sexta-feira, 18 de março de 2016

Iron Maiden emociona público em noite épica no Rio

Foto: Daniel Croce
Bruce Dickinson em noite de redenção no Rio de Janeiro 
Por Bruno Eduardo

Era para ser apenas um reencontro, mas acabou se tornando um capítulo épico de superação na história da banda com os fãs brasileiros. 

O Iron Maiden é talvez a banda veterana que mais veio ao Brasil na história. Desde 1985, no fatídico show do Rock in Rio, que trazia o grupo no auge da carreira, eles passaram a incluir o país entre os lugares preferidos no mundo inteiro. A cada disco novo lançado, a visita era obrigatória. No entanto, dessa vez houve uma maior comoção entre os fãs, muito pela vitória particular de Bruce Dickinson, que se curou de um câncer na língua. O fato de ter lançado seu melhor disco em muitos anos (The Book Of Souls) também reforçava a expectativa de uma noite memorável. 

Como já virou praxe, "Doctor Doctor" do UFO invadiu o som dos PAs antes do telão exibir uma animação com o novo avião, Ed Force One. O grupo iniciou o show no clima sombrio de "If Eternity Should Fail", com muitas tochas de fogo no palco e um Bruce Dickinson que surgia como um bruxo, cantando à frente de uma espécie de caldeirão mágico. A sequência com "Speed Of Light", melhor single lançado pela Donzela desde "Wicker Man", mantém a mesma ordem do novo disco. A música contagia os fãs com sua levada mais dinâmica e refrão certeiro. Já em "Children Of The Damned", faixa das antigas, fica realmente provado que Bruce Dickinson está com a saúde em dia e que sua luta contra o câncer ficou no passado. O vocalista surpreende ao exibir uma potência vocal invejável, e arranca aplausos dos fãs pela primeira vez na noite. 

Comprovando a capacidade de seu novo álbum, o Maiden arrebata nepopeia divina "The Red And The Black", canção credenciada a se tornar um novo clássico. Além de possuir a levada característica que marcou a carreira da banda, com direito a momento solo de Steve Harris, a música ganha um upgrade magistral de seis minutos ininterruptos de viagem instrumental - com direito a várias mudanças de andamento, teclados preeminentes e um coro vocal para estádios (ôo-ôo). São quase quinze minutos de perplexidade coletiva, com um Bruce Dickinson que apenas aparece sobre a bateria (e que bateria!) do cada vez mais correto, Nicko McBrain, para pedir participação do público.

Aproveitando que uma bandeira do Brasil foi jogada ao palco, Bruce também não hesitou de falar sobre nossa crise política. "Eu tenho visto muito essa bandeira nas notícias e e espero que os caras maus se fodam, quem quer que sejam".

Foto: Daniel Croce
Adrian Smith em ação durante o show do Iron Maiden no Rio
A partir daí, a Donzela começou a reforçar seus clássicos. A sempre indispensável, "The Trooper" - com direito a roupa de soldado e bandeira britânica entoada - e "Powerslave", com muitas labaredas de fogo e um "mascarado" Bruce Dickinson, levaram o público ao êxtase. Nesse momento, os fãs também foram ao delírio com o solo destacado de Dave Murray, que exibia uma linda guitarra Les Paul. Em seguida, outro grande momento do show, e mais uma vez com uma canção do novo álbum. "The Book Of Souls", que se inicia com um Janick Gers mais comportado, segurando um violão, é daquelas músicas que os fãs de Maiden adoram: introdução climática, muitas guitarras dobradas e uma brilhante desenvoltura de Dickinson, que corre de um lado ao outro do palco. É nessa hora que acontece também um dos momentos mais esperados da noite: a entrada de Eddie. O monstro, que chega a medir quatro metros de altura, tem seu coração arrancado por Bruce Dickinson para delírio dos fãs.

A parte final ficou só para a nata da nata. "Hallowed Be Thy Name" - considerada a grande novidade entre os clássicos - e a datada, "Fear Of The Dark", mostraram a força de um HSBC Arena lotado - com mãos para cima e cantoria que ecoou por toda casa. Como é de costume, a única da fase Paul Di'Anno ficou com a tarefa de fechar a apresentação: "Iron Maiden" fez surgir um Eddie inflável no fundo do palco, causando um visual deslumbrante.

Na volta para o bis, o clássico "The Number Of The Beast" trouxe um clima de inferninho ao cenário, com direito a presença de uma enorme besta no canto do palco. "O mundo pode ser um lugar terrível, mas querem saber? Estamos em um show do Iron Maiden. Há pessoas de várias nacionalidades, raças e orientações sexuais aqui, e não estamos nos matando. Pois somos todos irmãos de sangue", disse Bruce, antes de "Blood Brothers". Para fechar a noite, nada mais apropriado que "Wasted Years", canção marcada por representar toda a carreira do grupo nos anos oitenta. 

Em duas horas de apresentação, o Iron Maiden conseguiu ser mais uma vez, aquilo que os fãs acreditam: uma lenda que já foi medieval, futurista, contemporânea, e que hoje soa triunfante - onde nem mesmo a pior das doenças que existem no mundo, seria capaz de derrotar. Up The Irons! 

Foto: Daniel Croce

Um comentário:

  1. Puta que pariu! Ótima matéria. Vêm dia 26!

    ResponderExcluir