quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Discos: The Winery Dogs (Hot Streak)

Foto: Divulgação
Supertrio volta fincado no hard rock sem deixar ecletismo de lado
THE WINERY DOGS
Hot Streak
Loud & Proud Records; 2015
Por Lucas Scaliza



Como qualquer cão que se preze, o The Winery Dogs já chega marcando território com um riff progressivo e acelerado em “Oblivion”, faixa de abertura de Hot Streak, segundo álbum desse power trio com cara de superbanda. Richie Kotzen nos vocais e na guitarra, Billy Sheehan (Steve Vai, David Lee Roth, Mr. Big) no baixo e o grande Mike Portnoy (ex-Dream Theater) na bateria. A banda vem ao Brasil agora em maio para uma série de shows e vai apresentar músicas desse novo álbum.

Embora a faixa de abertura tenha seus momentos mais progressivos, Hot Streak é muito mais eclético e muito menos prog do que o primeiro, The Winery Dogs (2013). O ecletismo, contudo, sempre colocado num contexto de hard rock.

Captain Love”, “Devil You Know”, a balada “Think It Over” e a excelente “Empire” são faixas quase oitentistas em todos os seus elementos. Músicas simples, com bom andamento e diretas (com exceção dos solos de “Devil You Know”, momento bastante prog do álbum). “Hot Streak” flerta com o soul, mostrando suingue de todo o grupo aliado à velocidade dos riffs e solos de Kotzen. “How Long” é uma faixa conduzida especialmente pelo baixo de Billy Sheehan.

Ghost Town” e “Spiral” são duas das melhores surpresas do disco e exemplos de modernidade. Mesmo quando visitam os anos 70 e 80, a banda sabe manter seus timbres bem modernos. “Ghost Town”, com base acelerada e voz e guitarra mais flutuantes, consegue um efeito etéreo muito interessante, lembrando algumas faixas de Joe Satriani. Já “Spiral” é quase um synthpop, a faixa mais diferente que a banda produziu até aqui. “The Bridge” é outra em que a banda se encontra com maestria: é um hard rock, ninguém duvida, mas bastante calcada no soul. A balada “Fire” caberia muito bem no último disco solo de Kotzen, Cannibals, talvez até melhor do que em Hot Streak.

Embora não tenha músicas que sejam especialmente marcantes, não há faixas ruins no disco. De vícios precoces do grupo, vistos tanto no primeiro quanto neste segundo trabalho, estão os solos um pouco ansiosos de Kotzen. Se na carreira solo o cantor sabe diversificar bem seu som e suas técnicas, no The Winery Dogs sobressai sua veia velocista das seis cordas. Em faixas como “Oblivion” a velocidade é um recurso que cai bem, mas em tantas outras poderia ter uma abordagem diferente, como a que escolhe para “Empire”, por exemplo. Contudo, ele acerta a mão na maior parte do tempo.

Portnoy, que poderia tender para o exagero, veste a camisa do hard rock e segura muito bem a onda na maior parte das faixas, deixando para se soltar apenas quando necessário. As linhas de bateria espaçadas, tão comuns em seus trabalhos com Neal Morse, Transatlantic e Flying Colors, dão lugar a uma forma mais convencional de encarar o instrumento (mas isso não quer dizer que ele não saiba encaixar sua assinatura musical, sobretudo nos momentos de maior dinâmica, como nos solos de “The Bridge” e “War Machine”).

O lado mais progressivo da banda volta a dar as caras em “The Lamb”, a faixa final. Após uma introdução bastante soul, caem em versos de polirritmos e, em seguida, em um refrão bastante acessível. Um exemplo de como a banda está mesclando bem suas referências na mesma composição, conseguindo dar uma cara bastante própria ao The Winery Dogs.

Se o primeiro disco apresentou uma banda de rock com três super músicos para quem curtia rock, dessa vez a banda leva seu som até quem está interessado em música em um contexto maior. Hot Streak é rock and roll como o Guns N’ Roses no início dos anos 90: músicas com ótimas sacadas, bastante diversificadas e com várias influências, mas sem perder de vista o foco roqueiro da banda. Essa miríade de influências ajuda a mostrar um lado mais aberto de todos os músicos. A variedade de Kotzen já era bem conhecida, mas Sheehan e Portnoy surpreendem, colocando para fora nuances que seus projetos até agora podem ter suprimido. A energia de sempre, mas agora com uma amplitude musical bem maior.

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