| Foto: Adriana Vieira / Rock On Board |
Logo após o término da apresentação arrebatadora do The Hives, a missão de manter o Palco Mundo em ebulição ficou nas mãos do Rise Against. A banda norte-americana de punk rock e hardcore melódico encarou um dos horários mais nobres da programação da Cidade do Rock, mas encontrou um cenário complexo pela frente.
Tratava-se de um momento simbólico para o quarteto de Chicago. Assim como seus antecessores no palco, era a primeira vez do grupo pisando no Rock in Rio, um objetivo de carreira celebrado abertamente diante da multidão.
A emoção dos integrantes em integrar a história do festival ficou evidente nas palavras do vocalista e guitarrista Tim McIlrath. Visivelmente tocado pela oportunidade, ele aproveitou os intervalos para relembrar a magnitude do evento, citando nominalmente a histórica apresentação do Iron Maiden na edição de 2001, gravada e eternizada em DVD, que marcou a formação de muitos apreciadores de som pesado pelo mundo.
Musicalmente, o que o público presenciou foi um show típico de hardcore tradicional. Sem concessões a modismos, o quarteto apostou em um repertório acelerado, calcado em riffs retos, acordes rápidos, linhas de baixo bem marcadas e letras carregadas de crítica social e posicionamento político.
| Foto: Adriana Vieira / Rock On Board |
A sobriedade visual ditou a tônica da montagem de palco. O Rise Against abriu mão de pirotecnias, painéis cinematográficos com efeitos mirabolantes ou qualquer outro artifício cênico grandioso; tudo se resumia aos quatro músicos com seus instrumentos plugados e um jogo de luzes básico compondo o fundo.
A postura no tablado também foi de pouca expansão física. Com exceção de um momento específico em que Tim McIlrath desceu até a área próxima à grade para cantar mais perto da primeira fileira, o restante da performance viu os integrantes praticamente fixos em seus postos, concentrados apenas na execução das faixas.
Essa estática gerou um efeito direto na recepção da plateia, que se manteve morna durante boa parte do set. Ao contrário do tumulto generalizado visto momentos antes, a reação dominante foi de observação respeitosa, com pouca adesão das laterais e dos setores mais distantes do palco.
Não há como desconsiderar o contexto de transição da noite. Pegar o bastão imediatamente após a tempestade de carisma e hiperatividade deixada pelo The Hives foi uma tarefa ingrata; sustentar aquele nível de adrenalina em um público tão amplo exigiria um apelo visual e cênico que não faz parte do DNA do Rise Against.
O quadro só começou a esquentar de verdade na reta final da apresentação. Quando o grupo engatou hinos obrigatórios de sua discografia, como as clássicas "Prayer of the Refugee" e a apoteótica "Savior", os fãs mais fiéis responderam à altura, cantando os refrães a plenos pulmões.
Foi nesse trecho derradeiro que o clima de festival underground ganhou força visual na Cidade do Rock. Fãs acenderam sinalizadores no meio da pista, desenhando colunas de fumaça vermelha contra a noite carioca e puxando rodas de mosh mais expressivas para fechar a participação da banda.
| Foto: Adriana Vieira / Rock On Board |
O saldo final revelou uma apresentação correta e competente para os iniciados no gênero. Quem compareceu ao festival procurando o peso autêntico e a crueza do hardcore encontrou uma entrega técnica consistente e honesta.
Por outro lado, o grupo não conseguiu criar uma ponte forte com o público geral, que em sua maioria apenas aguardava a chegada do Foo Fighters. Para a massa que não acompanhava de perto a trajetória do Rise Against, a passagem pelo Palco Mundo soou protocolar e distante, contrastando com o dinamismo do início da noite.
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