Capital Inicial encara o maior show da carreira e Dinho responde à altura

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

Para Dinho Ouro Preto, Legião Urbana é a banda de rock (junto com Sepultura) mais importante do Brasil. E a noite era para celebrar a obra de Renato Russo e de Dado Villa-Lobos, que dividiu o palco com o Capital Inicial. "Desde a primeira vez que eu vi o Renato, minha vida mudou", disse Dinho sobre o amigo de longa data ao Rock On Board minutos antes de entrarem ao palco.

Capital Inicial e Legião, como forças somadas, seriam o bastante para fechar o Palco Sunset, ficando apenas atrás do Foo Fighters? Esse era o desafio da banda. E o show veio com energia e uma boa pressão sonora. Na frente de Dinho e dos outros rapazes se avolumou um mar de gente tornando este em um dos maiores shows que a banda já fez.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

Em "Independência" ficou clara a entrega da banda, e especialmente de Dinho. A vibração dele era genuína. Nessa altura da carreira, era como se estivesse fazendo o show da sua vida (e talvez estivesse mesmo).

Duas músicas depois, Dado Villa-Lobos subiu ao palco com sua Telecaster e a homenagem a Renato e Legião começou com "Será" e seguiu com "Geração Coca-Cola". No palco, três guitarras e um vocalista inspirado. Na plateia, o mar de pessoas cantava cada verso. Afinal, não tinha para onde correr. Era clássico atrás de clássico. Fosse Capital, Legião ou Aborto Elétrico, o repertório era amplamente conhecido por todo mundo na Cidade do Rock.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

O carisma de Dinho atingiu alguns picos. Quando chegou a hora de "Primeiros Erros", o cantor já engatou logo de cara uma oitava acima e deixou a plateia continuar. No final, novamente fez com que todo mundo cantasse por ele, criando uma das cenas mais memoráveis da história recente do Capital. Ao final de "Quase Sem Querer" ele vibrou, orgulhoso do que estava fazendo com o grupo. Ele estava feliz vivendo o momento e se esforçando para que o momento fosse vivido por todo mundo. Definitivamente não foi um show comum.

As letras de algumas músicas trouxeram uma gravidade bem-vinda à apresentação. Músicas como "Tempo Perdido", "Fátima" e "Veraneio Vascaína" pesam por suas letras. Todas feitas tantas décadas atrás, mas ali no show, e conhecendo o estado atual do mundo e das questões que discutimos, essas músicas não foram apenas um canal para a nostalgia. Elas ainda são presentes em seus significados e nas imagens que evocam. "Que País é Este", sempre ela, não escapou. Foi dedicada aos políticos, aos Ministros do STF e ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

Em 35 anos de festival, o Capital Inicial já se apresentou 10 vezes no Rock in Rio. Mas dessa vez foi uma banda brasileira como headliner do Palco Sunset. Dinho, Dado e banda não fingiram costume. Por mais que o repertório não tivesse novidades e nem riscos, foi uma apresentação à altura da aposta, do dia e do horário nobre em que tocaram.

Lucas Scaliza

Jornalista, músico sem banda e estrategista de marca. Não abre mão de acompanhar os sons do agora. Joga tarô e já foi host de podcast.

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