Todo festival é feito de escolhas — e, para muitos, poucas foram tão certeiras quanto assistir ao show de Dirkschneider. Especialmente para quem cresceu ao som do heavy metal clássico.
Com mais de 50 anos de estrada, Udo Dirkschneider subiu ao palco Sun do Bangers Open Air e não perdeu tempo: abriu o set com “Fast As a Shark”. Um golpe direto — daqueles que praticamente pagam o ingresso sozinhos.
A proposta era clara: um set focado no repertório do Accept. E funcionou perfeitamente.
“Living for Tonite” e “Midnight Mover”, ambas do clássico Metal Heart (1985), vieram na sequência, mantendo o nível lá em cima e alimentando a nostalgia de uma plateia que parecia ter voltado à adolescência.
Celebração histórica
O show também serviu como celebração dos 40 anos de Balls to the Wall (1983) — com direito a um detalhe que fez toda diferença: a presença de Peter Baltes, parceiro histórico de Udo.
A química entre os dois é evidente. Mais do que músicos, são sobreviventes de uma era — e isso transparece na energia em palco.
Vieram então “London Leatherboys”, “Love Child”, “Head Over Heels” e outras pérolas, culminando em uma emocionante “Winterdreams”, fechando o bloco comemorativo com elegância.
Final apoteótico
Ainda havia tempo para mais. E que “mais”.
“Princess of the Dawn” trouxe um dos momentos mais marcantes da noite, com o tradicional solo cantado ecoando entre fãs já exaustos, mas completamente entregues.
Para fechar, “Burning” apareceu como uma escolha menos óbvia, mas que funcionou muito bem ao vivo, encerrando o show com energia e personalidade.
O show de Dirkschneider foi mais do que um tributo ao passado — foi uma reafirmação de legado.
Sem firulas, sem concessões. Apenas heavy metal direto, clássico e honesto.
Para quem escolheu estar ali, ficou claro: foi uma das decisões mais acertadas de todo o Bangers Open Air.
