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Helloween volta a alcançar melhor forma da carreira em álbum com sete integrantes

Helloween estreia formação com três vocalistas no estúdio

Helloween

Helloween
⭐⭐⭐ 4/5

Por  Marcelo Alves 


Quando o Helloween anunciou os retornos de Michael Kiske e Kai Hansen em 2016 para participarem da turnê mundial que seria chamada de Pumpkins United, muitos pensaram que a formação com sete integrantes, sendo três vocalistas, seria uma grande celebração da história da banda que popularizou e definiu novas bases para o power metal e que havia completado três década de existência. E que pararia por aí.


Acontece que a ideia que tinha cara de “fan service”, ou seja, um instrumento para agradar aos fãs e trazer uma novidade para aqueles que estão acostumados a acompanharem o Helloween nas suas diversas turnês, ganhou corpo, ultrapassou as fronteiras de uma única música inédita lançada em outubro de 2017 – “Pumpkins United” – e se começou a questionar se o que tinha cara de temporário não poderia virar permanente.


Quando o Helloween se apresentou no Rock in Rio de 2019 [leia a resenha do show AQUI], a banda já havia recebido o pedido da gravadora Nuclear Blast no ano anterior para estender a turnê com o objetivo de gravar um registro ao vivo que seria lançado em CD e DVD. Sinal de que, mesmo sem material inédito desde o lançamento de My God-Given Right (2015), a banda experimentava uma nova onda de sucesso entre os fãs do gênero do metal em que os alemães estão entre os principais expoentes. A maior curiosidade para quem estava no Rock in Rio era ver como funcionaria a dinâmica  com três vocalistas e três guitarristas. Apesar do show relativamente curto no festival carioca, o resultado foi bastante satisfatório, com Hansen, Kiske e Andi Deris, que na história da banda substituira Kiske após a sua saída em 1993, se alternando nas canções e eventualmente se reunindo para cantarem juntos em algumas canções.


Naquela época, os planos de um novo álbum já eram conhecidos com esta formação. E o resultado chega agora com o lançamento de Helloween. Décimo-sexto álbum de estúdio da banda, Helloween tem uma cara de recomeço para o grupo alemã. Recomeço este que está no próprio título do álbum. Simplesmente o nome da banda. Algo que é muito comum em primeiros álbuns de artistas. Este era o nome, por exemplo, do primeiro EP lançado pelo Helloween, em abril de 1985.


E neste “recomeço” agora como um septeto o Helloween soa incrivelmente rejuvenescido. Não que a banda estivesse morta ou no ostracismo, mas é nítido o vigor, a pluralidade sonora e a força que a banda demonstra com esta nova velha formação. Além de Hansen, que também toca guitarra, Deris e Kiske, o grupo conta ainda com Michael Weikath (guitarra), Sascha Gerstner (guitarra), Marcus Grosskopf (baixo) e Daniel Löble (bateria).


Uma das questões que se mantinha na transposição da série de shows para um álbum de inéditas é se funcionaria a dinâmica com três vocalistas. E o que o Helloweeen demonstra neste novo álbum é que a química é ainda melhor do que a “Pumpkins World Tour” demonstrou. Se nos shows da turnê anterior, a sensação que se tinha era de um espetáculo montado para que cada cantor tenha seu momento e eles se reúnam em algumas canções que justificasse a união e a ideia da turnê, no novo álbum temos uma banda mesmo coesa, funcionando em harmonia e com as três vozes dialogando e se amalgamando em cada uma das suas 14 canções.


O principal exemplo desta harmonia está em “Skyfall”, um épico de 12min11s que conta a história de um alienígena que cai na terra após uma dramática perseguição espacial. A canção começa com a voz de Kiske e eventualmente evolui para a de Hansen e passa pela de Deris, enquanto o Helloween exibe o que tem de melhor: a combinação dos vocais sinfônicos com os duelos de guitarra sempre na velocidade máxima, características do power metal do qual o Helloween é mestre.


Curiosamente, canções longas são uma constante na carreira do grupo. “Skyfall” nem é a maior delas. Fica atrás de músicas como “The King for a 1000 Years” (13min54s), “Keeper of the Seven Keys” (13min38s) e “Halloween” (13min18s).


“Skyfall” é uma das melhores músicas de um álbum recheado de boas ou ótimas músicas. “Out for the Glory”, por exemplo, que abre o disco, é outra música marcante. Típica música do Helloween, com sua bateria poderosa, guitarras jorrando uma cachoeira de melodias e mudanças de ritmo e de tempo e requintadas partes vocais. Isso é uma constante em todo o disco e se repete em maior ou menor escala na ótima “Fear of the fallen”, em “Angels”,  “Mass Pollution” ou na excelente “Golden Times”.


Talvez a única crítica que poderia ser feita ao álbum é que ele está sempre no mesmo ritmo acelerado. Para um ouvinte mais leigo, não versado na estética do Helloween ou pouco conhecedor de heavy metal ou power metal em geral, Helloween soaria como um disco com todas as canções meio iguais. Embora “Best Time”, outra das melhores músicas do álbum, e “Save my hide” tenham um ritmo um pouco (mas não muito) mais lento, quase flertando com um hard rock.


Outros álbuns do Helloween tem quebras de ritmo e pausas para respirar mais marcantes. Basta citar The time of the Oath (1996), com a sua balada “Forever and One (Neverland)”, e Keeper of the Seven Keys part II (1988), com a sua faixa título. Este álbum, no entanto, é completamente ausente de baladas ou canções lentas. O objetivo aqui é pisar no acelerador e se deixar levar pela parede sonora do Helloween. É curioso ver como isso funcionaria num show em que a banda eventualmente toque o álbum na íntegra.


Helloween é a volta da banda alemã a uma grande forma. Forma apresentada em alguns dos discos mais importantes da sua história como Walls of Jericho (1985), os dois Keeper of the seven Keys (1987 e 1988) ou Gambling with the devil (2007). Definitivamente os retornos de Hansen e Kiske e a construção de um novo Helloween a partir desta mistura de ideias entre os seus sete integrantes fizeram muito bem à banda.

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