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Lollapalooza Brasil: Com instrumental inspirado, Red Hot Chili Peppers mostra valiosa coleção de hits e cita Benjor

Anthony Kiedis em ação no show do RHCP no Lollapalooza Brasil [Foto: MRossi]
Por Bruno Eduardo

O fantástico improviso instrumental que deu início ao show do Red Hot Chili Peppers no Lollapalooza Brasil retratou perfeitamente o feeling que marcou a banda no final dos anos 80 e início dos anos 90. Naquela época, eles eram conhecidos como uma das bandas mais incendiárias do planeta em cima do palco. O tempo passou, a banda se alinhou comercialmente e acabou tornando-se uma das maiores fábricas de hits que o mundo do rock viu um dia. Tanto que a primeira seqüência da apresentação com "Can't Stop", "Snow (Hey Ho)" e "Otherside", foi de cantoria generalizada num dos maiores públicos (quiçá o maior) reunidos em um único palco do Lolla Brasil em todas as edições. 

Mesmo com uma coleção de sucessos no cardápio, a banda surpreende e tira da cartola algumas boas surpresas, como é o caso de "Aeroplane", do ótimo One Hot Minute, álbum que foi muito tempo desprezado pelo grupo por conta da recusa de John Frusciante (guitarrista anterior) a tocar músicas consideradas por ele equivocadamente, como de heavy metal. O já não tão novo guitarrista da banda, Josh Klinghoffer, não tem essa moral, mas mostra que está cada vez mais à vontade no grupo. Inclusive aparece mais nas jams sessions com os excepcionais Chad Smith e Flea, e ainda se arrisca num momento solo, onde canta sozinho um sucesso de Jorge Ben Jor, "Menina Mulher da Pele Preta".

Por ser uma banda carro-chefe de sucessos radiofônicos nas últimas três décadas, a inclusão de canções fora desse formato acaba soando para o público plural, como algo fora de contexto, mas para os fãs de carteirinha é sempre essencial poder ver ainda o vocalista Anthony Kiedis berrar o refrão de "Blood Sugar Sex Magic", música que ele gravou no auge da plenitude física, aos 29 anos de idade e que ainda continua forte na sua interpretação. A banda ainda convidou o percussionista Mauro Refosco em "Hump The Bump". O músico brasileiro participou da gravação do disco I'm With You e é membro do Atoms For Peace, banda de Flea com Thom Yorke (Radiohead). 

Ainda fora das obviedades, é legal quando o grupo remete os primórdios com "Nevermind", do genial Freaky Styley (lançado em 1985), ou relembra seu cover mais famoso, para a sempre incendiária versão de Stevie Wonder em "Higher Ground". O resto da apresentação é um prato cheio para os fãs e não-fãs do grupo, com músicas auto-reconhecidas em qualquer nicho popular ("Under The Bridge", "By The Way", "Californication") e os improvisos instrumentais que entre um sucesso radiofônico e outro, acabam sendo responsáveis por revelar o espírito real da banda que conquistou gerações nos quatro cantos do planeta.

Para terminar, "Give it Away", clássico noventista que soa nos tempos atuais como um drop nostálgico para os maiores de trinta cinco anos de idade. Uma sessão de fogos dá o sinal de que o primeiro dia de Lollapalooza chegou ao fim. E os fãs saem satisfeitos do Autódromo de Interlagos, pois afinal, acabaram de assistir um show típico dos Chili Peppers: aquele greatest hits generoso, recheado pelas inserções instrumentais que você respeita.

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