Bruce Dickinson anuncia nova mixagem de "Accident of Birth", disco que reacendeu sua carreira em 1997

Bruce Dickinson vai revisitar o momento em que sua carreira solo mudou de rota. O cantor anunciou nesta quinta-feira (10) uma nova mixagem de Accident of Birth, seu quarto álbum solo, lançado originalmente em 1997. O trabalho ficou nas mãos de Brendan Duffey, produtor vencedor do Grammy e colaborador de longa data, que refez o disco tanto em estéreo quanto em Dolby Atmos.

O lançamento acontece em duas datas: 17 de outubro no Reino Unido, pela BMG, integrando a programação do National Album Day, e 23 de outubro mundialmente. Serão três formatos: CD em digisleeve de três painéis, vinil duplo colorido splatter em capa gatefold, e a mixagem em Dolby Atmos disponível no Apple Music. Como aperitivo, a nova versão de "Omega" já está nas plataformas de streaming.

Para entender o peso do anúncio, é preciso voltar a 1996. Depois de Skunkworks, disco em que Bruce flertou com o rock alternativo e o grunge — som que dominava a década, mas que afastou parte de seu público —, o cantor precisava de um reposicionamento. Accident of Birth foi exatamente isso: um retorno decidido ao heavy metal, agora com produção mais moderna e agressiva, moldada pela parceria com o guitarrista e produtor Roy "Z" Ramirez. O álbum ainda trouxe Adrian Smith na guitarra — os dois, naquele momento, estavam fora do Iron Maiden. Dois anos depois, ambos voltariam ao Maiden.

"Accident of Birth foi um álbum realmente importante para mim naquele momento e acho que contém alguns dos meus melhores trabalhos", disse o cantor inglês. "Ele acendeu um fogo dentro de mim outra vez, especialmente como compositor, e foi uma grande chance de trabalhar com o Adrian de novo. Tenho muito orgulho desse disco, e essas novas mixagens soam fantásticas. Aumentem o volume e aproveitem!"

O disco já havia recebido uma remasterização em 2001, mas o trabalho de agora é de natureza diferente, já que remixar significa voltar às faixas originais e reconstruir o equilíbrio entre os instrumentos. Assim, é esperado que a diferença seja audível de imediato, não apenas um ganho de volume e clareza.

Essa remixagem não é um caso isolado. Bruce e Duffey vêm garimpando toda a discografia solo do cantor há cerca de dois anos. More Balls to Picasso, seu segundo álbum, já ganhou tratamento semelhante em julho de 2025. "Foi um verdadeiro prazer passar esse tempo revisitando meu catálogo solo ao lado do Brendan Duffey, remixando tudo para Dolby Atmos e realmente trazendo o lado sonoro do álbum completamente para o presente", explicou o cantor.

E tem disco novo na fila

Enquanto rehabilita seus antigos álbuns, Bruce não deixa de olhar para o futuro. O sucessor de The Mandrake Project (2024) já está gravado. O estúdio escolhido foi o Studio 606, em Northridge, na região de Los Angeles, propriedade de Dave Grohl.

As sessões seguiram método deliberadamente antiquado: 16 faixas em 21 dias, tocadas ao vivo, com o mínimo de intervenção tecnológica. "Como a geração anti-inteligência artificial", definiu o cantor. Além da banda que o acompanhou na turnê do The Mandrake Project — Mistheria (teclados), Dave Moreno (bateria), Tanya O'Callaghan (baixo) e os guitarristas Chris Declercq e Philip Näslund —, além do próprio Roy Z, o estúdio recebeu um desfile de convidados. Andreas Kisser, do Sepultura, gravou passagens de percussão. Derrick Green, também do Sepultura, apareceu nas sessões, e Jeff Scott Soto passou pelo estúdio enquanto Bruce finalizava os vocais. Soto disse que pode ser "um dos trabalhos mais fortes dele fora do Maiden".

A mixagem do novo álbum também é de Brendan Duffey. O lançamento deve acontecer em 2027.

Lucas Scaliza

Jornalista, músico sem banda e estrategista de marca. Não abre mão de acompanhar os sons do agora. Joga tarô e já foi host de podcast.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem
Banner-Mundo-livre-SA