ROCKONBOARD NEWS

Foto: Adriana Vieira
Desde 1985 na banda, Frejat não faz mais parte do Barão Vermelho
Roberto Frejat não faz mais parte do Barão Vermelho, banda da qual foi membro fundador em 1985. Após a saída de Cazuza, Frejat também assumiu os vocais do grupo e gravou outros nove discos de estúdio nessa função, com maior destaque para 'Carnaval' (1988) e 'Na Calada da Noite' (1990), que renderam os sucessos "Pense e Dance" e "O Poeta Está Vivo". Pelo o que foi declarado oficialmente, a saída de Frejat foi de comum acordo, já que o mesmo não concordava mais em viver a rotina de shows e gravação de discos com o Barão Vermelho, que segundo ele, já tinha deixado a sua mensagem. Com isso, a banda já anunciou Rodrigo Suricato (banda Suricato) como substituto imediato para o posto. O Barão Vermelho já está preparando uma turnê com a nova formação e também pensa em um novo trabalho. Em março, vai ser lançado o documentário "Porque a gente é assim", que conta a história da banda baseada em imagens de bastidores, depoimentos e várias cenas arquivadas - a direção é de Mini Kerti. 
Foto: Divulgação
Sepultura dá passo à frente com disco ousado e cheio de novidades
SEPULTURA
"Machine Messiah"
Nuclear Blast; 2017
Por Ricardo Cachorrão Flávio


'Machine Messiah' começa de forma louvável, mostrando que o Sepultura não parou no tempo, não se prende nem se importa com a ladainha de velhos integrantes que não cansam de dar declarações polêmicas e não se transformou em cover de si próprio, como é mais do que comum em bandas tão longevas como eles. A faixa título, que abre o disco, é uma constatação cristalina de que a banda não ficou refém do passado. Ela começa lenta, com Derrick Green mostrando que não é apenas um vocalista de berros guturais. Ele aparece cantando de forma limpa e bem postada e a música vai crescendo ganhando ritmo gradual. É uma bela canção. Diferente, mas é Sepultura.

A sequência é pau puro! “I Am the Enemy”, que a banda já havia divulgado ano passado, é um crossover metal-hardcore nervosíssimo, pra tocar o puteiro nos shows e fazer a roda ficar insana! Logo depois, experimentos bem vindos... “Phantom Self”, outra que já havia sido liberada, começa com uma batida de maracatu que me remeteu diretamente à Nação Zumbi, banda que o Sepultura sempre respeitou e chegou a gravar. Mas no desenrolar da canção vamos descobrindo que é muito mais que isso. Há a presença de uma orquestra tunisiana que dá um clima apocalíptico à faixa. Além disso, a cozinha de Paulo Xisto e Eloy Casagrande fazem a cama perfeita para os solos cortantes de Andreas Kisser e a massa sonora vinda dos violinos da orquestra. Grande canção!

De acordo com o release do álbum, entrevistas e o ‘making of’ divulgado pela banda com o andar das gravações, feitas na Suécia, 'Machine Messiah' foi inspirado no uso da tecnologia e no processo de robotização da sociedade. Sua capa é um belíssimo trabalho feito pela filipina Camille Dela Rosa, intitulado “Deus Ex-Machina”, segundo Andreas Kisser, não foi um trabalho feito por encomenda, foi feito há seis anos, mas, na medida para o conceito do álbum que vieram a gravar, ou, o que se pode chamar de casamento perfeito.

É um disco que se deixa ouvir por inteiro, e não há como indicar um ponto alto isolado, já que todas as canções têm seus méritos. Da mesma maneira, não existem pontos negativos no álbum. “Alethea” começa com um excelente trabalho de percussão de Eloy Casagrande, talvez o melhor baterista que a banda já teve. E no embalo vem a 'cacetada' instrumental “Iceberg Dances”, que passa do heavy metal clássico a várias outras influências com uma naturalidade impressionante.

Sworn Oath” aproxima a banda de thrash ao metal convencional, com quilos de teclados deixando um clima grandiloquente, épico. Derrick Green grita forte, e bem colocado e a faixa traz o peso característico da banda, mas sem acelerar. Como diriam os "headbangers malvados", é música para assustar velhinhas indefesas. Já “Resistant Parasites” começa como o velho Sepultura, nervoso, brutal, mas os teclados e orquestrações dão um toque diferenciado no decorrer da canção, que conta também com solo limpo que destoa da base suja e pesada característica da banda, isso é o que eu quis dizer lá no início, o Sepultura não parou no tempo. “Silent Violence” e “Vandals Nest” são porradas certeiras, pra não deixar pedra sobre pedra.

Para fechar esse manifesto ao virtual domínio da máquina sobre o homem, “Cyber God”, que novamente mostra um Derrick Green cantando de forma límpida e mais segura que nunca. Uma bela canção para findar um excelente disco.

Num balanço geral, o Sepultura completa 33 anos maduro e ainda com lenha pra queimar. Enquanto os irmãos Cavalera saem em turnê cantando e tocando Sepultura, e aproveitam para destilar veneno e acusar os remanescentes de negar uma reunião, Andreas, Paulo, Derrick e Eloy trabalham firme e mostram do que são capazes, numa clara evolução desde 'Against' – o primeiro trabalho pós-separação. E sempre é bom lembrar que Derrick Green está completando 20 anos de banda, que é bem mais do que Max cantou com eles. Para os antigos e chatos fãs xiitas, existe a ressalva cristalina de que o Sepultura nunca parou. Quem saiu foi o Max - na época indo contra até mesmo ao inseparável irmão - e Derrick merece maior respeito de todos, pois sempre honrou a banda, seus fãs, e como está mais que constatado neste novo disco: possui qualidade de sobra. 

Que venha a turnê! Que venham novos discos!
Foto: Nem Queiroz
Ego Kill Talent fez um dos melhores shows do Rio Novo Rock
Por Bruno Eduardo

A apresentação da Ego Kill Talent nesta primeira edição do Rio Novo Rock de 2017 já pode entrar na lista de melhores shows que o evento recebeu em sua recente história. A banda paulista é formada por integrantes já bem conhecidos na cena roqueira. Além do líder da banda gaúcha Reação em Cadeia, Jonathan Correa, integram o grupo Jean Dolabella (ex-Sepultura), Theo Van Der Loo e Raphael Miranda (ambos ex-Sayowa) e Niper Boaventura (PullDown). Embora alguns tentem colocar a banda nas prateleira do stoner e do metal, sonoramente, eles fazem um rock alternativo com os dois pés nos anos noventa. O show dos caras impressiona pela força sonora e é matador do início ao fim. Travestido de Eddie Vedder (1991 era'), com blusa xadrez e trejeitos característicos do líder do Pearl Jam, Jonathan é de poucas palavras mas cativa pelo ótimo vocal e presença de palco. Isso pode ser notado nas excelentes "Sublimated" e "Same Old Story", onde a voz dele ganha força ao vivo. Diferente das gravações de estúdio, o som da EKT é mais orgânico, e as guitarras falam de forma mais aberta, evidenciando a força da banda em grandes arenas (como foi conferido por este crítico no festival Lollapalooza Brasil, no ano passado, e mais recentemente no Maximus Festival). Do disco novo, que deve sair nos próximos dias, chama a atenção pancadas como "We All", que martela os ouvidos sensíveis, e "Still Here", com seu riff de guitarra viciante. A banda mantém alguns revezamentos de instrumentos durante a apresentação, mas nada capaz de quebrar o ritmo do show, que mantém a energia sempre alta. Uma prova da funcionalidade da banda é a reação do público, que curte o show do início ao fim. Em tempos de massacre ao rock nas mídias sociais por conta de listas de programações de rádio dominadas por músicas de gosto duvidoso, um show como esses do Ego Kill Talent é como um banho de sal grosso no mau olhado. Rock On!

Foto: Nem Queiroz
Overdrive Saravá conquistou público com seu rock cheio de referências
Lançando o seu disco de estreia, a Overdrive Saravá apresentou ao público uma compilação artística própria, baseada principalmente numa sonoridade que rebusca diversas culturas regionais e discursos que abordam questões sociais. A proposta já surpreende no formato inicial, com os sete integrantes fazendo um rito de abertura, transformando o palco numa espécie de terreiro sagrado para a entrada de "Atabaque e D'Jembes", música que já tem vídeo clipe rolando nos youtube da vida. Mesmo contendo várias investidas sonoras, ao vivo a música da Overdrive se baseia fundamentalmente no rock com guitarras distorcidas e pegada pesada do baterista Renan Carriço, como pôde ser visto na levada acelerada da ótima "Guerreiro do Cerrado". O compromisso com a arte livre, tão defendida pelo grupo nos discursos entre música e outra, fica estampado na figura do vocalista Gregory Combat, que assume bem o papel - seja declamando versos ao esmo ("João do Amor Divino"); interpretando uma desconstruída versão de "Construção"; ou emocionando-se ao falar sobre as dificuldades que os artistas passam para conseguir ter uma oportunidade de tocar numa casa como o Imperator. O discurso da Overdrive Saravá vai além da simples defesa da liberdade de expressão. Também tem veia política forte (inclusive mostrando um cartaz contra o governo em exercício) e preocupação social, com destaque para a excelente "Ressucita Pataxó", que faz homenagem ao índio Galdino, assassinado enquanto dormia num ponto de ônibus. Do ponto de vista artístico, pode-se dizer que o show do grupo é um verdadeiro self-service de influências e informações, mas que desenha o rock de forma pedagógica sem perder sua essência.

Foto: Nem Queiroz
A DJ Suirá agitou o público com um set de clássicos do rock
Foto: Divulgação
Rock in Rio comemora 32 anos de história
No dia em que celebra 32 anos, a organização do Rock in Rio anuncia que no dia 6 de abril será realizada a venda oficial de ingressos, pela Ingresso.com. Até esta data, todas as atrações estarão anunciadas. A corrida pelos ingressos é grande. Para 2017, em novembro do ano passado, os 120 mil Rock in Rio Cards disponibilizados acabaram em menos de duas horas. Neste ano, os ingressos receberão o formato de pulseira e possibilitarão ao público facilidades dentro e fora do espaço do evento.

Entre as novidades desta edição está a mudança de local da Cidade do Rock, que será montada onde foi erguido parte do Parque Olímpico. O Rock in Rio está marcado para os dias 15, 16, 17, 21, 22, 23 e 24 de setembro de 2017 e receberá grandes nomes da música internacional e nacional, como as cinco atrações já anunciadas: Maroon 5 (16/09), Aerosmith e Billy Idol (21/09), Bon Jovi (22/09) e Red Hot Chili Peppers (24/09). Em breve novos nomes serão comunicados.

Nova Cidade do Rock 

Duas vezes mais ampla que a anterior, a nova Cidade do Rock trará mais conforto para todos os visitantes, além de possibilitar o acesso por meio de transporte público direto, a partir de Metrô e BRT, um dos legados olímpicos.

Dentre as melhorias esperadas com o novo espaço, a organização destaca maior facilidade na circulação de público, nas operações de segurança, limpeza e acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, além de mais banheiros, posições de atendimento nos bares e áreas de sombra.

O público também ganhará muito em termos de facilidade de acesso, com o sistema de transportes que foi testado com sucesso durante os Jogos Olímpicos 2016. Quem sair da Zona Sul, por exemplo, levará pouco mais de 30 minutos para chegar ao Rock in Rio, utilizando o Metrô e BRT. Todo o acesso será facilitado para visitantes de qualquer região, pois o legado olímpico permanece. O novo esquema de transportes permite também que os impactos no trânsito do entorno sejam ainda mais leves. As interdições de vias públicas serão reduzidas a quase zero, permitindo que os moradores da região tenham ainda mais conveniência.

Também será beneficiado o público que vem de fora do Rio de Janeiro, com a ampliação da rede hoteleira ao redor do parque. Em 2015 foi comprovada a importância do festival para o fomento do turismo na cidade. Segundo a RioTur, o festival foi a motivação exclusiva para a vinda de 88,5% dos visitantes no período de sua realização.

Organização anuncia curador da Rock Street África

Na nova Cidade do Rock, a Rock Street, este ano inspirada na África, terá curadoria de Toy Lima. O espaço ficará ainda mais boêmio, multicolorido e cultural, com mais espaço arborizado, comodidade e ainda um imenso lago artificial que garantirá mais frescor ao ambiente. Uma novidade é que nesta edição o público poderá conviver em duas Rock Streets. A segunda será a Brasil, com direção artística de Marisa Menezes.

Os palcos Mundo, Sunset, Eletrônica e Street Dance, além dos brinquedos, por exemplo, serão dispostos de forma que o público possa transitar com mais facilidade e desfrutar dos espaços em sua totalidade.

Rock in Rio traz novo site a partir de hoje

Ainda nesta data, o site do Rock in Rio também mudará. Criado pela agência Artplan/Outra Coisa, o novo portal tem o acesso às informações, como line-up, ingressos e transporte, mais intuitivo. A experiência de navegação no novo website toca a memória afetiva dos 8,5 milhões de pessoas que estiveram na plateia do festival ao longo destes anos: uma linha do tempo interativa marca grandes momentos das 17 edições do Rock in Rio e destes 32 anos de história. Os números do Rock in Rio nas redes também não param de crescer e o evento vem quebrando recordes com mais de 12 milhões de fãs.

Cobertura #rockinrio2017
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Foto: Reprodução Internet
"Desconectar" é a faixa que abre o novo disco da banda
A banda carioca Drenna acaba de lançar o clipe para a música "Desconectar", faixa que também dá nome ao novo disco, lançado no fim do ano passado e que entrou na lista de melhores do ano do site Rock On Board. Seguindo a mesma temática do álbum, o roteiro do clipe aborda o vício em internet como mote principal. O vídeo, dirigido por Leonam Moraes, traz a história de um jovem fissurado por jogos virtuais e que se aventura numa noite real, curtindo um show de rock ao lado de outras pessoas. Outro destaque do vídeo é a participação de vários integrantes de bandas da cena, como Balba, Folks, Facção Caipira, entre outros. 

Para assistir ao vídeo clipe de "Desconectar", basta clicar AQUI

Em constante atividade, a Drenna é uma das bandas mais atuantes do novo cenário. Em 2014, eles foram selecionados para tocar no festival Circuito Banco do Brasil e se apresentaram na Praça da Apoteose ao lado de Kings Of Leon, Paramore, Pitty e Frejat. Já no ano passado participaram do Planeta Rock, em noites de apresentações com outros grandes nomes do rock nacional, como Titãs, Biquini Cavadão e Raimundos, e acabaram levando para casa o prêmio de banda revelação do festival por conta das faixas "Desconectar" e "Alívio", que fazem parte do novo disco. Recentemente, fizeram um pomposo show de lançamento no Teatro Rival [saiba como foi AQUI].
Foto: Divulgação
Dropkick Murphys mostra boa forma em seu sexto disco de estúdio 
DROPKICK MURPHYS
"11 Shorts Stories Of Pain & Glory"
Born & Bred Records; 2017
Por Ricardo Cachorrão Flávio


'11 Shorts Stories of Pain & Glory' é o nono álbum de estúdio do Dropkick Murphys, excelente banda de celtic punk formada no estado de Massachusetts, EUA, em 1996, e que estava desde 2013 sem lançar nada de novo, quando saiu 'Signed and Sealed in Blood'.

A história de gravação desse álbum começou quando a banda decidiu sair de Boston pela primeira vez para gravar e se isolar longe de casa, família e situações cotidianas. Foram para o Texas e chegaram a explicar que o tempo passa para todos, e em tempos passados eles não tinham tanta coisa para esquentar a cabeça, por isso definiram que precisavam desse isolamento para dedicação total ao trabalho e a partir de maio/2016 começaram a postar vídeos com as sessões de gravação no meio do nada.

Segundo algumas declarações do baixista e vocalista Ken Casey, este álbum foi muito influenciado pelo trabalho que a banda realiza com o The Claddagh Fund, uma instituição de caridade criada e mantida pela banda desde 2009, para ajudar a recuperação de pessoas do vício, além de apoiar crianças abandonadas e veteranos de guerra.

Indo ao que interessa... Dropkick Murphys é uma banda que não grava simples canções, mas o que se ouve num álbum da banda é uma seleção de hinos! E assim começa, com a belíssima canção “The Lonesome Boatman”. Sim, é um hino... Sim, a banda é dos EUA... E sim, o sangue irlandês corre e pede uma caneca de Guinness para acompanhar a audição!

A sequência vem com “Rebels With a Cause”, que fala de crianças que são abandonadas a sua própria sorte e o sistema as classifica como desesperadas, essa é um punk rock mais direto e urgente, sem a veia celta que acompanha a banda. “Blood” é a próxima e a gaita de foles fala alto, e pede outra caneca de Guinness!

Sandlot” começa com um violão e logo parece que estamos ouvindo uma velha canção dos Pogues, energia pura! “First Class Loser” nos leva de volta até a Irlanda e a impressão de que entoamos mais um hino. “Paying My Way” é a sequência e é outra daquelas que Ken Casey diz ter influência da fundação, fala sobre o caminho para se sair do vício e mirar coisas maiores e melhores na vida.

E o disco vai rolando e chega outro grande momento, “You’ll Never Walk Alone”, aquela mesma entoada pela torcida do Liverpool FC, e que já foi gravada por tanta gente, que vai de Frank Sinatra a Elvis Presley, no caso do Dropkick Murphys, também tem a ver com vício e o trabalho social da banda. Segundo Ken Casey, é de conhecimento público que está ocorrendo uma epidemia de overdoses de derivados do ópio (heroína, por exemplo) nos EUA, e, em particular, em Boston os números são alarmantes. Segundo ele, já esteve em mais de 30 casas de recuperação nos últimos dois anos dando apoio, e recentemente, o vocalista da banda, Al Barr, perdeu um cunhado para esse vício. Menciona que ao sair de uma dessas visitas essa música veio na cabeça e analisando a letra, se resumiu exatamente como ele se sentia, triste, mas sabendo que existe esperança, “Você nunca precisará andar sozinho”!

Em seguida, “4-15-13”, uma homenagem às vítimas do atentado a bomba durante a Maratona de Boston, que eles passaram a conhecer pessoalmente, pois estiveram visitando e tocando para todos no hospital, também como parte do trabalho social que desenvolvem.

Until The Next Time” encerra o álbum no mesmo nível que começou, muito bem... apesar da banda ter passado o segundo semestre de 2016 divulgando singles desses álbum e não ser totalmente novidade o que ouvimos, por ser lançamento oficial de 2017, podemos dizer que o ano começou bem, muito bem.
Pink Floyd / Dark Side Of The Moon
Capa de Dark Side Of The Moon, uma das mais belas da história
Por Bruno Eduardo

Cobiça, insanidade e envelhecimento. Há pouco neste mundo que se compare aos sentimentos de ansiedade e tranquilidade despertados por uma composição musical. Há quase 44 anos, o Pink Floyd conseguiu fluir uma obra através de sua própria alma - fugaz dentro e fora de sua consciência, exigindo atenção e, lentamente, permitindo que seus complexos padrões de ritmo se perdessem em uma atmosfera turva, mas espessamente sonora. 

De fato, The Dark Side Of The Moon é uma arte incrível!

O álbum foi originalmente lançado no dia 1º de março de 1973, um ano maravilhoso para se estar vivo, acredito. As paisagens nebulosas, expressas nesta obra musical, serviram como um cenário perfeito para perceber detalhes mundanos que corriam nos ventos da globalização, que engatinhava lentamente. Com 10 brilhantes movimentos, incluindo uma abertura, uma elegia e estilos psicodélicos neo-barroco, The Dark Side Of The Moon, estranhamente, acabou por figurar entre os discos “fáceis” do Pink Floyd, e talvez por isso, é também o predileto entre quase todos os amantes do rock, e da música em geral.

Relógios tiquetaqueando de forma eloquente, sons de uma caixa registradora, riso enlouquecido e vozes podem ser ouvidas ao longe, juntamente com os talentos vocais de Clare Torry. Toda a loucura de Syd Barret está expressamente exposta, mesmo que sua presença física não se fizesse. Após a saída de Syd, totalmente tomado por sua insalubridade mental, o grupo resolveu dar novos rumos à sua arte, com letras mais pessoais, de abordagem mais específica, e uma diminuição considerável pelas passagens instrumentais – que em outros álbuns chegavam a durar dez, vinte minutos. 

Em 1972, 'Dark Side Of The Moon' acontecia colateralmente ao disco Obscured by Clouds. Após o lançamento do genial Meddle (1971), a banda já tendia a uma nova proposta, que acabou sendo trabalhada de forma paralela, e que rendeu vários testes ao vivo. Tanto que o disco acabou sendo gravado em mais de uma sessão, num intervalo de quase um ano de concepção artística e engenhosa.

'Dark Side Of The Moon' foi produzido por Alan Parsons - que já tinha trabalhado com a banda no disco Atom Heart Mother. O disco foi concebido no Abbey Road Studios, localizado na cidade de Londres, entre 1972 e 1973. A vontade de inovar ultrapassou todos os limites, inclusive no aspecto financeiro, já que a produção foi uma das mais caras da história. Mas deu certo. Ele vendeu mais de 50 milhões de cópias no mundo inteiro e rendeu alguns dos maiores clássicos do grupo, como “Time”, “Money”, “Us And Them” e "The Great Gig in the Sky". O disco ainda ficou mais de 700 semanas no topo das paradas da Billboard.

Fora todo o sucesso comercial que envolve o disco e sua relevância artística, existe ainda uma lendária e curiosa relação com o clássico dos cinemas “O Mágico de OZ”. No fim dos anos 90, começaram a circular vários boatos de que se o disco fosse tocado de forma simultânea ao filme original, de 1939, era possível notar várias correspondências entre as duas artes. O grupo já declarou que tudo não passava de mera coincidência, já que na época, não existiam vídeo-gravadores. Outra curiosidade sobre 'Dark Side Of The Moon', é que a banda quase desistiu do título - por ele ser homônimo a um trabalho da banda Medicine Head, lançado em 1972. O álbum iria se chamar 'Eclipse', mas como notaram o insucesso do Medicine Head, resolveram manter o título original. Já em 2010, a banda Flaming Lips resolveu prestar sua homenagem ao clássico, e regravou o disco na íntegra – mantendo o título original.

A capa do álbum que acompanha o vinil de 'The Dark Side Of The Moon' é verdadeiramente uma manifestação da capacidade criativa, que latejava nesse momento de transição do grupo. O design é maravilhosamente simples. Uma luz que entra no prisma da esquerda e é refratada em um belo arco-íris. A cor é uma parte de tudo - simbolizando beleza e revolta - e o prisma representa a luz do sol, que nada mais é que uma combinação de todas as cores radiantes.

Em 'The Dark Side Of The Moon', o Pink Floyd tentou descrever em alguns minutos, todos os grandes mistérios da confusa existência humana dentro de mentes descontroladas e em conflito externo contra uma sociedade igualmente incompreendida. No entanto, é incrível saber como ele continua tão atual e igualmente inovador nos tempos atuais, onde pessoas continuam cada vez mais lutando contra doenças sociais, motivadas quase sempre pelo capitalismo selvagem - tanto criticado pela banda nos anos setenta. 
Foto: Juliana Novais
Overdrive Saravá vai apresentar seu disco de estreia no Imperator
A primeira edição do Rio Novo Rock em 2017 acontece na próxima quinta-feira, dia 12 de janeiro e promete ser mais uma noite inesquecível para quem procura por boas novidades no rock nacional. O palco do Imperator vai receber o peso da Ego Kill Talent e o caldeirão de influências da Overdrive Saravá.

Formada em são Paulo, a EKT já dividiu palco com grandes nomes do rock mundial, como Rammstein e Marilyn Manson. Além disso, o grupo também se apresentou na última edição do festival Lollapalooza Brasil. O quinteto chama atenção pelas canções recheadas de peso e groove. Já a Overdrive Saravá tem por princípio a diversidade brasileira em sintonia com o rock'n'roll e vai marcar a estreia de seu primeiro disco, homônimo, que já tem um vídeo clipe para a canção "Atabaques e D'jembes" bastante visualizado na internet. 

Nos intervalos a música rola solta com a DJ Suirá, que já tocou em inúmeras casas noturnas do Rio passando por Casa da Matriz, Teatro Odisséia, Sallon 79, Espaço Marun, La Paz, Fosfobox etc. Atualmente reside a festa "Meister Party" (festa oficial da Jagermeister no Rio) e o projeto "Odisseia Paratodos", abrindo espaço para bandas independentes mostrarem seu trabalho.

“O RNR cumpre um importante papel de apresentar o novo. A nova cena do rock carioca, muito forte, tem o festival como referência. E essa característica do evento já reverbera em outras partes do Brasil. Por isso, percebemos que o caminho deve ser o de promover o intercâmbio da cena do Rio com outros artistas do cenário nacional do rock”, comentou Paulo Lopez, organizador do RNR.

Foto: Lucca Miranda
A Ego Kill Talent promete agitar a noite com muito peso
RIO NOVO ROCK
Bandas: EGO KILL TALENT E OVERDRIVE SARAVÁ
Data: 12 de janeiro, quinta-feira
Local: Imperator – Centro Cultural João Nogueira
Endereço: Rua Dias da Cruz, 170 – Méier
Horário: 20h
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
CLASSIFICAÇÃO: 16 anos
Foto: Melhores Discos de 2015
Confira a lista com os 40 melhores discos de 2016
Uma lista de melhores discos do ano existe para ser contestada, comemorada, repassada e - principalmente - discutida. Não existe lista incontestável, assim como não existem listas sem surpresas e obviedades. Entre gigantes do mainstream e anônimos da cena independente, a equipe do Rock On Board se designou a tratar o gênero sem distinções. Abaixo, separamos os 40 discos que ganharam destaque em nossa redação, separados apenas entre gringos e nacionais. Lembrando que a ordem dos fatores não altera o produto. Divirta-se.

Bruno Eduardo 



INTERNACIONAL


CAR SEAT HEADREST (Teens Of Denial)
Em seu primeiro disco por uma grande gravadora, a bacanérrima banda de Will Toledo consegue unir espírito underground e conceito mainstream de um jeito singular. Com uma pegada noventista de bandas como Pixies e Yo La Tengo, o Car Seat Headrest oferece guitarradas ("Fill in The Blank") e melodias esparsas ("Drunk Drivers/Killer Whales") na medida.
DAVID BOWIE (Blackstar)
Uma carta de despedida. Para quem já fez drum n’ bass, rock, pop, soul, música eletrônica, ambiente, minimalista e diversos experimentalismos, flertar com jazz foi mais uma linguagem que David Bowie usou do seu próprio modo - sem obviedades, lógico. Em seu estupendo disco derradeiro, o camaleão presenteou os fãs com um conjunto de canções que merecem ser apreciadas para sempre.
DEFTONES (Gore)
Em "Gore", o Deftones continua sua exploração sonora intuitiva, baseada principalmente nas melodias particulares de Chino Moreno e na parede maciça de guitarras (mais limpas que de costume) do talentoso Stephen Carpenter. O guitarrista acerta em cheio nas escolhas de texturas, como pode ser conferido nas palhetadas deleitosas de "Acid Hologram" e "Phantom Bride".
DESCENDENTS (Hypercaffium Spazzinate)
Não importa o quanto tentemos lutar contra, a verdade é uma só: o envelhecimento é inevitável e ninguém está imune a isso, nem mesmo o Descendents, espécie de Peter Pan do punk rock. Este disco marca o retorno triunfal de uma banda que desde 2004 não nos brindava com novos trabalhos, e que vai ficando muito melhor a medida que envelhece. Cinquentões mas sem perder o punch!
DINOSAUR JR. (Give a Glimpse of What Yer Not)
Com 30 anos de carreira, o Dinosaur Jr. pode se gabar de fazer o rock alternativo que influenciaria uma gama gigantesca de bandas vindouras. Inclusive todo o movimento grunge e tudo o que se fez de noise rock nos EUA e na Inglaterra. 'Give a Glimpse Of...' é disco mais bem acabado desde o retorno da banda. Além disso, eles comprovam que ainda possuem muita lenha para queimar.
DISCHARGE (End Of Days)
Bem melhor produzido, 'End Of Days' mantém a essência do Discharge: letras minimalistas, distorção no talo, músicas na velocidade da luz e vocais raivosos. Aqui, tudo se resume a uma pancada atrás da outra, sem tempo para respirar. Ouça "Acessories By Molotov - Part 2", "Looking At Pictures of Genocide" e a metálica "Population Control", e saia com os ouvidos sangrando. 
GARBAGE (Strange Little Birds)
'Strange Little Birds' mantém o vigor do grupo e ainda consegue ser tão urbano e sombrio quanto os primeiros discos, mas dessa vez sem soar experimental. Butch Vig, Steve Marker, Duke Erikson e a icônica Shirley Manson mostram composições maduras, e que misturam guitarras com distorção, groove e muitas texturas eletrônicas. Ouça "Empty", que entrega o jogo de cara.
GOJIRA (Magma)
No mundo do rock pesado, 'Magma' fica entre o vanguardismo de um Heritage e a potência thrash de um Lamb Of God. É em suma, um trabalho magnífico e que também atesta a maturidade artística e técnica do Gojira como banda. Deixando de lado os guturais e apostando mais nos vocais limpos, Duplantier brilha em canções como " The Shooting Star" e na faixa-título do disco. 
HELMET (Dead To The World)
Em seu melhor trabalho de estúdio nos últimos anos, o Helmet volta a mostrar toda aquela pressão sonora que transformou a banda num dos principais nomes do rock / metal alternativo. A magia do grupo pode ser encontrada facilmente nos riffs característicos de Hamilton, principalmente nas Sabbathicas "Red Scare" e "Die Alone". É para escutar do início ao fim.
IGGY POP (Post Pop Depression)
Este disco foi gravado em segredo no estúdio caseiro de Homme em Joshua Tree, numa sessão que durou apenas três semanas. Além de ser bastante divertido e orgânico, 'Post Pop Depression' consegue refletir muito bem a personalidade da dupla. Ao todo, são 10 canções que unem muito bem o carisma de Iggy Pop e as habilidades criativas do líder do QOTSA. 
KATATONIA (The Fall Of Hearts)
Definitivamente, 'The Fall Of Hearts' é o trabalho mais ambicioso, bonito e coeso desta banda sueca. Se peso não é essencialmente o que você busca na música e sabe valorizar uma canção bem construída, este disco é uma boa pedida. Aqui, o Katatonia conseguiu reproduzir um combinado de emoções e temas que tentam chegar ao coração e a alma do ouvinte mais sinestésico ou melancólico.
MELVINS (Basses Loaded)
O título do álbum veio da ideia do grupo em convidar baixistas que já passaram pelo grupo ou que têm alguma ligação com o Melvins para participar das gravações. A lista conta inclusive com o ex-baixista do Nirvana, Krist Novoselic. Também há bateristas convidados, inclusive o original do Melvins, Mike Dillard. Ao todo, 12 canções de rock sujo, caótico e arrastado.
METALLICA (Hardwired...To Self-Destruct)
'Hardwired… To Self-Destruct' tem o vigor e o pulso firme que os velhos fãs esperavam. No disco de metal mais aguardado do ano, Hetfield, Ulrich, Hammet e Trujillo provam que possuem o que é preciso para continuar sendo uma das maiores bandas de todos os tempos. Para melhorar, eles ainda lançaram um clipe para cada música do disco. Destaque para homenagem a Lemmy em "Murder One". 
NEW MODEL ARMY (Winter)
Após o bom 'Between Wine and Blood', eis que os rapazes de Bradford, mostram que os 36 anos de banda não os deixaram acomodados. Sem apelar para o jogo fácil da mesmice ou tornar-se um cover de si próprios, como é muito comum em bandas longevas, 'Winter' reúne referências antigas com visões futuristas. Ouça "Born Feral" e a neilyoungniana, "Beginning".
RIVAL SONS (Hollow Bones)
Em 'Hollow Bones', o Rival Sons volta a apostar em distorções fuzz, vocais influenciados pelo blues e sonoridade instrumental retrô. Bebendo cada vez mais nas fontes de Jimmy Page e Robert Plant, o grupo consegue oferecer canções de alto quilate, como o hard clássico "Tied Up", o blues rasgado da ótima "Fade Out" e ainda, de quebra, presenteia os ouvintes num cover de Humble Pie. 
SAVAGES (Adore Life)
Um dos principais expoentes do rock inglês volta com dez canções que refletem bem a proposta da banda. Mais maduros,eles voltam a atacar com o rock barulhento e cheio de guitarras sujas que conquistou fãs em vários festivais nos últimos anos, incluindo o Lollapalooza Brasil. As britânicas transpiram energia e sentimento num disco que reflete honestidade e espírito rock.
    

THE CULT (Hidden City)
Hidden City é um lembrete de que a banda é boa, é rock’n’roll e, o melhor de tudo, continua em ótima forma. O hard rock oitentista característico que fizeram em álbuns como 'Love' (1985) e 'Electric' (1987) conseguiu ser sabiamente atualizado para a sonoridade deste novo século, com timbres mais encorpados e baterias mais estrondosas, como nas ótimas "Hinterland" e "GOAT".
THE DILLINGER ESCAPE PLAN (Dissociation)
Em seu sexto disco, o The Dillinger Escape Plan traz de volta o metal progressivo que marcou a banda como uma das mais inventivas dos últimos tempos. A variedade de estilos que o grupo impõe de forma cerebral, aparece de forma violenta ("Limerent Death") ou na maciez de um hino pronto ("Symptom Of Terminal Illness"). Pena que a banda anunciou o fim das atividades após este disco.
THEE OH SEES (A Weird Exits)
John Dwyer reaparece com tudo neste novo, e ótimo disco do Thee Oh Sees. Após ter declarado que iria engavetar a banda, o maluquete voltou atrás de sua decisão e segue comprovando que é o mesmo o maior band leader do garage rock mundial. "Dead Man’s Gun", "Ticklish Warrior" e "Gelatinous Cube" são os melhores resultados que se poderia ter dessa genial banda.
WHITE LUNG (Paradise)
O quarto disco desta banda de Vancouver é certamente o ponto mais alto da carreira. Em 'Paradise', eles apresentam guitarras e batidas raivosas num conjunto de canções urgentes. Com uma direção mais melódica na questão vocal, os canadenses conseguem dialogar com um público mais pop também. Vá direto em "Dead Weight", "Kiss Me When I Bleed" e "Sister".
   


NACIONAL


AUTORAMAS (O Futuro dos Autoramas)
Curiosamente, este é o primeiro e último disco dos Autoramas com esta formação, que acabou se dissipando na turnê. Acompanhado por Érika Martins (ex-Penélope), Melvin e Fred Castro (ex-Raimundos), o incansável Gabriel Thomaz apresentou mais uma série de seu infalível cardápio regado a rock dos anos 60, New Wave e Jovem Guarda. Vale cada minuto de audição. 
CANTO CEGO (Valente)
Assim como o encarte do disco sugere, Valente é um conjunto de órgão vitais para a cena rock: há coração nas letras, cérebro nas resoluções melódicas e espírito no conjunto da obra. Para quem ainda teima em dizer que o rock anda claudicante apenas porque não aparece nos meios convencionais, este disco serve como um desmentido enfático. Coisa linda!
CATTARSE (Black Water)
Stoner rock da melhor qualidade. Essa é a maneira mais simples de resumir o segundo disco desta banda gaúcha. Com uma coesão surpreendente, 'Black Water' traz canções vigorosas, cheias de referências em bandas como Queens Of The Stone Age, Red Fang e todas aquelas beldades dos anos 70. As preferidas da casa: "Mr Grimm", "Meet Me In The Darkness" e "Black Water".
CLAUSTROFOBIA (Download Hatred)
A brutalidade do Claustrofobia está latente em 'Download Hatred', considerado por muitos como o disco mais pesado da banda. Produzido por Russ Russell (Napalm Death), o álbum conta ainda com as participações especiais de Moyses Kolesne, do Krisiun ("Generalized World Infection") e Andreas Kisser do Sepultura ("Curva). Resumindo: o melhor disco de metal do ano por uma banda nacional.
CLEMENTE (A Fantástica Banda Sem Nome)
O primeiro disco solo de Clamente (Plebe Rude e Inocentes) é coeso e constante. É rock, mas com sonoridades bem distintas do urgente punk que o tornou conhecido. Baladas, blues, pop, experimentalismo, num trabalho mais introspectivo, sem perder a ‘raiva’. Entre os destaques: a semi-balada “Corações Solitários” e uma nova versão para “As Verdades Doem”. 

DEFALLA (Monstro)
Foram necessários 14 anos para juntar os cacos, remendar os membros, trocar o sangue e dar uma recauchutada no visual. 'Monstro', consegue a incrível façanha de reunir todas as aberrações sonoras que fizeram parte da multifacetada carreira do Defalla, numa iguaria musical irrotulável, capaz de viajar nas ondas dos Mutantes e dançar nas pistas de James Brown com a mesma desenvoltura.   
DEVOTOS DNSA (Audio Generator)
Para quem possa não saber, o Devotos DNSA é capitaneado por Luiz Thunderbird, famoso ex-VJ da MTV. Com 30 anos de estrada, a banda chega em 2016 com este ótimo 'Audio Generator', que traz participações de Lee Marcucci (Rádio Táxi), Jajá Cardoso (Vivendo do Ócio), André Abujamra e vários outros convidados especiais. Ao todo, são 14 faixas permeadas pelo classic rock e rockabilly.
DIABLO ANGEL (Fuzzled Mind)
De Caruaru, a Diablo Angel é um trio formado por dois rapazes e uma menina que só querem fazer rock barulhento e juvenil. Em suma, 'Fuzzled Mind' é uma ode aos anos noventa, com muitas guitarras e transpiração nostálgica. É grunge, alternativo, noise e fuzz em alta escala e que seguem bem representados nas ótimas "Come Here Now", "Rebel" e "Chaos City".
DIABO VERDE (Veni, Vidi, Vici!)
O Diabo Verde acertou em cheio no contexto da obra, principalmente pela mensagem indiscutivelmente relevante nos dias de hoje. Mas vale ressaltar que 'Veni, Vidi, Vici!' é acima de tudo um disco tipicamente hardcore, que além de ser muito bem executado, é curto, direto e dá o seu recado em pouco mais de meia hora. Destaque para a participação de Badauí do CPM22, em "A Missão".
DRENNA (Desconectar)
Com vários grandes festivais no currículo, a Drenna comprova pela primeira vez no estúdio o porquê de ser considerada um dos principais expoentes da nova cena. Em 'Desconectar', o grupo carioca acerta na mensagem e brinda o ouvinte com rock feito na medida para arenas de todos os tamanhos. Tente resistir ao rock cheio de riffs e refrões chicletes das ótimas "Entorpecer" e "Anônimo".    
FIVE MINUTES TO GO (Ghost Down)
Oriundo da bacanérrima Camarones Orquestra Guitarrística, o Five Minutes To Go traz um conjunto de canções curtas, de no máximo dois minutos cada, com uma pegada totalmente influenciada pelo magnífico OFF!. Por ser um disco dinâmico, fica difícil destacar alguma faixa específica, já que uma parece complementar a outra. Vale a pena perder 12 minutos do seu dia para ouvir isso.
HOVER (Never Trust The Weather)
O Hover é uma das bandas de rock mais interessantes e criativas do país. Com uma sonoridade que busca muito mais as texturas no rock pesado do que propriamente o punch, 'Never Trust The Weather' remete aos melhores momentos de bandas como Deftones e Tool. Ouça as ótimas "Hawkeyes", "Teeth" e "My Name is Alaska", e saiba o que estamos tentando dizer. 
MACACO BONG (Macaco Bong)
O incansável Bruno Kayapy lidera o Macaco Bong em mais um sensacional disco. Após o ótimo 'Macumba Afrocimética', o MB resolveu voltar ao formato mais clássico, com guitarra, baixo e bateria, num disco que surpreende pela versatilidade e bom gosto na escolha das passagens. Destaque para a formosura instrumental de "Distraído Venceremos" e "Carne Loca".
NOVE ZERO NOVE (Blindado)
A Nove Zero Nove é uma das bandas mais atuantes da cena. Quem acompanha o corre dos caras, sabe que não falta engajamento, e muito menos honestidade na proposta. Com isso, 'Blindado' é um disco que representa o triunfo dos becos e esquinas de rock no Brasil. Em um país onde dizem que o rock morreu, este disco é um soco no estômago da hipocrisia e do oportunismo pessimista que nos assola.
PONTO NULO NO CÉU (Pintando Quadros do Invisível)
O que podemos dizer, é que em 'Pintando Quadros do Invisível', a sonoridade dos catarinenses remete mais às bandas do sul dos EUA, como a Nonpoint, por exemplo, do que propriamente ao metalcore de trabalhos anteriores. Músicas como 'Estado Surdo da Memóri' representa a sonoridade deste trabalho, que une peso sonoro e letras ácidas com críticas ao comodismo humano.  
ROYAL DOGS (Tattoo You)
A maranhense Royal Dogs já dividiu palco com nomes como Matanza, NxZero, Dance Of Days, Nação Zumbi e Sepultura. É certamente um dos principais nomes do rock nordestino. Neste disco lançado pela gravadora 'Monstro Discos', eles trazem um hard sujão, com belos riffs e o vocal destacado de Laila Razzo. "Violet Flame" e "Diss Track" são apenas alguns exemplos de um disco quentíssimo.
SIOUX 66 (Caos)
O Sioux 66 ganhou destaque recentemente por abrir shows para as bandas Aerosmith e Papa Roach. Tal credenciamento pode ser encontrado no excelente disco 'Caos', que traz um hard pesadão com letras críticas. Aqui você encontra riffs de metal ("Seu Destino"), hard tradicinal ("Caos) e influência do grunge ("Libertad") no melhor disco de hard lançado este ano no Brasil.
THE BAGGIOS (Brutown)
Há discos que precisamos escrever sobre. Há outros que sentimos a necessidade de gritar ao mundo sua existência - que toca o coração, alerta os ouvidos e arrepia a alma. 'Brutown' é desses de compartilhamento obrigatório. O crescimento sonoro do Baggios fica evidente no rock estiloso e cheio de metais, "Estigma", que conta com a participação de Emmily Barreto da Far From Alaska.
THE OUTS (Percipere)
Esse é o primeiro disco cheio desses garotos e que trazem também pela primeira vez, letras em português. Escalados para o Lollapalooza 2017, o grupo mostra em 'Percipere' a mesma proposta psicodélica (oriunda dos anos 60) que marcou os  seus primeiros EPs. Os destaques ficam para a beatleniana "Ainda Me Lembro" e o rock progressivista na melhor do disco, "Palavras Cruzadas". 
VISHI MARIA (Vishi Maria)
A goiana Vish Maria chega ao seu disco de estreia com uma mistura saudável e igualmente genial de rock psicodélico, progressivo e tropicalismo, que remete principalmente aos Mutantes, mas que lembra outros nomes mais contempâneos como Boogarins e Movéis Coloniais de Acaju. Ouça com urgência as excelentes "Vishi Maria", "Tutti Buona Gente" e "Tridmensional".