Criolo, Amaro e Dino fazem história no Rock in Rio

Foto: Tarcísio Chagas / Rock On Board


Todo show do Criolo é um aprendizado - para quem quer, obviamente - e aposto que não será diferente ao lado de Amaro e Dino. É impressionante o carisma do rapper, se é que nesse momento da carreira ele pode ser chamado assim. Criolo assume o protagonismo, mas sempre dando espaço aos parceiros, vide o extensivo solo de teclados de Amaro em “Menina do Coco de Carité”.

Depois de um pedaço de “Sebastiana” de Luiz Gonzaga, “Seka”, um hino da música cabo-verdiana só cantada por mulheres, foi feita uma exceção para Dino interpretá-la de forma muito pessoal. Lembra quando falei que o Criolo dava espaço para seus parceiros? Então…

Um dos momentos mais intensos, foi quando a banda mandava um jazz impecável cheio de convenções insanas. Foi memorável e a plateia respondeu com muito entusiasmo e palmas, merecidas por sinal.


O sorriso estampado no rosto do Criolo dizia muito do que ele estava sentindo. “Mama Áfrika” trouxe uma batida acelerada quase dance com influência do afrobeat e jazz em mais um show à parte de Amaro no piano. Mais cool do que isso, eu não posso imaginar.

Outra com o pé no jazz, “Ela É Foda”, foi muito bem recebida, com diversas nuances bem feitas, o que fez com que o povo não parasse de dançar. Como se pudéssemos evitar e com direito à plateia cantando o refrão espontaneamente no final da música e que depois teve um incentivo da dupla de vocalistas. Ah, falei que teve mais um show de teclados do Amaro?

Somente com Amaro ao piano, Criolo cantou a maravilhosa “Pérola Negra”, canção de Luiz Melodia, o saudoso poeta da Estácio e foi interpelado por Dino que mandou “Oceano” do mestre supremo Djavan. Lindo demais, ainda mais com a breve entrada de toda a banda em um crescendo espetacular.

Criolo então resolveu tirar mais um coelho da cartola e cantou seu maior sucesso solo: é claro que estou falando de “Não Existe Amor Em SP”. Covardia, muita covardia. Incrível ver a maioria da plateia cantando a letra toda sob um arranjo jazzista impecável.

Mais uma solo do Criolo veio com “subirusdoistiuzin” com direito a uma citação por meio de Dino da clássica canção de Bill Weathers “Ain’t No Sunshine”. O lado de rapper de Criolo voltou a todo vapor com “Amazônia”, pontuada por interrupção abrupta para Amaro apresentar toda a banda e finalizaram o show com uma homenagem ao MARAVILHOSO Milton Nascimento com “Anoitecer”,  que finalizou de forma emocionante um dos melhores shows do festival. Histórico e inesquecível!

Tarcísio Chagas

O sequestro aconteceu nos anos 80, sem aviso prévio. A vítima? Tarcísio Chagas. O álibi? Um tal de "As Aventuras Da Blitz". O crime perfeito. Mas foi só em 1984, com a compra do disco "Animalize" do KISS, que veio o batismo de fogo — e aí já era: alma entregue ao Rock para sempre. Hoje, Tarcísio transita com naturalidade entre a fúria do Hard Rock, a pegada do Metal, a alma do Soul e a levada do Reggae. Já teve suas palavras espalhadas por terrenos sagrados como Confere Rock, o site do Igor Miranda e Rock Vibrations — e por onde passa, deixa riffs e memórias.

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