A dupla formada por Adrian Smith e Richie Kotzen finalmente desembarcou no Brasil — e provou ao vivo que o improvável pode soar absolutamente natural.
No Bangers Open Air, a estreia veio cercada de expectativa. Afinal, não é todo dia que um integrante do Iron Maiden se junta a um virtuoso com alma soul/blues para criar algo tão fora da curva.
A introdução mecânica de “Life Unchained” abriu caminho para um show que rapidamente mostrou sua força. “Black Light” já deixou claro o DNA híbrido do projeto: groove, peso e vozes que se complementam perfeitamente.
Smith trouxe um timbre mais blueseiro, enquanto Kotzen manteve sua identidade mais soul — e o contraste funciona melhor ao vivo do que em estúdio.
Aliás, um detalhe que chamou atenção: Adrian parecia genuinamente feliz. Solto, comunicativo, sorridente — algo que nem sempre se vê em seus outros palcos. Em “Wraith”, isso ficou ainda mais evidente.
Peso, groove e músicos brasileiros roubando a cena
“Blindsided” trouxe peso antes de “Taking My Chances” levantar o público com um refrão imediato. E aqui entra um dos grandes diferenciais do show: a cozinha brasileira.
Julia Lage adicionou personalidade às linhas de baixo, enquanto Bruno Valverde, conhecido pelo trabalho com o Angra, trouxe precisão e energia de sobra. Não era só acompanhamento — era identidade sendo construída ao vivo.
Foto: Tarcísio Chagas / Rock On Board
“Darkside” reforçou o peso emocional da dupla, enquanto “Got a Hold on Me” terminou com os dois avançando pela passarela para um duelo de guitarras simplesmente insano.
E aqui fica claro: o projeto vai muito além do virtuosismo. Existe música, dinâmica e, principalmente, diversão real no palco.
“White Noise” ganhou ainda mais força ao vivo, enquanto “Scars” mergulhou de vez no southern rock, com riffs e solos que dialogavam o tempo todo.
Catarse final com Iron Maiden
“Running” trouxe o momento histórico da primeira composição da dupla, mas o ápice ainda estava por vir.
Quando os primeiros acordes de “Wasted Years” ecoaram — clássico do Iron Maiden — a reação foi imediata: catarse coletiva.
Ouvir a música na voz do próprio compositor é daquelas experiências que justificam qualquer festival.
O show de Smith/Kotzen foi mais do que uma curiosidade de estúdio levada ao palco. Foi uma prova de que dois músicos consagrados ainda podem soar frescos, espontâneos e absolutamente conectados.
Um dos grandes momentos do último dia de festival — e, sem exagero, um dos melhores shows do Bangers Open Air.
