Com mudanças recentes na formação, a Crypta chega ao Bangers com grande moral. Na verdade, a banda já vem chamando atenção dentro e fora do Brasil. Mas palco de festival é outro jogo. É prova de fogo. Se alguém tinha alguma dúvida que Fernanda Lira e suas asseclas justificariam todo hype criado em cima delas, a resposta veio rápida — e em volume máximo.
O que se viu no Bangers Open Air 2026 foi uma banda não apenas preparada, mas dominante.
Agora oficialmente como quarteto, com a guitarrista Victoria Villareal integrada de vez, a Crypta entregou uma performance de intensidade absurda. O motor da banda é inegável: Luana Dametto e Fernanda Lira comandam o caos com precisão cirúrgica. Lira, em especial, alia técnica e carisma de forma rara no metal extremo.
O repertório evidenciou uma banda que vai além dos rótulos. O death metal com nuances de thrash atingiu um de seus pontos altos em “The Outsider”, destaque do Shades of Sorrow. Mas limitar a Crypta a isso seria simplificar demais — faixas como “Stronghold” mostram uma amplitude maior de composição.
Se ainda restava dúvida sobre a capacidade criativa do grupo, “Dark Clouds” tratou de encerrar qualquer discussão: brutal, densa, épica e melódica, uma verdadeira sinfonia de destruição.
“Vocês ainda têm fôlego para uma rápida? Starvation!!!” — provocou Lira. E o que veio em seguida foi uma descarga de violência sonora. “Starvation” é intensa do início ao fim, com destaque absoluto para o desempenho físico impressionante de Dametto.
Sem dar espaço para respiro, “Lord of Ruins” manteve o nível lá em cima, com Tainá Bergamaschi e Villareal brilhando nas guitarras. O encerramento ficou por conta de “From The Ashes”, a mais conhecida do repertório, executada após pedidos insistentes e com participação massiva do público.
No fim, o veredito é claro: a Crypta não só sustentou o hype — ela o superou. Um show irretocável, técnico e envolvente, que convenceu até os mais céticos e reafirmou o nome da banda como uma das forças mais relevantes do metal extremo atual.
