“Vocês estão prontos para a sessão de descarrego?”
A pergunta de Caio MacBeserra não foi retórica — foi praticamente um aviso. Sob um sol impiedoso, amenizado apenas por um vento tímido, o Project46 subiu ao palco disposto a entregar um dos shows mais intensos do dia no Bangers Open Air.
Agora como quarteto, a banda mostrou que peso não depende de quantidade. Vini Castelari, sozinho nas guitarras, segurou a bronca com autoridade, enquanto o som manteve-se denso, agressivo e preciso. A ausência de uma segunda guitarra, longe de ser um problema, abriu espaço para Bafo Netto brilhar ainda mais no baixo, conduzindo as linhas com destaque e personalidade.
Logo nos primeiros minutos, “Violência Gratuita” tratou de instaurar o caos: breakdowns pesados, roda formada e o público completamente entregue. Era o tipo de energia que define o metal moderno ao vivo — direto, físico e sem concessões.
Com “Erro+55”, a banda trouxe um dos momentos mais relevantes do show. Entre imagens da realidade brasileira no telão e uma letra incisiva, o Project46 reforçou que sua proposta vai além do peso sonoro: há discurso, há urgência, há conexão com o que acontece fora do palco.
“Pode Pá” manteve a tradição com o clássico pedido para o público agachar antes da explosão — um ritual já conhecido nos shows da banda e que, como sempre, funcionou perfeitamente para elevar ainda mais a resposta da plateia.
Mas foi em “Foda-se” que tudo atingiu o ápice. Um wall of death se formou em meio ao calor escaldante, transformando a frente do palco em uma verdadeira zona de impacto. Por alguns minutos, o festival virou uma extensão do inferno — exatamente como o Project46 gosta.
Mesmo com o uso pontual de bases pré-gravadas, a intensidade nunca caiu. Pelo contrário: o quarteto mostrou maturidade, controle e uma capacidade impressionante de manter o público na palma da mão do início ao fim.
No fim das contas, o Project46 não apenas tocou. Eles conduziram um ritual coletivo — pesado, suado e absolutamente catártico.
