do underground brasileiro para os palcos da Europa, o Asfixia Social transforma revolta em som e atitude.

A música sempre foi uma ferramenta de mobilização dentro do punk e de suas vertentes mais combativas. É exatamente nesse território que a banda paulistana Asfixia Social volta a se posicionar com força ao lançar “Revolutionary Rapport”, terceiro single do álbum “Mess Bigger”, previsto para chegar em maio de 2026.

A nova faixa sucede os singles “Capoeira-Karatê” e “Walls Won’t Make You Safe”, ampliando o panorama sonoro e político que a banda vem construindo para o novo trabalho.

Lançada nas plataformas digitais neste 5 de março, “Revolutionary Rapport” surge como um chamado direto para aqueles que se recusam a assistir passivamente ao colapso social, político e ambiental que marca o nosso tempo. A faixa conta com participações de Erick Jay nos toca-discos e Carlos PXT nos synths, além de produção assinada por Pedro Garcia, integrante da banda Planet Hemp.

Musicalmente, a faixa reafirma a identidade do Asfixia Social ao fundir hardcore punk, rap, funk e crossover urbano, com riffs pesados, naipe de metais e letras afiadas em ritmo de confronto.

O lançamento chega acompanhado de um videoclipe gravado durante a quarta turnê europeia da banda, realizada em 2025. Dirigido pelos próprios integrantes em parceria com o produtor Luis Lopes, o vídeo reúne imagens registradas ao longo da estrada, conectando apresentações em festivais e espaços alternativos do circuito underground.

Foto: Divulgação

Entre os registros aparecem momentos captados em países como Inglaterra, Alemanha, França, Portugal, Holanda e Luxemburgo, incluindo cenas do tradicional Rebellion Festival, além do Rock im Daal Festival e passagens por bunkers, squats e casas históricas do circuito alternativo europeu — ambientes que ajudam a traduzir o espírito coletivo e independente da cena punk internacional.

Distribuída pela Nikita Music, a faixa aborda temas como colapso ambiental, precarização do trabalho, violência sistêmica, consumo predatório e heranças coloniais, sempre a partir de uma perspectiva de resistência e organização coletiva.

Com “Mess Bigger”, o Asfixia Social reforça sua posição como uma das vozes mais politizadas e autênticas do underground brasileiro contemporâneo, mantendo a música como ferramenta de confronto, consciência e transformação social.

Em tempos de discursos vazios e anestesia coletiva, o Asfixia Social segue lembrando que o punk — em todas as suas mutações — ainda pode ser ferramenta de confronto, reflexão e mobilização. “Revolutionary Rapport” não surge apenas como mais um single que antecede o álbum “Mess Bigger”, mas como um manifesto sonoro que ecoa das ruas de São Paulo aos palcos da Europa. Em meio ao colapso social, ambiental e político que atravessa o planeta, a banda reafirma algo que sempre esteve no DNA do underground: quando o mundo parece desmoronar, o barulho da resistência precisa ser ainda mais alto.



Asfixia Social: som, política e identidade no underground

Formado em São Paulo, o Asfixia Social construiu sua trajetória a partir de uma sonoridade híbrida que mistura hardcore punk, rap, funk, metal e ritmos da cultura urbana brasileira. Mais do que uma banda, o grupo se consolidou como um projeto artístico e político que conecta música, identidade periférica e crítica social.

Ao longo dos anos, o Asfixia Social ampliou sua presença no circuito underground internacional, levando sua mistura explosiva de gêneros e discurso político para palcos na América do Sul e na Europa.

Formação

- Kaneda Mukhtar — vocal e trompete
- Thiko Garcia — guitarra
- Leo — baixo
- Jahya Rastaman — saxofone
- Barba — bateria

Discografia selecionada

2024

    - Live in São Paulo (com GOG)
    - Bleeding in the Sun
    - “Vai Vendo”

2023

    - “Traffic Lights” (feat. Joe Keithley)
    - “Tiro no Escuro” (feat. MV Bill)

2022

    - The Planet Is Alive – Live in Europe 2022
    - “They Sold Your Soul”

2021

    - Asfixia Social ao Vivo – Estúdio Showlivre
    - “Censura Não 2021”
    - “Assassinos Sociais” (com GOG)

2020

    - Sistema de Soma

2019

    - “A Cara do Inimigo” (com GOG)
    - “Get Ready (O Começo)”

2018

    - “Do Começo ao Fim”
    - “Nóiz Tem à Vós”
    - “Quem Sobra”
    - “Sistema de Som(a)”

2016

    - Cuba Punk (DVD)

2015

    - O Sepulcro do Gato Preto (filme)
    - “Bloqueio Mental” — tributo à banda Cólera
    - Tour Nordeste (documentário)

2014

    - Da Rua pra Rua (DVD)

2012

    - Da Rua pra Rua na Rádio Brasil 2000 FM (ao vivo)

2011

    - Da Rua pra Rua
    - participação no DVD Punk na Páskoa

2009

    - “Loko”

2008

    - A Guerra Tá na Tua Porta, Não Só em Bagdá! (demo)

Foto: Lina Panndorf

Ricardo Cachorrão

Ricardo “Cachorrão” é o velho chato gente boa que não pede licença pra gostar de música. Viciado em rock and roll, formou opinião longe de rádio, longe de MTV e perto demais de pilhas de discos e revistas. Tem alergia a banda cover, respeito profundo por discos obscuros do Frank Zappa e ainda sai sorrindo de um show do Iron Maiden — mas é no calor, no barulho e no caos dos buracos punk da periferia que se sente vivo de verdade. Já escreveu para Rock Brigade, Kiss FM, Portal Rock Press e a Revista Eletrônica do Conservatório Souza Lima. Está no Rock On Board desde o começo — e não pretende sair tão cedo.

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