Project46 transforma o calor em combustível e incendeia o Bangers Open Air

Foto: Tarcísio Chagas / Rock On Board

“Vocês estão prontos para a sessão de descarrego?”

A pergunta de Caio MacBeserra não foi retórica — foi praticamente um aviso. Sob um sol impiedoso, amenizado apenas por um vento tímido, o Project46 subiu ao palco disposto a entregar um dos shows mais intensos do dia no Bangers Open Air.

Agora como quarteto, a banda mostrou que peso não depende de quantidade. Vini Castelari, sozinho nas guitarras, segurou a bronca com autoridade, enquanto o som manteve-se denso, agressivo e preciso. A ausência de uma segunda guitarra, longe de ser um problema, abriu espaço para Bafo Netto brilhar ainda mais no baixo, conduzindo as linhas com destaque e personalidade.


Logo nos primeiros minutos, “Violência Gratuita” tratou de instaurar o caos: breakdowns pesados, roda formada e o público completamente entregue. Era o tipo de energia que define o metal moderno ao vivo — direto, físico e sem concessões.

Com “Erro+55”, a banda trouxe um dos momentos mais relevantes do show. Entre imagens da realidade brasileira no telão e uma letra incisiva, o Project46 reforçou que sua proposta vai além do peso sonoro: há discurso, há urgência, há conexão com o que acontece fora do palco.

“Pode Pá” manteve a tradição com o clássico pedido para o público agachar antes da explosão — um ritual já conhecido nos shows da banda e que, como sempre, funcionou perfeitamente para elevar ainda mais a resposta da plateia.


Mas foi em “Foda-se” que tudo atingiu o ápice. Um wall of death se formou em meio ao calor escaldante, transformando a frente do palco em uma verdadeira zona de impacto. Por alguns minutos, o festival virou uma extensão do inferno — exatamente como o Project46 gosta.

Mesmo com o uso pontual de bases pré-gravadas, a intensidade nunca caiu. Pelo contrário: o quarteto mostrou maturidade, controle e uma capacidade impressionante de manter o público na palma da mão do início ao fim.

No fim das contas, o Project46 não apenas tocou. Eles conduziram um ritual coletivo — pesado, suado e absolutamente catártico.

Tarcísio Chagas

Foi iniciado na música no meio da Soul Music, Rock Br e se perdeu de vez quando comprou o disco "Animalize" do KISS em novembro de 1984. Farofeiro raiz, mas curtidor de quase todos os estilos musicais, Tio Tatá já foi há mais de 1000 shows em 40 anos de pista. Já escreveu para o Metal Na Lata, Confere Rock, Igor Miranda site, Rock Vibrations e eventualmente colabora com o canal Tomar Uma no YouTube.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem
Banner-Mundo-livre-SA