• Rock in Rio promete a maior queima de fogos de sua história
  • Texto especial sobre a importância de Chris Cornell e do disco "Superunknown" do Soundgarden.
  • Leia a resenha de "Crooked Teeth", nono disco do Papa Roach. Por Bruno Eduardo.
  • Confira a nossa cobertura do Maximus Festival 2017. Foto: Alessandra Tolc
  • O guitarrista Kennedy Brock falou sobre o novo disco e shows no Brasil

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Após ser uma das atração principais do Download Festival, Far From Alaska lança novo clipe

O novo clipe, "Cobra", traz visual descolado e pode ser conferido abaixo
O Far From Alaska divulgou o clipe para a canção "Cobra", primeiro single de 'Unlikely', novo disco da banda e que será lançado no dia 04 de agosto. O vídeo contou com direção de Cléver Cardoso e conta com um trabalho visual repleto de animações. A canção é pesada e traz o mesmo formato sonoro de seu último trabalho, 'Mode Human', lançado em 2014. O novo disco do grupo foi gravado nos Estados Unidos e contou com a produção de Sylvia Massy, cultuado nome mundial, que já trabalhou com nomes como Tool, System of a Down e Foo Fighters.

Em entrevista exclusiva ao Rock On Board [leia a entrevista na íntegra AQUI], Cris Botarelli falou um pouco sobre a nova sonoridade do novo disco:
"Em relação ao disco anterior, acho que esse novo está bem menos sério, menos tímido. Quando é pra ser pesado é muito pesado, quando é música de cantar junto, é música de cantar junto de olho fechado, sabe? Quando é dançante, é tipo balada, e é isso aí. É o que é. Acho que a galera vai curtir muito porque vai conseguir sentir a gente de verdade! Bem, pelo menos é isso que espero que aconteça".
Recentemente, o Far From Alaska foi uma das atrações do palco principal do lendário Download Festival, ao lado de grandes nomes do rock mundial como System Of A Down, Mastodon e Linkin Park. Assista abaixo o novo clipe da banda:

Pearl Jam será headliner do Lollapalooza Brasil 2018, afirma site

Pearl Jam volta ao Brasil ano que vem para tocar no Lolla (Foto: Adriana Vieira)
O Pearl Jam será uma das atrações principais da próxima edição do Lollapalooza Brasil, que acontece no primeiro semestre de 2018. Pelo menos é o que afirma José Norberto Flesch, do site Destak. De acordo com o jornalista, a turma de Eddie Vedder voltará ao Brasil pela quinta vez na carreira e deverá repetir a mesma dobradinha de headliners de 2013, já que segundo o jornalista apurou, a banda The Killers também está na lista de negociações para voltar ao festival. Uma outra coincidência com a edição do Lolla em 2013 é o fato do festival voltar ao formato de três dias, que também será no feriado de páscoa. A única diferença, no entanto, é o local, que naquela oportunidade, era o Jockey Club, mas que deve permanecer sendo o Autódromo de Interlagos.

Considerado um dos maiores grupos de rock do mundo, e o único representante do grunge em atividade desde sua formação, o Pearl Jam já vendeu mais de 80 milhões de cópias em todo planeta. A fama chegou logo no seu disco de estreia, Ten, o que causou uma conturbada relação com os holofotes. Clássicos como "Even Flow", "Jeremy", "Black e "Alive" se tornaram hinos de uma geração. O grupo também lançou outros discos fundamentais, que inclusive ganharam matérias especiais aqui site: Vs. (1993), Vitalogy (1994), Binaural (2000) e Yield (1998). A banda de Eddie Vedder já veio ao Brasil em outras quatro oportunidades. A última foi em 2015, quando invadiram os principais estádios do país, incluindo o Maracanã.

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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Chester Bennington, vocalista do Linkin Park, é encontrado morto em sua residência

Chester tinha 41 anos de idade e veio ao Brasil este ano (Foto: Bruno Eduardo)
Mais uma baixa no mundo do rock. Chester Bennington, vocalista do Linkin Park, foi encontrado morto em sua residência na manhã desta quinta-feira (20). Segundo o site TMZ, o músico cometeu suicídio por enforcamento. Chester tinha 41 anos de idade, era casado e tinha seis filhos. Bennington era muito próximo de Chris Cornell, vocalista do Soundgarden e do Audioslave, que morreu em maio - também em um suicídio por enforcamento.

Chester conheceu a fama de rock star com o Linkin Park no no início dos anos 2000. Os dois primeiros álbuns do grupo ("Hybrid theory" e "Meteora") emplacou vários sucessos nas paradas mundiais, como "In the end", "Crawling", "Faint" e "Numb". A banda vendeu aproximadamente 70 milhões de cópias no mundo inteiro e esteve no Brasil recentemente para se apresentar no Maximus Festival [saiba como foi AQUI]. O último disco lançado pelo Linkin Park, "One More Light", saiu em maio deste ano e o grupo estava em turnê pelos Estados Unidos, com shows marcados até outubro deste ano. Chester Bennington também fez parte momentaneamente como vocalista do Stone Temple Pilots, e lançou um EP com a banda, "High Hise", de 2013.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Matanza Fest 2017 no Circo Voador foi o triunfo da grosseria!

Matanza encerrando a sexta edição do festival no Rio (Foto: Guto Jimenez)
Por Guto Jimenez

O Circo Voador foi mais uma vez o palco escolhido pra mais uma edição do Matanza Fest, o festival de bandas de rock com estilo mais agressivo assim como os “donos da festa”, por assim dizer. Na edição deste ano, houve um direcionamento maior ao punk rock com três bandas de abertura (Cabeça, DFC e Inocentes) mostrando algumas das nuances do gênero e deixando o ótimo público presente mais do que aquecido e preparado pra apoteose provocada pelo Matanza. Ou seja, uma bela noite recheada de grosseria e muita diversão!

No quesito diversão, o primeiro show da noite com a banda Cabeça foi insuperável. O trio formado por Fábio Kalunga, Nobru e Pedrinho subiu ao palco depois de mais de 12 anos sem tocar no local e, como sempre, deixou sorrisos nos rostos da gente que começava a chegar ao Circo. Eu já havia assistido ao retorno da banda há algumas semanas na Audio Rebel e fiquei impressionado com a evolução dos músicos: todos eles se transformaram em instrumentistas muito cascudos, fato que só aumentou o prazer de assisti-los mais uma vez ao vivo. Eles fizeram um set repleto de clássicos da banda, como “Quem não cola não sai da escola”, “Não pode ficar parado” e “Street no Flamengo é podre” – a minha favorita enquanto skatista veterano que já morou naquele bairro carioca. Talvez em homenagem ao recém-lançado vídeo de “Vara verde”, a execução da música contou com uma quase performance do Nobru que envolveu um arremesso de guitarra pro alto e do próprio guitarrista no chão. A melhor descrição pro show foi feita por uma mulher que estava atrás de mim, após eles tocarem o hino “Tutupá”: ‘isso é genial, eles dizem tudo sem falar nada’... Assim é o Cabeça - ou Açebac, pros mais chegados: total descompromisso com a seriedade desse mundinho velho onde vivemos.

A próxima banda foi o DFC, um dos nomes mais consagrados e respeitados do HC nacional. O vocalista Túlio estimava em mais de duas décadas vir tocar no local, quase que uma eternidade em se tratando de uma banda que tem uma vasta discografia como eles, mas isso não fez a menor diferença: o show foi extremamente energético, fazendo a galera pogar quase que sem parar. Uma pequena introdução instrumental foi o aperitivo pro desfile de sons velozes e rudes da banda, com as críticas ao sistema de “Pau no cu do capitalismo em posições obcenas” e “Lucro é o fim” e à desilusão das massas em “Eu quero vomitar” e “Todos eles te odeiam”. Sobraram homenagens a algumas cidades, como o Rio do pastor-prefeito em “Vai se fuder no inferno” (deixando aquela desconfortável sensação de riso amarelo) e a sua Brasília natal em “Cidade de merda”. Outros destaques da apresentação foram “Roleta russa”, “Petróleo maldito”, “Punk ou punqui”, “Respeito é bom e conserva os dentes” e “Vou chutar a sua cara”. Uma distração na parte final do show quase o encurtou em alguns minutos, mas a banda se redimiu a tempo e ainda houve tempo pra eles encerrarem com a histórica “Molecada 666”. Sem dúvida nenhuma, o vigor da banda em tocar mais de 30 músicas em cerca de 40 minutos foi totalmente recompensado pelo suor e adrenalina da turba ignara, que pulou tanto que fez o local ficar parecido com uma panela de pipoca.

Um breve intervalo e os Inocentes tomaram conta do pedaço. Num país mais justo que honrasse mais os seus grandes ídolos musicais, o nome de Clemente Tadeu estaria alçado ao panteão dos grandes ícones do rock brazuca em todos os tempos; não é exagero afirmar que ele é a voz e a alma do grupo e um dos nomes mais importantes do punk rock mundial. Seus veteranos asseclas fornecem o suporte que o mestre merece, com a guitarra incendiária de Ronaldo Passos, o baixo mais do que preciso do Anselmo e a bateria estilo Uzi do Nonô. Não tinha como dar errado! Abriram a performance com a mitológica “Miséria e fome” e tome clássicos em cima de clássicos: o hino “Garotos do subúrbio”, “Salvem El Salvador”, “Desequilíbrio” e “Medo de morrer” tocada ao velho estilo, mais sujo e menos carregado de metal. Na sequência, o líder chama ainda mais o público em “4 segundos” e em “Rotina”, com direito a marcação de palmas por parte da plateia, pra depois emendarem em “Expresso Oriente”. O primeiro cover foi “São Paulo”, do 365, a música mais conhecida do repertório daquele grupo, seguida de “Aprendi a odiar” e “Ele disse não”, a favorita do tiozinho aqui. Clemente apresentou “Restos de nada”, a primeira música que ele compôs há quase 40 anos a qual também era o nome de sua primeira banda, pra depois comandar o coro em “Não acordem a cidade”. Era hora de mais um cover, dessa vez com a ilustre e insana participação de Larry Antha cantando a inacreditável “Franzino costela”, e confesso de ter visto várias pessoas dando risadas com a saga do jovem que apanhava de ‘vara de vergalhão, vara de araçá e cabo de vassoura’. Encerrando o show, duas pérolas do repertório deles que mostram com nitidez a notória capacidade do líder em prever alguns dos fatos mais significativos da história recente do país; afinal, atualmente é quase impossível de se ouvir “Pânico em SP” sem se lembrar dos frequentes tumultos da Paulicéia, enquanto que “Pátria amada” deixa no ar a pergunta que nunca se cala: ‘de quem é o país afinal / é do povo nas ruas ou do Congresso Nacional?’. Já tem uns 35 anos desde que eu assisti aos meus primeiros shows dos Inocentes, nos extintos Templo (SP) e no Dancy Meyer (RJ), e estou certo de que jamais deixarei de sentir a mesma emoção da época de cabelos mais fartos e joelhos sadios. Como sempre, uma verdadeira aula magna de punk rock.

Encerrando a noite, os virulentos anfitriões do Matanza. O MTZ não é somente uma das bandas mais conhecidas e importantes do cenário independente nacional na atualidadde, eles já se transformaram numa verdadeira instituição com seguidores fiéis e apaixonados que lotam os seus shows por todo o país. Suas letras quase visuais que fazem odes aos losers e aos momentos desgraçados da vida, somadas à maçaroca sônica potente como uma turbina de avião, dão à sua verdadeira legião de fanáticos fãs aquilo que merecem: virulência pura e brutal. O ogro nórdico Jimmy London é saudado com o carinhoso coro de “ei Jimmy, VTNC!”, respondendo com o seu “só digo uma coisa: PQP!” e abrindo o set com a envenenada “Interceptor V-6”. A partir daí, o coro de gritos com hálito de álcool não parou mais por nem um minuto sequer, acompanhando desde clássicos como “Santa Madre Cassino”, “Bom é quando faz mal” e “Tudo errado” até canções mais recentes como “Mulher diabo”, “O que está feito, está feito” e “Matadouro 18”. Na verdade, não rola muito dessa distinção num show deles já que praticamente todas as músicas parecem viver em seus próprios universos, e tome “Tempo ruim”, “O chamado do bar”, “Five feet high”... Em “Clube dos Canalhas”, por exemplo, quase não consegui escutar o que o meu cérebro pensava, de tão potente que foi o acompanhamento dos espectadores aliado ao esporro promovido pelos caras no palco. A única folga pra já sacrificada audição foi o momento “Parabéns pra você” em homenagem ao guitarrista Maurício; fora isso, só ignorância em sua forma mais primitiva. E tome PQP com “Tempo ruim”, “Ressaca sem fim”, “Maldito hippie sujo”, “O último bar”, “Ela não me perdoou”, “Meio psicopata”, “Sabendo que posso morrer”... Uma galeria de tijoladas no quengo que só teve fim com “Ela roubou o meu caminhão”, “Estamos todos bêbados” e o bis da música de abertura, encerrando as quase duas horas do rolo compressor musical.

Um show é bom quando você sai satisfeito dele e é excepcional quando os momentos não se apagam de sua memória, mas o Matanza Fest vai muito mais longe do que isso. Você sai desnorteado, com a sede e a fome de um viking após uma longa expedição pelos mares, e ainda assim sente uma inexplicável vontade de “quero mais”, mal conseguindo conter a expectativa pela próxima vez. Resumindo: antológico! 

Elder lança "Reflections Of A Floating World", um dos melhores discos de stoner rock do ano

Elder segue se consolidando como um dos grandes nomes do stoner mundial
ELDER
"Reflections Of A Floating World"
Armageddon Label; 2017
Por Lucas Scaliza


Deem logo uma coroa aos músicos do Elder. A banda americana de stoner metal conseguiu superar o ótimo resultado que obtiveram em Lore (2015) e chegam muito perto do nível de clássico com o álbum duplo Reflections Of A Floating World.

Com músicas bastante longas (de oito a 13 minutos!), conseguem fazer com que cada uma seja seu próprio universo de riffs e pegada instrumental, fazendo do álbum uma galáxia inteira. Não é brincadeira. “Sanctuary”, que abre o álbum, já faz o fã do estilo sorrir com um riff incrível. Depois que baixo e guitarra com distorção poluem tudo então, é só correr para o abraço.

Dessa vez há algo de mais místicos no som feito pelo trio. Algo mais pinkfloydiano, se você preferir, e dá pra dizer que até tem passagens mais claramente progressivas (como “The Failing Veil” e “Blind” deixam bastante claro). Eles não usam sintetizadores como o Samsara Blues Experiment e com certeza fogem da abordagem mais direta do Mothership. As passagens mais etéreas são feitas aproveitando dedilhados de guitarra, a exploração de efeitos de pedal e um teclado que aparece aqui e ali, nunca roubando a cena. E sempre carregam o som com a energia necessária para manterem-se instigantes como sempre.

Como já era de se esperar, o disco é paulada atrás de paulada, riff atrás de riff e solos animalescos que parecem brotar naturalmente de dentro da massa de overdrive dos instrumentos de corda. Até mesmo a jam instrumental “Sonntag”, a faixa mais calma, é deliciosa em sua condução rítmica e temperada com acid rock, desembocando finalmente na psicodélica e intensa “Thousand Hands”.

A dinâmica continua sendo uma das armas mais interessantes que o Elder tira da algibeira. Quando você acha que não dá para ter mais pressão no som, eles conseguem fazer tudo soar ainda mais épico ou mastodôntico (como certas passagens em “Staving Off Truth”).

O trio é formado pelos habilidosos Nicholas DiSalvo (vocal, guitarra e teclado), Jack Donovan (baixo) e Matt Couto (bateria). Dessa vez, no entanto, contaram com contribuições de Michael Samos (pedal steel, que dá o tom pinkfloydiano do trabalho) e Michael Risberg em uma segunda guitarra, que é chave para conseguirem elevar a dinâmica aos níveis épicos pelos quais Reflections Of A Floating World merece ser reconhecido.

As faixas são compostas de tantas partes boas que é necessário ouvir diversas vezes para começar a colocar os pedaços de música em ordem dentro da cabeça, aprendendo a organizar esse universo todo. Mas a primeira ouvida é impactante. Quem já conhece a banda de Boston sentirá que está diante de algo realmente grande neste quarto álbum. E quem não a conhece deverá cair a seus pés e perguntar: “por onde foi que vocês andaram esses anos todos que não estavam na minha playlist?”

'Lore' é para sempre um dos discos mais consistentes de stoner metal que já ouvi. 'Reflections' é o stoner metal que expande seu próprio mundo, mostrando que o Elder olha para a frente e não entrega nem um minuto de música que fique abaixo do ótimo.