Roberta Medina vê Elton John e Stray Kids como os grandes encontros de gerações do Rock in Rio

Foto: @FerreiraFotoss

A edição de 2026 do Rock in Rio terá dois dias que, na visão de Roberta Medina, representam de maneira especial a proposta de um festival cada vez mais aberto a diferentes gerações: o dia de Elton John e o dia de Stray Kids.

Em entrevista ao Rock On Board, a vice-presidente executiva do Rock in Rio retomou uma questão que acompanha a trajetória do festival, especialmente nos últimos 15 anos: a necessidade de mostrar que o evento não é destinado apenas ao público jovem, mas também às famílias e a pessoas de diferentes idades.

Eu acho que a gente tem dois dias marcantes nessa edição que a gente preza tanto. Que é o dia do Elton John e o dia do Stray Kids. Porque vão ter muitas famílias”, afirmou Roberta.


Curiosamente, ela acredita que o público familiar poderá ser ainda maior no dia do grupo sul-coreano. “Eu acho que vamos ter mais famílias no Stray Kids do que no Elton John”, disse.

A comparação entre os dois artistas ajuda a explicar a estratégia. De um lado, Elton John representa uma geração que acompanhou boa parte da história da música popular e que também ajudou a construir a própria história do Rock in Rio. Do outro, Stray Kids simboliza uma nova geração de fãs que chega ao festival trazendo seus próprios hábitos de consumo musical, suas referências e, principalmente, suas famílias.

Elton John e a geração que ajudou a construir o Rock in Rio

Para Roberta, a presença de Elton John no festival vai muito além de colocar um dos maiores nomes da música mundial no Palco Mundo. É também uma espécie de reencontro com parte do público que cresceu acompanhando o Rock in Rio desde suas primeiras edições.

O Elton John é um dia feito para pessoas mais velhas”, afirmou. Mas, para ela, isso não significa olhar para essa parcela do público apenas pela idade. O festival também precisa reconhecer que envelhecer não significa abandonar aquilo que se gosta.

Eu vejo muita gente investindo para ficar mais jovens, com procedimentos estéticos, mas e a vida, e o entretenimento e o espaço para a gente continuar curtindo o que a gente gosta?”, questionou.

A reflexão combina diretamente com a proposta de um festival que, ao longo de mais de quatro décadas, também envelheceu junto com parte de seu público original. Elton John, portanto, chega ao Rock in Rio 2026 não apenas como uma atração histórica, mas como uma oportunidade para essa geração voltar à Cidade do Rock — muitas vezes acompanhada pelos filhos e até pelos netos.

Então acho que o Elton John traz essa galera que fundou o Rock in Rio com a gente e vem celebrar. E que traz família sempre também, o que é muito gostoso”, completou Roberta.


Stray Kids representa a nova geração

Se Elton John simboliza o público que ajudou a construir a história do festival, Stray Kids aponta para o futuro. A estreia do grupo no Rock in Rio coloca no centro da Cidade do Rock uma geração que descobre música de maneira diferente e que também influencia diretamente os hábitos musicais de seus familiares.

Hoje o consumo de música vem pelo jovem, que te apresenta uma música nova e ele também quer fazer parte do festival”, explicou Roberta.

É justamente aí que entra outro desafio para um festival que pretende receber diferentes gerações: oferecer uma estrutura capaz de atender às necessidades de todos esses públicos. A presença de famílias em diferentes dias exige mais do que uma programação musical diversificada. Envolve conforto, mobilidade, segurança e serviços pensados para diferentes perfis de público. Banheiros, áreas de descanso, alimentação, transporte executivo e toda a estrutura da Cidade do Rock precisam acompanhar essa diversidade.

É nesse sentido que Roberta Medina fala sobre a responsabilidade das organizações diante de um público cada vez mais amplo. “E aí cabem às organizações estarem dispostas a acolher uma estrutura a altura dessa demanda”, afirmou.

No caso do Rock in Rio, a ideia é que tanto o público que acompanha o festival desde suas primeiras edições quanto as novas gerações possam encontrar na Cidade do Rock uma experiência adequada às suas necessidades — seja para assistir a Elton John, seja para viver a estreia de Stray Kids no festival.

Bruno Eduardo

Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.

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