segunda-feira, 15 de junho de 2015

Pearl Jam: Do Pior ao Melhor

Imagem: Ilustrativa
A discografia do Pearl Jam avaliada na série "Do Pior Ao Melhor"
Por Rafael Rodrigues

O Pearl Jam vem ao Brasil em novembro para apresentações em grandes estádios. O grupo de Eddie Vedder se apresenta em Porto Alegre, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro [saiba tudo sobre os shows AQUI]. Para tentar diminuir a ansiedade dos fãs, o Rock On Board decidiu preparar um guia especial Pearl Jam: do pior ao melhor - analisando a discografia da banda. Convidamos você a deixar também a sua opinião nos comentários. Afinal, com uma discografia tão regular, é difícil conseguir unanimidade quando o assunto é álbum preferido do Pearl Jam! 


 10 'Pearl Jam' (2006)  
Bom, alguém tinha que ocupar esse inglório lugar na lista. Mas isso não desmerece este, que é o único álbum homônimo do grupo, conhecido pelos fãs como o "Abacate". Boas faixas saíram desse disco - como por exemplo, "Gone". "World Wide Suicide" também é uma faixa bem conhecida, pois foi a escolhida para divulgar o lançamento do disco na época. Mas comparando aos outros trabalhos de estúdio da brilhante carreira do Pearl Jam, esse é apenas um álbum que completa a discografia oficial do grupo, sem maior relevância.


 9 'Lightning Bolt' (2013)  
O mais recente trabalho da banda representa o momento mais assumidamente mainstream do grupo - onde aceitaram com mais naturalidade a posição da linha de frente do rock mundial. Musicalmente falando tem faixas interessantes, como a faixa-título "Lightning Bolt", a forte "Getaway" e a baladinha radiofônica "Sirens".


 8 'No Code' (1996)  
Para alguns críticos, esse é um álbum que abusou demais de experiências musicais. Até alguns fãs chegam a torcer o nariz para ele. Mas No Code é pontual por tirar de vez o grupo do rótulo grunge. Como já havia acontecido em menor escala em Vitalogy, o grupo ficou aberto à novas experiências musicais - muito pela proximidade à Neil Young, com quem a banda havia gravado o interessante "Merkinball" no ano anterior (1995). Mesmo com toda a estranheza sonora, relíquias como "Smile" e "Mankind" (cantada por Stone Gossard) - além das tranquilas "Who You Are" e "Off He Goes" - são muito bem vindas à qualquer playlist da banda. No Code sempre será mal compreendido, e é por isso que está nessa posição na lista.


 7 'Backspacer' (2009)  
Com a trinca "Just Breathe", "Amongst The Waves" e "Unthought Known", Backspacer pode ser considerado um disco mais alto astral se comparado aos trabalhos da fase 90's. Dos últimos lançamentos do grupo, esse é também o mais regular e que vale a audição na íntegra. Ele traz como single principal a faixa "The Fixer", que faz questão de registrar no clipe a sinergia entre banda e público. Talvez essa atmosfera já reflita bastante a nova postura do Pearl Jam diante da mídia - deixando um pouco de lado a reclusão de outras épocas.


 6 'Rio Act' (2002)  
A perturbadora "Can't Keep" dá o start a esse bom álbum do Pearl Jam, que fica a frente dos demais contemporâneos do século 21. A pedrada "Save You", por exemplo é figura certa na maioria dos shows da banda. Não é nenhum exagero afirmar que "Love Boat Captain" é uma das baladas mais belas de toda a carreira do grupo. Destaque ainda para os hits "I Am Mine" e "Thumbing My Way". É de Rio Act também a polêmica "Bu$hleaguer" - que já rendeu um grande problema durante uma apresentação nos EUA - e a política "1/2 Full". Vale ressaltar que foi a partir deste trabalho que a banda voltou a fazer vídeos de divulgação de suas músicas. Anteriormente fizeram um clipe, em animação, para "Do the Evolution", de Yield, terminando assim o hiato desde o álbum de estreia, Ten.

 5 'Binaural' (2000)  
Musicalmente falando, Binaural nem é tão relevante a ponto de estar na frente de alguns que estão nessa lista, mas pela importância do momento em que foi lançado merece o posto que está ocupando. Se você quer entender melhor, eu explico com detalhes nesta matéria AQUI.

 4 'Yield' (1998)  
Yield é uma pérola! Musicalmente poderia estar facilmente com a "medalha de prata", mas como resolvi listar a importância não apenas por questões musicais, e sendo assim, ele é batido facilmente pelos trabalhos posteriores. Confesso que atualmente é o álbum da banda que eu mais gosto de ouvir. É incrível como as faixas se completam, exatamente na ordem em que estão. Se você tem um player de mp3 e escuta esse álbum no modo aleatório, experimente ouvi-lo exatamente na ordem em que o disco foi gravado. Destaques para "Brain of J" - que já inicia com um riff sensacional -, "Faithfull" e "Given to Fly". A maravilhosa e sentimental "Wishlist", a crítica "Do the Evolution", e as intimistas "Low Light"  e "Push me, Pull me" mantêm o disco numa coesão que beira a perfeição.


 3 'Vs.' (1993)  
Seu lançamento era cercado de grande expectativa, devido ao sucesso estrondoso de seu antecessor, Ten. Talvez por isso, ele bateu recordes de vendas já na primeira semana. Considerado o disco grunge do Pearl Jam - entenda AQUI -, "Vs." não ficou com a "medalha de prata", não por sua falta de qualidade e de hits, mas por ser "apenas" um ótimo disco de rock. É digno de nota a respeito do mesmo o fato de a banda não ter lançado nenhum vídeo de divulgação para as músicas - atitude adotada durante muitos anos seguintes. "Vs." tem peso e musicalidade crua, mas não chega a catarse musical que foi "Ten", nem soa estranho como "Vitalogy". Esse disco traz agressividade estupenda ("Go"),  baladas marcantes ("Daughter" e "Small Town"), além de grandes hits como "Dissident" e "Animal".


 2 'Vitalogy' (1994)  
Iniciando o processo de intimismo e experimentalismo musical da banda, "Vitalogy" é daqueles álbuns que só os fãs do Pearl Jam entendem o porquê de estar nesta lista como um dos melhores discos da carreira. A agressividade de discos como Ten e Vs. foram postos um pouco de lado, mesmo assim o grupo concebeu hits eternos, como "Better Man" (originalmente da banda anterior de Vedder, Bad Radio), "Nothing Man", "Corduroy", "Immortality" e as enérgicas "Last Exit" e "Spin the Black Circle". O álbum tem algumas referências bem claras ao vinil - tanto na arte da capa como na faixa "Spin the Black Circle", uma espécie de homenagem ao bolachão. Esse álbum marca uma época em que a banda lutava contra o mainstream, comprando briga contra a gigante americana Ticket Master, e sua turnê de divulgação foi basicamente produzida e organizada pela própria banda [saiba mais AQUI]. As nuances musicais, assim como toda a atmosfera que cercava "Vitalogy" fazem dele o segundo álbum mais importante da trajetória do Pearl Jam - pelo menos, na humilde opinião deste autor.

 1 'Ten' (1991)  
"Muito óbvio", você diria. Mas o óbvio merece explicação, e uma explicação detalhada. "Ten" é um daqueles álbuns que em qualquer lista de melhores discos de rock é presença mais do que certa. Talvez você já o tenha visto mesmo na casa daquele seu tio que curte sertanejo ou pagode, ou música clássica, sei lá! O fato é que "Ten" é um álbum que transcende muito além do que ouvimos e sentimos ao ouvi-lo - desde a primeira até a última música. Não serei pretensioso ao tentar descrever o seu significado politico para uma sociedade na qual não foi a que vivi, mas é necessário um overview do que acontecia na época para que se entenda a importância também nesse sentido. Existia um espírito muito claro de "sonho americano", onde a ganância tinha tomado conta do povo. Esses caras, da geração X (como eram chamados aqueles contemporâneos do grunge), se sentiam frustrados com as políticas de governo da época, era como se todo o idealismo construído pelas gerações anteriores do rock estivesse sendo trocado pela ganância dos governos recentes. "Ten" expõe essa insatisfação muito clara em letras fortes, onde todo o idealismo de mudar o mundo para melhor havia sido trocado pelo egoísmo de uma sociedade consumista ao extremo e capaz de apoiar governos altamente destrutivos em prol da qualidade de vida gananciosa desta sociedade. Uma canção que expõe muito bem esse espírito é a maravilhosa "Porch" ("What the fuck is this world. Running to? You didn't"). Esse é um ponto. Emocionalmente, Ten é um album em que você pode SENTIR como poucos na história do rock. Na maioria das vezes ouvimos músicas escritas por uma pessoa e INTEPRETADA por alguém que não tem qualquer intimidade com aquela história. Dizem apenas "sentir" como se fossem com elas. Mas o fato é que muitas das músicas de Ten foram histórias reais vividas pelo próprio Eddie ("Alive", "Black" e "Release"). Afinal, quem melhor do que você para interpretar e dar vida às suas próprias histórias?! Agora, pense rápido: quantas bandas você conhece que tem tantas músicas lados B, que não entraram em um certo álbum, e que mesmo assim ficaram tão conhecidas quantas as músicas lançadas? Então anote aí: "Dirty Frank (foi feita após a gravação de Ten, mas entrou no single de "Even Flow"), "Footsteps", "Alone", "Brother", "Just a Girl", "State of Love and Trust", "Wash", "Let Me Sleep", "Breath" e "Yellow Ledbetter" - fora as nem tão conhecidas "2.000 Mile Blues", "Evil Little Goat" e "Hold on". Além de tudo escrito anteriormente, Ten é um dos discos mais bem sucedidos da história do rock. Agora acho que fica bem claro porque Ten é o número um do Pearl Jam - e isso é incontestável.

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