Em 1996, o mundo ainda tentava entender o que viria depois da explosão grunge. Seattle já não era mais um território exclusivo, e o rock alternativo começava a se fragmentar em múltiplas direções. Foi nesse cenário — de expectativa, desgaste e transição — que o Stone Temple Pilots lançou Tiny Music... Songs from the Vatican Gift Shop, um álbum que definiu de vez o som da banda.
Uma mudança de pele necessária
Depois do sucesso massivo de Core (1992), o Stone Temple Pilots acabou sendo acusado por muitos de ser apenas um subproduto do grunge. O seu segundo álbum, Purple, mesmo mostrando-se uma evolução sonora considerável, ainda mantinha muito daquela estética consagrada pelo Pearl Jam, e isso fazia o grupo ainda sofrer injustas comparações pejorativas. Mas tudo mudou com o lançamento do seu terceiro álbum.
Em Tiny Music, o grupo mergulhou em um universo completamente diferente: glam rock, psicodelia, power pop e uma estética quase retrô, que mais lembrava David Bowie e The Beatles do que qualquer coisa ligada ao grunge.
Era uma mudança de pele necessária — arriscada, ousada e, para muitos na época, incompreendida. Essa mutação não foi apenas sonora. O visual alternativo, mais selvagem e denso, deu lugar a algo mais suavizado, sensual e colorido.
Um novo Scott Weiland nascia ali
Esse estilo camaleônico do STP em Tiny Music foi refletido diretamente por um novo Scott Weiland. Dos cabelos vermelhos e cara de mau, Scott tornou-se uma figura visualmente exótica. A voz nasalada deu lugar a algo muito mais melódico, particular e rendeu alguns resultados inesperados para os fãs de época.
De “Big Bang Baby”, com seu groove sujo e debochado, à melancolia elegante de “Lady Picture Show”, Weiland transitava entre personas, estilos e intenções com uma naturalidade rara. Havia teatralidade, ironia e uma clara vontade de romper com qualquer rótulo imposto à banda naquela época. Com Tiny Music, Weiland se distanciou da sombra de apenas mais um vocalista do grunge — e se afirmou como um dos grandes frontmen dos anos 90.
Mas reduzir Tiny Music a Weiland seria injusto. Os irmãos Dean DeLeo e Robert DeLeo constroem aqui algumas das texturas mais interessantes da década. As guitarras abandonam o peso bruto e abraçam camadas, nuances e melodias mais sofisticadas, como por exemplo, a levada retrô de "Tumble in the Rough", ou a mistura de peso e groove na vigorosa "Trippin' On A Hole In A Paper Heart".
Além disso, o grupo decidiu colocar para fora suas influências mais particulares. E isso rendeu um resultado de canções menos imediatas, mas que criavam conexões mais honestas e certamente mais duradouras. Essa interação criativa dos integrantes em Tiny Music resultou em algumas preciosidades como "Seven Caged Tigers" ou "Art School Girl", que pareciam reunir tudo aquilo que eles queriam e que de alguma maneira, estava trancado num baú escondido.
Incompreendido antes, cult hoje
Na época do lançamento, Tiny Music dividiu opiniões. Parte do público não entendeu. Parte da crítica torceu o nariz. Afinal, não era o disco que a grande maioria esperava.
Só que hoje, três décadas depois, o álbum é visto como um dos trabalhos mais criativos do Stone Temple Pilots — e segue até hoje como o registro mais definidor de sua discografia.
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