Nothing But Thieves resgata suas raízes rocker com o lançamento de 'Stray Dogs'


Após explorar sintetizadores, uma estética pop futurista e o conceito denso do disco anterior, Dead Club City, de 2023, o quinteto britânico de rock alternativo Nothing But Thieves está de volta ao essencial. Lançado nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, via RCA/Sony Music, seu quinto álbum de estúdio, Stray Dogs, marca um reencontro direto com a essência e o som visceral que consagraram a banda no cenário mundial.

Para registrar o novo trabalho, Conor Mason (vocal), Joe Langridge-Brown (guitarra), Dominic Craik (guitarra e produção), Philip Blake (baixo) e James Price (bateria) tomaram uma decisão estratégica: retornaram ao Angelic Studios, o mesmo local isolado no interior da Inglaterra onde gravaram seu álbum de estreia, Nothing But Thieves.

O resultado é uma sonoridade puramente focada na dinâmica orgânica de cinco músicos tocando juntos na mesma sala, recheada de guitarras pesadas, distorções, influências de grunge e indie rock, além de seções rítmicas pulsantes.


Nas letras, compostas por Mason e Langridge-Brown, o grupo mergulha em temas contemporâneos como alienação urbana, a busca constante por pertencimento e o refúgio em pequenas comunidades diante da volatilidade e do isolamento do mundo digital.

Para pavimentar o caminho até o lançamento do disco, a banda desenhou uma estratégia promocional contínua ao longo de 2026, revelando a evolução da nova sonoridade em três momentos-chave da divulgação.


“Evolution”

O primeiro single oficial deu as boas-vindas à nova era. Funcionando como um hino de alt-rock contagiante, a faixa anunciou de imediato o retorno das guitarras pesadas e da energia de arena, aparecendo justamente na primavera, em meio ao calendário dos festivais europeus.


O grupo marcou presença no Southside Festival, na Alemanha, no OpenAir St. Gallen, na Suíça, no Rock For People, na República Tcheca, e em uma apresentação para mais de 60 mil pessoas ao lado do Biffy Clyro, no Finsbury Park, em Londres.

A faixa-título, “Stray Dogs”, chegou no auge da temporada de festivais de verão na Europa. Com riffs intensos e ousados que flertam com influências de Muse, Queens of the Stone Age e Smashing Pumpkins, a música estabeleceu, em julho, o tom lírico do projeto.

Já “Baby Kool” foi lançada poucas semanas antes da chegada do álbum completo. O terceiro single acelerou a expectativa do público com uma dinâmica marcante de tensão e explosão sonora, sendo apontado de imediato como um dos grandes momentos do disco.

Para coroar o lançamento, o Nothing But Thieves deu início à sua nova turnê mundial em 2026. A programação começou com uma série de shows íntimos e sessões de autógrafos em clubes do Reino Unido e da Europa para celebrar o álbum ao lado dos fãs mais leais, preparando o terreno para uma mega turnê de arenas programada para percorrer o Reino Unido, a Europa e a América do Norte.

A recepção a Stray Dogs tem sido amplamente positiva. Publicações especializadas destacaram a decisão de despir o grupo dos excessos eletrônicos para focar na energia crua do estúdio. Veículos como a Hot Press, que deu nota 7/10, e a Taped Magazine descreveram o trabalho como uma “reinvenção vibrante”, elogiando também o trabalho do próprio guitarrista Dominic Craik na produção.


Outro ponto alto das resenhas é a performance de Conor Mason, que transita sem esforço entre agudos operísticos e vocais agressivos e rasgados em faixas mais pesadas, como “American Confidence”. O consenso geral é que Stray Dogs foi construído sob medida para o palco, prometendo momentos catárticos ao vivo.

A transição entre os álbuns Dead Club City e o aquecimento para Stray Dogs foi marcada pela presença da banda em um dos maiores palcos do planeta, em 2025. O grupo expandiu suas fronteiras com uma passagem marcante pelo Lollapalooza Índia, em Mumbai. Já a turnê de 2026 passou pelo México, no festival Tecate Pa’l Norte.

Histórico no Brasil: apagão de improviso no Rio e consagração no Lollapalooza

Até o momento, a trajetória do Nothing But Thieves no Brasil resume-se a duas passagens marcantes e históricas.

Primeira visita — agosto de 2018

A estreia no país teve um apagão na Lapa e uma resposta imprevista que acabou sendo especial.

Em sua primeira passagem pelo Brasil, o grupo agendou shows solo em locais intimistas.

No dia 30 de agosto de 2018, a banda deveria se apresentar no Teatro Odisseia, no Rio de Janeiro. No entanto, um grave problema elétrico impediu a realização do show completo. A estrutura da casa não suportou a carga exigida pelos equipamentos, resultando em um apagão geral no palco — com relatos de que membros da equipe técnica chegaram a sofrer pequenos choques elétricos ao tentar solucionar o problema.

Demonstrando enorme respeito pelos fãs presentes, Conor Mason e o guitarrista Dominic Craik contornaram o incidente de forma inesquecível: realizaram um pocket show acústico e completamente desplugado no escuro, no meio do público, seguido por um meet & greet de última hora para tirar fotos e interagir com todos que estavam na casa.

Na mesma viagem, a banda realizou seu show completo em São Paulo.

Segunda visita — março de 2024
A estreia no Lollapalooza Brasil

A banda retornou ao país anos depois para sua única participação até hoje no Lollapalooza Brasil, sem incluir datas no Rio de Janeiro naquela ocasião.

No domingo, 24 de março de 2024, o quinteto subiu ao Palco Budweiser do Autódromo de Interlagos, em São Paulo, apresentando a turnê do álbum Dead Club City. O show foi aclamado pela crítica e pelo público, destacando a potência vocal irretocável de Conor Mason e a energia pesada e contagiante que o grupo entregou ao vivo.


Histórico e evolução da banda

Formado em Southend-on-Sea, no condado de Essex, em 2012, o Nothing But Thieves construiu uma trajetória ascendente no rock alternativo global. O diferencial do grupo sempre esteve no alcance vocal operístico e versátil do vocalista Conor Mason, perfeitamente alinhado aos riffs elaborados de guitarra e aos refrãos feitos para grandes arenas.

O sucesso estourou logo no disco de estreia, Nothing But Thieves (2015), puxado por hits absolutos como “Trip Switch” e “Amsterdam”. A maturidade musical consolidou-se em álbuns posteriores: o aclamado e denso Broken Machine (2017), o reflexivo Moral Panic (2020) — gravado durante a pandemia — e a virada estética e synth-pop de Dead Club City (2023), que garantiu ao grupo o topo das paradas britânicas.

Stray Dogs surge agora como a síntese perfeita de mais de uma década de estrada.

O quinteto mantém uma média sólida de 3,8 milhões de ouvintes mensais na plataforma Spotify, impulsionado por um catálogo recheado de hits do rock moderno.

O grande campeão do canal oficial da banda no YouTube continua sendo o videoclipe de “Amsterdam”, que já ultrapassa a impressionante marca de 34 milhões de visualizações, seguido de perto pelos vídeos de “Sorry” e “Impossible”.

A relevância do Nothing But Thieves no ecossistema digital reflete a força de sua base global de fãs. O álbum Stray Dogs chega em um momento crucial de ascensão do nome Nothing But Thieves no mercado internacional, onde pode furar a bolha pop a qualquer momento e começar a subir nos cartazes dos grandes festivais globais.

Loquillo Panamá

Nômade agregador de ritmos musicais e fanático por shows. Está sempre correndo atrás de novidades para multiplicar e informar os amantes de boa música.

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