O desafio do nome MARINA nos lineups dos festivais é real, especialmente no Brasil, onde temos lendas como Marina Lima e o fenômeno atual Marina Sena. A pergunta é automática quando aparece o poster com todos os nomes em blocos ou parágrafos. Qual Marina? Para os organizadores e para o público, o contexto é tudo. Se o lineup tem um peso internacional e indie-pop, a resposta automática é MARINA (ex-Diamonds).
O segundo dia do Lollapalooza Brasil 2026, neste sábado (21 de março), reserva um dos maiores conflitos de horários para os fãs de música alternativa. Às 16h55, duas forças femininas sobem ao palco simultaneamente: a veterana indie-pop MARINA e o trio de rock mexicano The Warning.
MARINA no Palco Budweiser (16h55 – 17h55)
Para quem não abre mão do pop conceitual, a galesa retorna ao Autódromo de Interlagos para consolidar sua relação de "amor e redenção" com o público brasileiro. O show faz parte da Princess of Power Tour, baseada em seu sexto álbum de estúdio, Princess of Power (lançado em 2025).
O setlist mistura o novo material (como "Butterfly" e "Cupid’s Girl") com os hinos geracionais "Primadonna", "Bubblegum Bitch" e "How to Be a Heartbreaker". Um espetáculo teatral, visualmente impecável e com a potência vocal de mezzosoprano, que é sua marca registrada.
Marina transita por diversos subgêneros, mas sempre com o selo "Art Pop". Desde o indie pop/piano rock: Era The Family Jewels. Foco na composição excêntrica e vocais quase teatrais até o synth-pop/disco music na sua discografia como em Froot (2015) e Ancient Dreams (2021). Uma produção mais polida, onde sua voz brilha em arranjos mais maduros.
Isso sem deixar de fora o electropop/bubblegum pop do álbum Electra Heart (2012). Aqui ela usou a voz para emular o arquétipo da "loira americana", mas com letras ácidas e críticas. Parece tudo música para dançar mas existem nuances e variações características de cada lançamento. Ao final tudo entrelaçando num setlist com punch e atitude de rock star .
Se tivéssemos que definir a Marina em uma frase técnica: Ela é uma mezzosoprano lírica com alma de rockeira indie, que usa a estrutura do pop para entregar letras existenciais. Marina é um exemplo clássico de como a técnica pode ser usada para criar "personagens" na música. Tem um controle excepcional sobre as notas baixas. Em músicas como "Obsessions" ou "I’m a Ruin", os graves são ricos e dão uma sensação de melancolia que uma soprano dificilmente alcançaria com a mesma textura.
Uma de suas marcas registradas é o salto rápido entre a voz de peito (grave) e a voz de cabeça (agudo), muitas vezes criando um efeito de "iodelei" moderno (como em "Mowgli's Road" ou "Hermit the Frog"). Ainda utiliza uma crueza e uma força "mais grave ou grossa " em certos momentos da apresentação que rompem com o pop chiclete tradicional, trazendo uma autoridade vocal única.
A cantora galesa estreou no Lollapalooza de 2022 no Palco Ônix num dos shows mais comentados daquela edição. Enquanto cantava "Man's World", Marina soltou o famoso "Fck Putin! Fck Bolsonaro!", o que levou a plateia à loucura. Foi um momento em que ela deixou de ser apenas a "estrela pop" para se conectar diretamente com o sentimento social do público brasileiro na época.
No ano de 2015 perdeu as conexões em Nova York e cancelou sua apresentação no festival. Esta sua segunda volta ao Brasil é muito aguardada pela qualidade vocal acima do comum. O festival parece ser a única maneira da cantora passar pela América do Sul .
O conflito: The Warning no palco Flying Fish
No exato mesmo minuto (16h55), as irmãs Villarreal trazem seu hard rock explosivo para o Palco Flying Fish. É o típico "pesadelo" do fã de festival: escolher entre a elegância da ex-Diamonds ou a energia crua de uma das bandas de rock que mais cresce no mundo atualmente.
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Lollapalooza 2026
