O Rock in Rio fez justiça à própria história ao colocar o Roupa Nova depois de 35 anos em seu palco. Afinal, a banda tem uma relação especial com o festival: foi responsável por gravar a música-tema do Rock in Rio, tornando sua presença na Cidade do Rock ainda mais simbólica. E o show ganhou um significado ainda maior com a participação de Guilherme Arantes, outro nome fundamental da música brasileira que nunca havia tocado no festival. Foi, portanto, uma noite de estreia e de justiças sendo feitas.
Foi impressionante ver um Palco Sunset abarrotado, com o público ocupando todos os espaços possíveis para acompanhar uma banda que, apesar de só voltar ao Rock in Rio agora (ele estiveram no Maracanã em 1991), já faz parte da história do festival e da música brasileira desde o início.
O Roupa Nova abriu a apresentação no Palco Sunset com “Sapato Velho”, seguida por “Linda Demais”, duas músicas que imediatamente colocaram o público para cantar. O repertório ainda passou por “Dona”, de Sá & Guarabyra, “Chama”, “A Viagem”, “Maria, Maria”, de Milton Nascimento, e “Meu Universo é Você”.
"Vamos tocar algumas trilhas que gostamos muito", anunciaram. É claro que não poderia faltar o tema do festival, num medley, que incluiu ainda o “Tema da Vitória”, prestando uma emocionante homenagem a Ayrton Senna - com imagens do piloto sendo exibidas no telão, relembrando suas conquistas e criando uma conexão imediata com a memória afetiva do público. Ainda mais tratando-se de uma plateia composta por pessoas que viveram a época em que o piloto brasileiro era herói nacional.
Depois de “A Força do Amor”, veio uma das grandes surpresas da noite: a entrada de Guilherme Arantes. O cantor se juntou ao Roupa Nova para uma sequência que fez o Sunset praticamente virar um grande karaokê. “Cheia de Charme” foi recebida em coro pelo público, com gente de todas as idades cantando e dançando. A emoção continuou com “Lindo Balão Azul”, outro clássico de Guilherme Arantes. Era bonito observar no mesmo espaço diferentes gerações compartilhando aquelas canções. Pais, filhos e até avós cantavam juntos, mostrando que determinadas músicas simplesmente não envelhecem.
Para completar a participação de Guilherme, uma versão em português de “Heal the World”, de Michael Jackson, chamada "A Paz". De volta ao repertório do Roupa Nova, “Volta Pra Mim” e “Coração Pirata” mantiveram o público cantando em alto e bom som. E, para fechar a apresentação, não poderia faltar “Whisky a Go Go”, levando a Cidade do Rock a uma grande festa.
O único ponto que deixou a desejar foi o som no começo da apresentação. Em alguns momentos, pareceu um pouco baixo, mas foi ganhando força ao longo do show e chegou ao final muito mais consistente.
Numa apresentação emocionante, Roupa Nova e Guilherme Arantes proporcionaram, juntos, um daqueles shows que mostram que o Rock in Rio também acerta quando decide celebrar os artistas e as músicas que ajudaram a construir a memória afetiva de várias gerações. Por essa mistura de gerações na plateia, esse não deixa de ser um show inclusivo, e que acima de tudo, faz justiça à história da música brasileira e do próprio Rock in Rio.





