Discografia do Pearl Jam: do pior ao melhor

Foto: Bruno Eduardo / Rock On Board
 
Falar sobre o “melhor álbum do Pearl Jam” é sempre um convite ao debate — e dificilmente haverá unanimidade. Com uma discografia extremamente regular e marcada por diferentes fases criativas, a banda construiu um catálogo que atravessa gerações. Aqui, analisamos todos os álbuns de estúdio do Pearl Jam, do pior ao melhor, sempre com respeito à trajetória do grupo. E claro: deixe sua opinião nos comentários.

12- Dark Matter (2024)

O álbum mais recente do Pearl Jam chega carregado de energia e com a promessa de uma turnê que deve passar pelo Brasil ainda este ano. Produzido por Andrew Watt (Ozzy Osbourne, Iggy Pop), Dark Matter resgata certa agressividade que muitos fãs sentiam falta. O processo de gravação foi intenso — grande parte do disco foi registrada em cerca de três semanas — e o resultado é um som mais direto, com riffs marcantes e bateria incisiva. “React, Respond” mostra bem essa proposta, enquanto “Wreckage” traz o lado mais introspectivo de Eddie Vedder. A faixa-título é um rock poderoso, daqueles que em outras épocas tocaria sem parar nas rádios. Destaque pessoal para “Waiting for Steve”. É um bom álbum, superior ao antecessor Gigaton, mas ainda não possui peso suficiente para figurar mais acima neste ranking.


11 - Lightning Bolt (2013)

Representa o momento mais assumidamente mainstream do Pearl Jam, quando a banda já havia assimilado seu papel como uma das principais forças do rock mundial. Musicalmente, traz bons momentos, como a faixa-título, a energética “Getaway” e a radiofônica “Sirens”, que se tornou presença constante em bares com música ao vivo.

10 - Gigaton (2020)

Lançado em meio ao início da pandemia de Covid-19, Gigaton acabou sendo associado a um período de isolamento e incertezas. O álbum aborda temas delicados, como mudanças climáticas, e possui uma identidade visual marcante — talvez a capa mais bonita da discografia da banda. O single “Dance of the Clairvoyants” chamou atenção não apenas pelo som diferente, mas também por uma curiosidade brasileira: a banda tributo carioca Black Circle gravou uma versão em apenas 24 horas, impressionando Mike McCready e gerando reconhecimento público de Vedder durante lives na pandemia.

9 - Backspacer (2009)

Com a trinca "Just Breathe", "Amongst The Waves" e "Unthought Known", Backspacer pode ser considerado um disco mais alto astral se comparado aos trabalhos da fase 90's. É um álbum mais regular e que vale a audição na íntegra. Ele traz como single principal a faixa "The Fixer", que faz questão de registrar no clipe a sinergia entre banda e público. Essa atmosfera reflite uma mudança de postura do Pearl Jam diante da mídia - deixando um pouco de lado a reclusão de outras épocas.

8 - Rio Act (2002)

Riot Act se inicia de forma perturbadora com “Can’t Keep” e entrega momentos intensos como “Save You”, presença frequente nos shows. “Love Boat Captain” é uma das baladas mais belas da carreira da banda, enquanto “I Am Mine” e “Thumbing My Way” se tornaram clássicos do período. O disco também abriga a controversa “Bu$hleaguer” e marca o retorno da banda à produção regular de videoclipes - antes desse, "Do The Evolution" encerrou um hiato desde o álbum de estreia, Ten.

7 - Pearl Jam (2006)

Conhecido como o “álbum do abacate”, traz boas composições como “Gone” e “World Wide Suicide”, esta última levando a banda novamente ao topo da Billboard — algo que só havia acontecido antes com “Jeremy”. O encerramento com “Inside Job”, de Mike McCready, é um dos momentos mais emocionais do catálogo do grupo.

6 - Binaural (2000)

Musicalmente discreto, Binaural ganha importância pelo contexto em que foi lançado. É o primeiro álbum com Matt Cameron - que deixou a banda recentemente após 27 anos no cargo - e que surge em um momento em que o Pearl Jam atingia novo patamar de popularidade com “Last Kiss” e "Soldier of Love". Sua relevância histórica justifica a posição no ranking.


5 - No Code (1996)

Para alguns críticos, esse é um álbum que abusou demais de experiências musicais. Mas "No Code" é pontual por tirar o rótulo grunge do Pearl Jam. Como já havia acontecido em menor escala em Vitalogy, o grupo ficou aberto à novas experiências musicais - muito pela proximidade à Neil Young, com quem a banda havia gravado o interessante "Merkinball" no ano anterior (1995). Mesmo com toda a estranheza sonora, relíquias como "Smile" e "Mankind" (cantada por Stone Gossard) - além das tranquilas "Who You Are" e "Off He Goes" - são muito bem vindas à qualquer playlist da banda. No Code talvez seja mal compreendido por quem não conhece a banda a fundo, mas é uma obra de arte.

4 - Yield (1998)

Uma joia da discografia. Poderia estar facilmente em posições mais acima. Coeso, maduro e equilibrado, Yield deve ser ouvido exatamente na ordem original das faixas. De “Brain of J” a “Wishlist”, passando por “Do the Evolution” e “Given to Fly”, o disco representa um Pearl Jam mais livre das pressões comerciais e artisticamente confiante. O resultado foi uma certa volta ao som de origem de banda, aliado à maturidade alcançada nos anteriores Vitalogy e No Code.


3 - Vs. (1993)

Impulsionado pelo sucesso fenomenal de seu álbum de estreia, Vs. quebrou recordes de venda e consolidou o lado mais agressivo da banda. Sem clipes promocionais, o disco aposta na força crua das músicas, equilibrando peso (“Go”, “Animal”) e baladas marcantes (“Daughter”, “Small Town”). Mesmo sendo um fenômeno de vendas, Vs. não alcançou a catarse musical de "Ten", mas resistiu ao tempo como um clássico absoluto dos anos noventa.


2 - Vitalogy (1994)

Iniciando o processo de intimismo e experimentalismo musical da banda, Vitalogy é daqueles álbuns que só os fãs do Pearl Jam entendem o porquê de estar nesta lista numa posição tão alta. Sem a mesma agressividade dos primeiros discos, Vitalogy marca a transição definitiva do Pearl Jam para um caminho mais autoral. Mesmo assim, o grupo concebeu hits eternos, como "Better Man" (originalmente da banda anterior de Vedder, Bad Radio), "Nothing Man", "Corduroy", "Immortality" e as enérgicas "Last Exit" e "Spin the Black Circle". O álbum tem algumas referências bem claras ao vinil - tanto na arte da capa como na faixa "Spin the Black Circle", uma espécie de homenagem ao bolachão, e foi um dos primeiros álbuns lançados em vinil por uma grande gravadora naquela época, em que o CD já predominava. É também símbolo da luta da banda contra o mainstream e a Ticketmaster, o que reforça sua importância histórica.


1 - Ten (1991)

Pode parecer óbvio, mas Ten transcende rankings. É um disco que estoura a bolha do rock e que se torna um retrato emocional e social de sua época. Com letras profundamente pessoais — muitas baseadas em experiências reais de Eddie Vedder ("Alive", "Black", "Release") — e músicas que se tornaram hinos eternos ("Even Flow", "Jeremy"), Ten é simplesmente um marco incontestável. Com uma sonoridade fresca para a época e letras que representavam um idealismo de insatisfação com o poder público, o álbum nunca perdeu o seu tempo de validade. Além disso, seus lados B alcançaram status de clássicos, algo raríssimo na história do rock. Tudo isso explica por que Ten segue sendo o álbum número um do Pearl Jam — ontem, hoje e sempre.

Mais do que um ranking, esta lista é um convite ao debate. O Pearl Jam construiu uma discografia sólida, corajosa e emocionalmente honesta. E você — qual é o seu álbum favorito da banda?

Rafael Rodrigues

Carioca, flamenguista e apaixonado por música! Flutuando entre o mundo corporativo e o lúdico musical. Algumas dezenas de shows cobertos e resenhas escritas, na aventura do rock'n roll desde sempre, escrevendo sobre ele há mais de uma década!

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