Crypta transforma hype em realidade com show intenso no Bangers Open Air

Foto: Carol Goldenberg / Rock On Board

Com mudanças recentes na formação, a Crypta chega ao Bangers com grande moral. Na verdade, a banda já vem chamando atenção dentro e fora do Brasil. Mas palco de festival é outro jogo. É prova de fogo. Se alguém tinha alguma dúvida que Fernanda Lira e suas asseclas justificariam todo hype criado em cima delas, a resposta veio rápida — e em volume máximo.

O que se viu no Bangers Open Air 2026 foi uma banda não apenas preparada, mas dominante.

Agora oficialmente como quarteto, com a guitarrista Victoria Villareal integrada de vez, a Crypta entregou uma performance de intensidade absurda. O motor da banda é inegável: Luana Dametto e Fernanda Lira comandam o caos com precisão cirúrgica. Lira, em especial, alia técnica e carisma de forma rara no metal extremo.


O repertório evidenciou uma banda que vai além dos rótulos. O death metal com nuances de thrash atingiu um de seus pontos altos em “The Outsider”, destaque do Shades of Sorrow. Mas limitar a Crypta a isso seria simplificar demais — faixas como “Stronghold” mostram uma amplitude maior de composição.

Se ainda restava dúvida sobre a capacidade criativa do grupo, “Dark Clouds” tratou de encerrar qualquer discussão: brutal, densa, épica e melódica, uma verdadeira sinfonia de destruição.

“Vocês ainda têm fôlego para uma rápida? Starvation!!!” — provocou Lira. E o que veio em seguida foi uma descarga de violência sonora. “Starvation” é intensa do início ao fim, com destaque absoluto para o desempenho físico impressionante de Dametto.


Sem dar espaço para respiro, “Lord of Ruins” manteve o nível lá em cima, com Tainá Bergamaschi e Villareal brilhando nas guitarras. O encerramento ficou por conta de “From The Ashes”, a mais conhecida do repertório, executada após pedidos insistentes e com participação massiva do público.

No fim, o veredito é claro: a Crypta não só sustentou o hype — ela o superou. Um show irretocável, técnico e envolvente, que convenceu até os mais céticos e reafirmou o nome da banda como uma das forças mais relevantes do metal extremo atual.

Tarcísio Chagas

Foi iniciado na música no meio da Soul Music, Rock Br e se perdeu de vez quando comprou o disco "Animalize" do KISS em novembro de 1984. Farofeiro raiz, mas curtidor de quase todos os estilos musicais, Tio Tatá já foi há mais de 1000 shows em 40 anos de pista. Já escreveu para o Metal Na Lata, Confere Rock, Igor Miranda site, Rock Vibrations e eventualmente colabora com o canal Tomar Uma no YouTube.

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