Antes mesmo de o Stray Kids pisar na Cidade do Rock, o Rock in Rio já deixou claro qual é seu próximo movimento estratégico: dialogar diretamente com uma nova geração de fãs. A ação especial com sessões do filme-concerto Stray Kids: The DominATE Experience, realizada em São Paulo e no Rio de Janeiro, deixou evidente que não se tratava apenas de uma prévia do show marcado para 11 de setembro. Foi, acima de tudo, a confirmação de que o festival encontrou o passo que vinha procurando há algum tempo.
Ao transformar cinemas em espaços de experiência — com brindes exclusivos, ingressos premiados e uma atmosfera de celebração coletiva — o festival deixa claro que entende como o público do K-pop consome música hoje: de forma emocional, comunitária e muito além do palco. Trata-se de um público jovem, altamente engajado e conectado, que vive seus artistas como identidade cultural, refletida em roupas, acessórios, estética e até nos cortes de cabelo.
Fenômeno global
A escolha do Stray Kids como headliner do Palco Mundo, no dia 11 de setembro, não é apenas simbólica. Trata-se da primeira atração de K-pop na história da Cidade do Rock — um passo calculado para oxigenar a audiência do festival e garantir sua relevância nas próximas décadas. O K-pop — e, por extensão, a cultura pop asiática — já não é um nicho: é um dos movimentos culturais mais influentes do planeta.
Isso acontece porque grupos como o Stray Kids, com menos de uma década de estrada, já realizam turnês em estádios e movimentam uma indústria de produtos e experiências em escala global — exatamente o tipo de fenômeno que se encaixa na proposta do Rock in Rio.
Sempre em busca das novas tendências pop
Não é nenhuma novidade histórica o Rock in Rio buscar conexões contemporâneas com o pop juvenil. Foi assim em 1991, quando o New Kids on the Block entrou no line-up como o maior representante das boybands do mundo - surpreendendo quem erroneamente achava que o festival era recanto para apresentações nostálgicas, como aconteceu em 1985. Já em 2001, a bola da vez foi o *NSYNC. A partir de 2011, a estratégia passou pelas grandes divas pop — Shakira, Beyoncé, Katy Perry e Rihanna.
As últimas edições deixaram claro que era preciso rejuvenescer tanto o line-up pop quanto o próprio público. Esse movimento ficou evidente quando o trap entrou no jogo e Travis Scott protagonizou um dos shows mais concorridos do último Rock in Rio. Agora, a abertura de portas ao K-pop surge como uma tendência natural para, pelo menos, os próximos cinco anos. A maior evidência do potencial popular que o Stray Kids traz ao line-up foi o esgotamento do Rock in Rio Card — a carga de ingressos antecipados — em apenas 56 minutos, algo que nunca aconteceu na história do festival.
Influenciando até mesmo a forma de assistir os shows
Outro ponto que fica evidente ao assistir Stray Kids: The DominATE Experience é como esse formato influencia diretamente o modelo estrutural do próprio Rock in Rio. A escolha do novo Palco Mundo, com predominância de grandes telas de LED, parece dialogar com o tipo de espetáculo apresentado pelo Stray Kids — um modelo que tem tudo para se tornar tendência nas próximas edições do festival. Não é a primeira vez que isso acontece: em 2022, o Rock in Rio incorporou as pulseiras luminosas popularizadas pelo Coldplay, tecnologia que depois foi reutilizada no The Town, em 2023.
Mais do que anunciar um show, o Rock in Rio está construindo uma ponte. Uma ponte que ele próprio pretende atravessar no futuro. Se antes o festival foi sinônimo de rock clássico, depois de pop global e grandes divas, agora assume de vez o papel de primeiro grande festival brasileiro a colocar um artista de K-pop como headliner.
A aposta no Stray Kids deixa claro que o Rock in Rio não está pensando apenas no presente, mas em quem ocupará o centro do palco nos próximos anos. A experiência de 2026, mais do que um teste, pode ser determinante para definir esse um capítulo da história do festival.



