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Novo álbum do Ministry é totalmente Anti Trump, antirracismo e antifascismo

Al Jourgensen lidera discurso Anti-Trump em novo disco do Ministry
Por Lucas Scaliza

Enquanto Donald Trump segue governando os Estados Unidos sob uma chuva de críticas e de polêmicas causadas pelo seu modo muito peculiar – para não dizer agressivo e mente fechada – de administrar, o país está em ebulição social. Diferente do Brasil, onde a classe artística até se manifesta sobre os problemas atuais, mas de forma tímida e nem sempre direta em suas obras, já temos dúzias de álbuns, filmes, livros e até vídeo games representando de forma contundente a insatisfação e os problemas dos EUA do imediato agora.

AmeriKKKant, 14º álbum do Ministry, já deixa clara sua posição desde a primeira olhada para a capa. A Estátua da Liberdade com a cara na mão é uma tentativa de não ver o que está acontecendo ou será que até mesmo ela, sendo apenas uma estátua, ente vergonha alheia? Fico com a segunda opção, pois o Ministry deixa claro que está vendo sim o que está acontecendo e não fecha com o bonde de Trump.

Twilight Zone” faz piada com o bordão “Make America great again” utilizado pelo presidente e diz que a situação é tão absurda que só pode ter saído de uma série como Além da Imaginação. No clipe da música, a banda até utiliza imagens do presidente e uma banda que toca na jaula, separada de seu público.

'AmeriKKKant', como o título sugere, também evidencia o levante do fascismo nos EUA, os vestígios da Ku Klux Klan que agora, sob este novo governo, ganharam novo corpo e nova injeção de entusiasmo, a ponto de desfilarem pelas ruas e exigirem legitimidade de seus discursos de ódio. Se antes o problema era a América não branca e não cristão, agora eles têm imigrantes, muçulmanos, homossexuais e todo uma série de conquistas liberais para gritar contra. E o Ministry faz metal industrial mais uma vez para gritar contra todo esse pessoal.


Wargasm” não é tão digna de nota musicalmente falando, mas sua letra resgata a crítica contra os EUA que deflora nações com sua máquina de guerra e sua decadente “missão” imperialista. “Victims Of a Clown” vocifera contra o presidente e coloca uma boa dose de caos no trance industrial. A curta e ágil “We’re Tired Of It” ganha vocais de Burton Bell, do Fear Factory, que se encaixa bem no contexto.

Al Jourgensen, vocalista e líder, faz de AmeriKKKant um manifesto da banda. São nove faixas raivosas e pesadas, misturando batidas e guitarras pesadas com uma série de outros sons, como cellos, vozes adicionais, programações eletrônicas e gaita (tocada pelo próprio Jourgensen). Embora não traga grandes novidades para a discografia do Ministry, é instigante o suficiente e mantém o espírito anárquico e contestador em dia.

A banda quase acabou após o falecimento do guitarrista Mike Scaccia em 2012. O disco From Beer To Eternity (2013) só saiu porque as partes de Scaccia já estavam gravadas. A vontade de continuar do grupo encontrou combustível suficiente para prensar mais música pesada no universo político de seu próprio governo. Afinal, grandes discos, como The Mind Is A Terrible Thing To Taste (1989) e Psalm 69 (1992) saíram quando George W. Bush pai era presidente. Assim como lançaram mais três discos bem raivosos quando George W. Bush filho cumpria seus dois mandatos. Também lançaram discos quando os Democratas Bill Clinton e Barack Obama estavam no poder, mas dá para afirmar que seus melhores trabalhos, dado a uma série de motivos (que incluem até a saúde de Jourgensen) foram criados sob administrações Republicanas.

Pode não ser o disco mais incrível do Ministry, mas é o disco que a banda precisava fazer para dizer que continua em pé e se revoltando politicamente. Mais do que colocar o grupo em movimento novamente, é uma demonstração de como ir contra seu país dando nomes e caras aos bois.
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