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Em seu álbum de estreia, Dirty Honey traz o legado doce e sujo do hard anos 70

Dirty Honey vem sendo considerada uma das grandes revelações do rock
 

Dirty Honey

Dirty Honey
⭐⭐⭐⭐ 5/5

Por  Rosangela Comunale 


Nem mesmo a pandemia conseguiu parar a produção dos americanos do Dirty Honey, banda formada em Los Angeles em 2017. Apesar do lockdown e distanciamento social que vêm assolando o mundo, os caras conseguiram fazer altas manobras para que o disco homônimo fosse recentemente lançado.


O produtor Nick DiDia, lá na Austrália, e o grupo todo nos EUA trabalharam com a produção via Zoom. Aí você pode até achar que muito do trabalho feito fatalmente deve repercutir letras falando sobre os efeitos que esta era pandêmica tem causado. Mas não. Como toda banda retrô que se preze, o itinerário mental vai lá pros 70s do Aerosmith e Led Zeppelin sem dó nem piedade.


Em Dirty Honey, letras que falam de sonhos, beijos e paixões arrebatadoras com a guitarra bem marcada de John Notto deixando claro as influências que Slash e Joe Perry exerceram em sua formação noventista. Aliás, a banda confessa ser fã do Aerosmith. E é exatamente isso que se ouve no álbum. Até acho que, se os Bad boys from Boston fossem da mesma faixa etária, provavelmente, fariam um som como o do Dirty Honey. Por quê? Porque conseguiram dar um match entre o Southern e o Hard Rock, algo que o Steven Tyler tanto reluta em seguir na carreira solo no auge de seus 70 e poucos anos. Mas voltemos para o disco.


A voz rasgada de Marc Labelle dá a pegada sulista em "Another Last Time" ("She burns like a whiskey, she cries like rain" / "Ela arde como o whiskey, ela chora como a chuva"). Seguindo pelas faixas, sempre à procura da guitarra perfeita, uma pegadinha te leva a crer que ouvirá uma nova versão de California Dreamin. Spoiler: não é. A verdade é que a canção nada tem a ver com o brilho e o frescor dado pelos The Mamas and the Papas ao lugar tão ensolarado e procurado por milhares de pessoas. Muito pelo contrário. O Dirty Honey dá um clima obscuro ("The tunnel´s end that saw no light" / "O fim do túnel que não viu luz nenhuma") e a letra já começa com um pé na porta com um trecho bíblico do Gênesis ("For forty days and for forty nights" / "Por quarenta dias e quarenta noites") numa referência à luta que é migrar para o Oeste americano, sonho de consumo de muitos.


"Tied up" tem um “a capella” inesperado que tira o disco da zona de conforto mostrando o potencial de Labelle em dueto com a backing vocal Shoshana Bean, dando uma pegada soul, elemento também muito usado pelos Stones.


Nada se cria. Tudo se transforma. Dirty Honey e seu álbum homônimo fazem parte da safra cronologicamente nova do rock and roll que reverencia o antigo assim como  Greta Van Fleet tem feito [leia a resenha]. Mas aqui vai toda a reverência ao grupo por ter driblado a crise sanitária, rompido fronteiras para a produção, gerando letras pandemic-free e um som impecável com destaque, público e notório, para Notto que faz toda a diferença no trabalho. Aliás, foi ele quem concebeu a banda.

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