De volta ao Rock in Rio, Barão Vermelho faz Cidade do Rock cantar alto

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

No primeiro dia de ingressos oficialmente esgotados do Rock in Rio, coube ao Barão Vermelho fazer o rock cantar alto no Palco Mundo. Isso porque, depois deles, artistas do segmento pop, como Black Eyed Peas e Calvin Harris, eram as principais estrelas da noite. Essa também era a primeira vez que a banda retornava ao Rock in Rio. O grupo que saiu consagrado da primeira edição, em 1985, só que nunca mais voltou. Foram até convidados em 1991, na segunda edição, mas, em cima da hora, deram o lugar para o Hanoi Hanoi.

Com muita pressão, um som ótimo e usando os telões como poucos artistas conseguiram nesse novo Palco Mundo — mesmo com alguns apagões parciais —, o Barão mostrou que não deve nada a muitos dos gringos que estão nesse line-up. É uma banda gigante na história do rock nacional e que possui um dos repertórios mais respeitáveis de que se tem notícia. Quem assistiu ao grupo nessa turnê Encontro, que traz de volta Roberto Frejat e Dé Palmeira, viu a mesma qualidade sonora, só que em um setlist mais enxuto, preparado para grandes festivais — o que só amplificou o poder de fogo da banda.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

A abertura com “Maior Abandonado” foi o convite para que uma multidão de pessoas com capas de chuva começasse uma procissão em direção ao Palco Mundo. A sequência com “Bete Balanço” e “Pense Dance” só mostrava o quão inacreditável é a coleção de hinos do grupo, que reúne, bota para dançar e cantar qualquer geração. Foi fantástico ver Frejat, Dé, Goffi e Maurício convidando Fernando Magalhães para esse encontro. O cara é uma peça importante para a longevidade da banda, além de ser um excelente guitarrista.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

Além das inclusões óbvias de “O Tempo Não Para”, “Por Você” e “Puro Êxtase”, o Barão também apresentou “Tão Longe de Tudo”, da fase sem Cazuza, lançada em 1990, e que muita gente perdida na Cidade do Rock parecia não saber cantar. Em contrapartida, alguns hits ficaram de fora, como “O Poeta Está Vivo”, “Pedra, Flor e Espinho” e, da fase mais recente — nem tão assim —, “Cuidado”.

Uma coisa legal em ver um setlist mais enxuto é o fato de encontrar músicas quase que exclusivamente de autoria da banda, ou com parcerias com Cazuza — que foi homenageado no telão.

No final, “Pro Dia Nascer Feliz” colocou a Cidade do Rock inteira para cantar debaixo de uma chuva teimosa, em um show que comprovou uma obviedade: o Barão Vermelho é uma das maiores instituições do rock brasileiro.

Bruno Eduardo

Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.

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