Steven Wilson poderia apenas ter comunicado que lançaria um novo disco solo, mas preferiu fazer isso construindo um mundo para o projeto e convidou o público a se perder nele. Depois de apagar as publicações de seu Instagram e passar dias postando apenas fragmentos enigmáticos sobre um lugar chamado The Village, o músico inglês revelou o nome de seu nono álbum solo: Requiem for a Village, com lançamento marcado para 6 de novembro. O primeiro single sai nesta sexta-feira, dia 11, e a julgar pelas pistas no site do projeto, o dia 22 de setembro também pode ter alguma revelação ou novo single lançado.
A campanha é uma peça de narrativa em si. No dia 8 de setembro entrou no ar o site requiemforavillage.com, construído com a estética de um portal do fim dos anos 90. Tabelas duras, tipografia amadora e fotografias granuladas de baixa qualidade para os padrões de hoje. O conteúdo se apresenta como o site oficial do conselho paroquial de Larkstone, uma aldeia inglesa que não existe. Há avisos comunitários, registros fotográficos, eventos agendados. E há, sobretudo, a sensação persistente de que algo ali não está certo. Para quem gosta de quebra-cabeças e ARGs.
Requiem foa Village tem 12 faixas e cerca de 54 minutos. Os títulos reforçam a atmosfera pastoral e ameaçadora:
1. Swirl In a Lark's Eye
2. Requiem for a Village
3. The Same River Twice
4. Now Departing
5. Hiraeth
6. On Chapel Slope
7. Murmuration
8. Cursus Fingerprint
9. A Basket of Bees
10. Great Green Map
11. Wheel
12. The Old God Is Buried
Entre maio e junho, Steven Wilson promoveu sessões de escuta do novo álbum para uma plateia em diferentes cidades da Europa. Quem participou descreve uma paleta ampla: rock progressivo, eletrônica ambiente, acid folk e riffs de guitarra pesada convivendo no mesmo disco. O tema, aparentemente, é uma aldeia da qual não se pode sair.
Wilson construiu parte de sua reputação sobre álbuns conceituais. No Porcupine Tree, com The Incident (2009) e o retrato de mídia e alienação de Fear of a Blank Planet (2007); na carreira solo, com a história de fantasmas de The Raven That Refused to Sing (2013), os temas de solidão e isolamento em Hand. Cannot. Erase. (2015) e a escala cósmica de The Overview (2025). Requiem for a Village parece ser o capítulo em que ele se volta ao clima de terror do interior da Inglaterra.

