Foto: Carol Goldenberg / Rock On Board
Quem esteve presente nesta quarta feira, 6 de maio, no Vibra São Paulo, presenciou uma noite que jamais irá esquecer. A banda Men At Work desembarcou na capital paulista para a primeira de uma série de apresentações no país, trazendo todo o poder e energia que carregam desde os anos 80 e transportando todo o público para seus tempos de “down under”.
O grupo australiano - liderado por seu fundador e único membro original, Colin Hay - entregou um espetáculo composto quase inteiramente por hits, provando que mesmo após quatro décadas desde o lançamento de seu último álbum de estúdio, em 1985, eles continuam atuais e atraindo uma plateia vibrante, com fãs de todas as idades e gerações.
Colin, com seus 72 anos, parece que não envelheceu um dia. Ele liderou o espetáculo com a autoridade de quem é dono de uma das vozes mais icônicas da história do rock. Sua performance vocal se mantém impecável, alcançando as notas e o timbre característicos que sempre o definiram. Colin transborda carisma e interage com o público de forma leve e genuína. Mas, apesar de líder do grupo, ele não rouba a cena para ele e dá espaço para seus colegas de banda brilharem.
Foto: Carol Goldenberg / Rock On Board
A competência técnica do grupo é impressionante, revelando músicos extremamente entrosados que pareciam estar em um estado de alegria absoluta sobre o palco. Cada integrante teve seu momento de destaque, sendo observados com visível admiração pelos próprios colegas de banda.
O guitarrista San Miguel Perez traz uma pitada latina que renova os arranjos clássicos da banda. A alegria de Perez no palco é visível e contribuiu muito para a atmosfera festiva da noite.
O baixista Yosmel Montejo entregou uma performance emblemática. Ele transita muito bem entre seu papel de suporte, trazendo todo o groove clássico dos hits do Men at Work, e seus momentos de protagonismo. Poucas vezes se viu um solo de baixo tão contagiante e expressivo.
Jimmy Branly, na bateria, é a definição de precisão. Sua capacidade de manter o ritmo de hits como "Down Under" e "Overkill" com fidelidade e, ao mesmo tempo, adicionar nuances modernas é impressionante. Branly toca com um sorriso constante. Cada virada e cada acento rítmico foram fundamentais para manter a energia do público no alto durante toda a apresentação.
Somando a esse time, está Rachel Mazer. Alternando entre o saxofone, flautas e teclados, ela é responsável por alguns dos momentos mais memoráveis da noite, executando as linhas melódicas de sopro que são verdadeiras assinaturas do som da banda. Quando Rachel assume o centro do palco para seus solos, a atenção de todos é capturada por sua técnica perfeita e por sua presença de palco.
Mas o grande destaque da banda é Cecília Noël. Ela é um show à parte. Sua presença de palco é magnética: ela canta, dança, pula e interage com o público e com a banda o tempo todo. Além de seu talento musical, Cecília desempenha um papel fundamental na comunicação da noite, traduzindo as falas de Colin com um "portunhol" carinhoso — e uma fluidez no português impressionante — que aproxima a banda dos fãs, tornando-se o elo emocional que transforma a apresentação em algo íntimo e acolhedor.
Foto: Carol Goldenberg / Rock On Board
O repertório contou com clássicos indispensáveis como “Into My Life”, "Who Can It Be Now?" e "Down Under", que transformaram o local em uma grande pista de dança. Em momento de pura descontração, a banda remodelou este último hit com ritmos brasileiro, fazendo com que Colin Hay chegasse até a arriscar alguns passos de samba. A sucessão de sucessos como ”Dr. Heckyll and Mr. Jive", "Overkill", "It's a Mistake" e “ Be Good Johnny” reforçou o vigor dessas músicas, que não soam datadas, mas sim como hinos atemporais. O único desafio real para quem estava na plateia era processar tanta informação positiva simultaneamente, pois a riqueza de detalhes e a entrega individual de cada músico criavam um cenário onde era difícil decidir para onde olhar.
Ao final, o sentimento que dominou o Vibra São Paulo foi o de uma satisfação completa mesclada a uma inevitável vontade de reviver a experiência. O show é divertido, engajante e passa com uma velocidade que deixa o público desejando mais algumas horas de música. É impossível sair de uma apresentação como essa sem um sorriso no rosto e a convicção de que o Men At Work não apenas preserva seu legado, mas o renova, deixando a certeza de que um retorno breve aos palcos paulistanos é mais do que esperado, é necessário.




