Foi debaixo de chuva — da maior chuva que um headliner tomou neste Rock in Rio — que o Twenty One Pilots encerrou o festival. Mas, num Rock in Rio marcado pela capa de chuva em seis dos sete dias, nada mais simbólico. Ainda assim, a galera que resistiu ao frio e ao pé-d’água foi recompensada por um bom show, que não economizou em energia, produção e performance.
Era a primeira vez do duo no Rock in Rio, algo tratado por eles como especial. “Estava em nossa lista tocar no lendário Rock in Rio. E nós conseguimos. Muito obrigado!”, declarou Tyler Joseph.
Eu sempre tive dificuldade para definir o som do Twenty One Pilots. Acho algo tão alternativo que eles são um daqueles headliners improváveis de Rock in Rio - acostumado a escalar medalhões mais populares no posto mais alto do dia. Mesmo assim, pudemos acompanhar gente entrando correndo para grudar na grade por volta das 14h. Embora seja divulgado como um duo, ao vivo eles soam como uma banda extremamente orgânica, que determina os caminhos do show.
O início com “Overcompensate” já traz uma faceta de banda de rock alternativo, com batidas frenéticas e um visual meio sombrio, com direito a uso de máscara e uma versão que não lembra muito a faixa presente no álbum Clancy, lançado em 2024. Sim, eles são uma coisa diferente ao vivo.
O show foi baseado em seu último disco, Breach, lançado no ano passado, que traz “The Contract”, canção frenética cantada por Joseph numa espécie de plataforma redonda no meio da galera, com o microfone aceso, criando um visual espetacular.
Talvez por conta da chuva ou mesmo pelo line-up do dia, o duo foi o headliner com o público mais reduzido de toda a edição. Mesmo assim, não ficou pouca gente para conferir essa mistura de rap, rock e drum and bass para lá de interessante.
Aliás, vale destacar o ótimo baterista Josh Dun. É ele quem dita o ritmo do Twenty One Pilots, com versatilidade, técnica e uma presença de palco que chama a atenção em vários momentos. O cara é um show à parte.
Em “Drum Show”, ele subiu em uma estrutura localizada ao lado do Palco Mundo e, lá do alto, tocou bateria. A performance arrancou gritos dos fãs e se tornou um dos grandes momentos do encerramento. O baterista, que normalmente já ocupa posição de destaque pela intensidade de sua performance, transformou a própria bateria em parte do cenário. Ele também carregou uma tocha acesa em “Jumpsuit”, enquanto efeitos de fogo tomavam o Palco Mundo.
Em “Ride”, Tyler Joseph desce ao público e desfila pelo corredor, para a alegria de quem chegou cedo para grudar na grade. Depois, chamou um segurança de palco para cantar com ele.
“Stressed Out”, com uma levada meio hip hop e um baixo que dita o ritmo, teve o duo apoiado por pianos e contou com a cantoria dos fãs. Destaque também para a versão de “Seven Nation Army”, do The White Stripes, uma referência notória da dupla, que ganhou o coro do público.
Pela primeira vez no Rock in Rio, e ainda como headliner, o Twenty One Pilots fez um show que justifica o posto. Com efeitos, som, performance e um repertório honesto, a dupla encerrou o festival mostrando que, mesmo sendo uma escolha pouco óbvia para fechar o Palco Mundo, tinha argumentos suficientes para estar ali.





