Em set enxuto, Winger reforça seu lugar entre os gigantes do Hair Metal

Foto: Carol Goldenberg / Rock On Board

Depois de quase quatro décadas de estrada, o Winger segue rodando o mundo com a promessa de uma despedida — “suposta”, como sempre convém nesse universo. Afinal, a história do rock está cheia de aposentadorias que duraram pouco.

No Bangers Open Air, a banda entrou no palco ao som da recente “Stick a Knife and Twist”, já apresentando uma mudança importante: Howie Simon assumindo o posto de John Roth. O início, no entanto, foi prejudicado por um volume abaixo do esperado, que tirou parte do impacto inicial.

Mas bastaram poucos minutos para o jogo virar.

Clássicos e virtuosismo em estado puro

Foto: Carol Goldenberg / Rock On Board

“Seventeen” colocou tudo nos trilhos com sua energia característica — e também com uma letra que certamente seria alvo de debates nos dias atuais. No centro de tudo, Reb Beach simplesmente roubava a cena. Seu solo foi daqueles que lembram por que ele é, sem exagero, um dos grandes nomes da guitarra dos anos 80.

Mesmo com ajustes no som ainda em andamento, “Can’t Get Enuff” trouxe o groove necessário para conquistar de vez o público, enquanto “Down Incognito”, do injustiçado álbum Pull (1993), mostrou um lado mais sofisticado da banda — com direito a Reb também brilhando na gaita.

Um detalhe curioso e até divertido foi ver Kip Winger e Reb trocando ideias no meio das músicas, como se estivessem ensaiando, mesmo executando bases complexas com naturalidade absurda.

Foto: Carol Goldenberg / Rock On Board

“Miles Away”, clássico eternizado até em campanhas publicitárias, foi cantada em coro — mas o grande destaque veio logo depois. A progressiva “Rainbow in the Rose” elevou o nível da apresentação, com uma performance impecável do grupo, especialmente do lendário baterista Rod Morgenstein, que, mesmo septuagenário, mostrou energia e técnica impressionantes.

O momento “guitar hero” de Reb Beach era inevitável — e foi simplesmente absurdo. Fica cada vez mais difícil entender como seu nome ainda não é unanimidade no panteão dos maiores guitarristas da história.

“Time to Surrender” trouxe outro destaque técnico, dessa vez com Paul Taylor mostrando toda sua versatilidade. Aliás, se há algo que define o Winger, é a ausência total de pontos fracos: todos os integrantes entregam em alto nível.

Após um breve solo de bateria, “Headed for a Heartbreak” emocionou. O final cheio de variações rítmicas segue sendo um dos momentos mais sofisticados do hard rock ao vivo.

Um adeus… ou até logo?

Foto: Carol Goldenberg / Rock On Board

O encerramento com “Easy Come Easy Go” e “Madalaine” foi arrebatador, deixando evidente a satisfação do público. Sorrisos, cantoria e aquela sensação clássica de “queremos mais”.

Se isso realmente for uma despedida, o Winger saiu por cima, reafirmando seu legado com classe e competência.

Mas, sendo rock… ninguém duvida que esse “adeus” ainda pode virar só um “até breve”.

Tarcísio Chagas

Foi iniciado na música no meio da Soul Music, Rock Br e se perdeu de vez quando comprou o disco "Animalize" do KISS em novembro de 1984. Farofeiro raiz, mas curtidor de quase todos os estilos musicais, Tio Tatá já foi há mais de 1000 shows em 40 anos de pista. Já escreveu para o Metal Na Lata, Confere Rock, Igor Miranda site, Rock Vibrations e eventualmente colabora com o canal Tomar Uma no YouTube.

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