The Exploited: quando a guerra estava em toda parte

Foto: Divulgação

Apesar do frio desgraçado, da chuva chata e desse clima bunda mole que tomou conta de São Paulo, talvez o tempo seja apropriado para falar de um dos discos mais furiosos produzidos pelo punk britânico nos anos 1980.

Afinal, bastaria fechar os olhos, imaginar as ruas cinzentas de uma Inglaterra castigada pela recessão e colocar para tocar “Let’s Start a War… Said Maggie One Day”, terceiro álbum do THE EXPLOITED, lançado em 1983, para entender por que aquele disco continua soando tão incômodo 43 anos depois.

O álbum acaba de ganhar uma nova edição nacional caprichadíssima pela NEVES RECORDS. Lançado com capa gatefold, limitada a 200 cópias em vinil preto padrão, 100 em picture disc e apenas sete test press – essas últimas reservadas, obviamente, ao território dos colecionadores doentes – a edição traz de volta às lojas um dos trabalhos mais políticos, agressivos e emblemáticos da discografia dos escoceses.


E “emblemático” talvez seja pouco.

A começar pela capa.

A caveira moicana que ilustra o álbum se transformou, ao longo das décadas, em um dos símbolos visuais mais reproduzidos de toda a história do punk rock. Camisetas, patches, tatuagens, capas de cadernos e todo tipo de quinquilharia já exploraram aquela imagem. A quantidade de gente que reproduziu o desenho sem jamais pagar um centavo de direitos autorais provavelmente é impossível de calcular.

Mas a força de “Let’s Start a War… Said Maggie One Day” está muito além da capa.

Ao colocar o disco para rodar novamente, depois de tanto tempo sem ouvi-lo, a primeira sensação foi uma verdadeira viagem no tempo.

Quando Maggie começou uma guerra

O álbum abre com a faixa-título e bastaram seus primeiros minutos para me transportar de volta.

Eu gostava de ouvir RAMONES, que, perto do que THE EXPLOITED apresentava aqui, soava quase “suave”! O que temos em “Let’s Start a War… Said Maggie One Day” é hardcore nervosíssimo, brutal e carregado de indignação.

Lançada um ano depois da Guerra das Falklands/Malvinas, a música ataca diretamente o governo de Margaret Thatcher e sua decisão de entrar no conflito contra a Argentina. Para Wattie Buchan e seus companheiros, a guerra também podia ser entendida como uma manobra política capaz de fortalecer a popularidade da premiê britânica.



A crítica vai além do campo de batalha.

O alistamento militar aparece como uma das poucas saídas possíveis para jovens atingidos pelo desemprego e pela falta de perspectivas. Enquanto o governo vendia patriotismo, bandeiras e orgulho nacional, jovens eram enviados para arriscar a própria vida.

Era preciso defender a pátria.

Mas quem realmente precisava morrer por ela?

Essa pergunta atravessa praticamente todo o disco.

“Let’s Start a War” não fala apenas de uma guerra travada a milhares de quilômetros da Inglaterra. Ela abre caminho para uma discussão muito maior sobre poder, pobreza, manipulação e sobre quem toma as decisões e quem acaba pagando por elas.

A guerra na esquina de casa

“Insanity” amplia o campo de batalha.

A música pode ser resumida como um grito – ou talvez uma desesperada procura por liberdade – de Wattie Buchan. Os horrores da guerra continuam presentes, com a memória das Falklands/Malvinas ainda recente, mas agora se misturam à guerra cotidiana enfrentada por milhares de jovens britânicos.

A recessão.

O desemprego.

A falta de perspectivas.

Os problemas provocados por um sistema econômico que prometia liberdade, mas deixava uma parcela enorme da juventude sem qualquer possibilidade real de construir o próprio futuro.

Musicalmente, “Insanity” também se destaca por fugir um pouco da urgência mais imediata do hardcore tradicional. É uma faixa densa, baseada em um riff pesado e repetitivo que se estende por mais de quatro minutos.



Em vez de simplesmente acelerar, THE EXPLOITED aposta no peso e na insistência.

O riff martela.

Repete.

Sufoca.

E essa construção combina perfeitamente com o sentimento de paranoia e desesperança que atravessa a música.

Mesmo quando desacelera, THE EXPLOITED não perde agressividade.

Apenas troca a velocidade pelo peso.

E o peso continua esmagando.

O botão do apocalipse

Depois da densidade de “Insanity”, “Safe Below” volta a colocar o pé no acelerador.

É hardcore direto, na cara e sem qualquer tentativa de amaciar o golpe.

A letra acrescenta outro trauma ao retrato daquela geração.

Começamos pela Guerra das Falklands/Malvinas.

Passamos pela recessão e pelo desemprego.

E chegamos ao pânico de uma guerra nuclear.

Em plena Guerra Fria, a possibilidade de um conflito entre as grandes potências não era apenas assunto de filmes ou ficção científica. Havia um medo real sobre quem poderia “apertar o botão” e dar início ao apocalipse.

A ameaça soviética era constantemente utilizada como elemento de medo no discurso ocidental, enquanto governos e lideranças políticas alimentavam a paranoia de uma guerra que poderia simplesmente acabar com o futuro.



“Safe Below” transforma esse pânico em hardcore.

Curta, urgente e brutal, a faixa parece reproduzir musicalmente a sensação de viver em um mundo onde tudo poderia desaparecer a qualquer momento.

E, aqui, o disco já havia deixado definitivamente as fronteiras britânicas.

A guerra não estava apenas nas Malvinas.

O mundo inteiro vivia sob sua sombra.

Os olhos do abutre

Em “Eyes of the Vulture”, THE EXPLOITED amplia ainda mais o mapa.

Wattie utiliza a metáfora do abutre, uma ave diretamente associada à morte, à carniça e à imagem daquele que se alimenta dos corpos deixados para trás.

O abutre sobrevoa os campos de batalha.

Espera.

Observa.

Mas a grande inversão proposta pela música está justamente aí.

O verdadeiro carniceiro não é o animal.

É o “bicho homem”.

A faixa amplia o alcance político do disco ao olhar para conflitos que deixaram seus próprios campos cobertos de mortos. Entre eles está o Líbano, atacado por Israel em 1982, ano marcado também pelo massacre de Sabra e Shatila.



E aqui é impossível, para mim, não fazer uma ponte com o punk brasileiro.

Lembro imediatamente dos INOCENTES, que também citariam o conflito em “Expresso Oriente”.

São movimentos separados por milhares de quilômetros, mas olhando para o mesmo horror.

Quarenta e três anos depois, “Eyes of the Vulture” ganha um peso ainda mais brutal.

É impossível ouvir a música em 2026 e não transportar a reflexão para o presente, lembrando da destruição e do massacre que atingem a Faixa de Gaza, promovidos pelo Estado de Israel contra a população palestina.

A imagem do abutre permanece atual.

Os animais continuam fazendo aquilo que a natureza lhes determinou.

Quem continua criando campos de cadáveres, cidades destruídas e populações massacradas é o ser humano.

Quem vai para a guerra?

Se em “Eyes of the Vulture” a guerra é observada do alto, através dos olhos da ave que sobrevoa os campos de batalha, “Should We, Can’t We” desce até o chão.

A guerra agora chega à pele do recruta.

É o jovem pobre.

Aquele que não tem direito de escolha.

Treinado para matar, ele chega ao campo de batalha e faz aquilo para o qual foi preparado. Mata, mas sabe que pode ser o próximo.

Pode morrer a qualquer momento.

Talvez caído sobre o corpo de um amigo abatido pouco antes.

Depois de mostrar a guerra de longe, Wattie a aproxima até torná-la humana – ou, melhor dizendo, desumana.

Não existem aqui generais seguros atrás de mesas.

Não existem líderes discursando sobre patriotismo.

Não existem governos explicando por que é necessário morrer.

Existe apenas o sujeito que recebe uma arma nas mãos e precisa enfrentar a possibilidade de nunca mais voltar para casa.

A música também traz o clamor pelo desarmamento, tema constantemente presente durante a Guerra Fria.

Mas THE EXPLOITED não aceita o discurso de maneira ingênua.

Fica a pergunta:

Podemos confiar nos líderes que pedem o desarmamento?

Especialmente quando são justamente eles que vivem da indústria da guerra e se transformaram em mentirosos contumazes?

“Rival Leaders” retoma esse discurso.

Quem vai se foder?

Quem vai virar pó?

O povo.

O pobre coitado.

Enquanto os líderes decidem o destino de milhões, eles possuem bunkers onde podem se proteger.

Primeiro surge a figura do presidente.



Depois, Wattie volta a nomear a grande vilã do álbum: Margaret Thatcher.

E a mensagem é simples.

Enquanto aqueles que tomam as decisões podem se esconder atrás de portas de aço, a população permanece exposta.

Quatro minutos depois do “aperto do botão”, as ogivas nucleares chegariam.

E não seria o presidente.

Não seria a primeira-ministra.

Não seriam os generais.

Quem viraria pó seria o povo.

Os líderes podem sobreviver protegidos em seus bunkers.

O povo vira pó.

A rainha, o vinho e a fila do desemprego

“God Saved the Queen” leva o ataque para dentro da própria estrutura de poder britânica.

É outro soco na cara, desta vez para tentar acordar o pobre coitado que acredita na cortina de fumaça lançada pela mídia para fazer parecer que a monarquia realmente se preocupa com as mazelas enfrentadas pela população.

Enquanto a rainha degustava seu vinho no alto de um palácio, o povo enfrentava a degradante fila do seguro-desemprego.

A contradição exposta por THE EXPLOITED é brutal.

Enquanto o governo de direita de Margaret Thatcher promovia políticas que enfraqueciam direitos trabalhistas e desmontavam estruturas de proteção social, o cidadão comum era constantemente convidado a se orgulhar da monarquia, da bandeira e da pátria.

E, quando necessário, até mesmo a morrer por elas.



A “Dama de Ferro” avançava contra direitos trabalhistas e o Estado de bem-estar social, enquanto a mídia de massa transformava o glamour da realeza em espetáculo e anestesia.

O brilho das coroas.

Os palácios.

As cerimônias.

Tudo podia funcionar como uma conveniente cortina de fumaça diante do desemprego, da pobreza e da crescente revolta social.

É difícil organizar uma revolta quando estão tentando convencer você a admirar o palácio.

Quem são os verdadeiros psicopatas?

“Psycho” é rápida, urgente e leva o conflito para outro território.

Depois das guerras internacionais, da ameaça nuclear e dos jogos de poder travados por líderes mundiais, THE EXPLOITED chega à guerra urbana.

Aqui, o Estado olha para os punks e os classifica como desajustados, marginais e psicopatas.

Wattie devolve a acusação.

Os verdadeiros psicopatas e violentos são aqueles que vestem uniforme e representam a força policial.

A inversão é simples, mas poderosa.

O punk que reage à violência e à opressão é apresentado como ameaça à ordem.

Já a polícia, que possui autorização do próprio Estado para utilizar a violência, recebe o status de defensora dessa mesma ordem.

E é impossível ouvir “Psycho” sem lembrar de um mecanismo que continua presente no discurso da extrema direita em diferentes partes do mundo.



De Margaret Thatcher a Donald Trump, passando por Benjamin Netanyahu e Jair Bolsonaro, existe uma recorrente admiração da extrema-direita por forças policiais truculentas e por políticas de segurança baseadas na repressão.

A lógica é conhecida.

Afastar.

Silenciar.

Reprimir.

E, em seus casos mais extremos, eliminar aquilo que identificam como inimigo.

E esse inimigo quase sempre tem rosto.

É o pobre.

O preto.

O imigrante.

Ou simplesmente aquele que não aceita ser capacho e se recusa a aceitar passivamente os desmandos de quem está no poder.

Em “Psycho”, THE EXPLOITED deixa uma pergunta incômoda no ar:

Quem são, afinal, os verdadeiros psicopatas?

Do “No Future” ao UK82

Em “Kidology”, THE EXPLOITED coloca no centro da discussão o pensamento conservador e reacionário do poder britânico diante de uma nova geração – e, naturalmente, dos punks incluídos nela.

Para esse pensamento, eram apenas crianças.

Jovens fáceis de enganar.

Facilmente influenciáveis.

Incapazes de compreender como o mundo realmente funcionava.

A rebeldia seria apenas um modismo.

Mais cedo ou mais tarde cresceriam, abandonariam aquelas ideias e aprenderiam quem realmente mandava na porra toda.

Mas aquela geração não parecia muito interessada em amadurecer da maneira esperada pelos conservadores.



Dentro da própria história do punk inglês, “Kidology” pode ser entendida como uma atualização brutal do “No Future” gritado pelos
SEX PISTOLS em 1977.

Se a primeira geração punk havia recebido como resposta um futuro inexistente, a geração retratada por THE EXPLOITED parecia ter decidido não esperar que ninguém lhe entregasse qualquer coisa.

Seis anos depois, o discurso permanecia.

Mas a sonoridade havia mudado.

O punk de THE EXPLOITED era mais rápido, mais pesado, mais urgente e muito mais violento.

Era o hardcore característico da explosão UK82.

O “No Future” não havia desaparecido.

Ele havia ganhado velocidade, distorção e ódio.

As falsas esperanças

“False Hopes” volta a apontar diretamente para o sistema capitalista.

Margaret Thatcher é novamente nomeada como símbolo de um governo que distribuía falsas esperanças à classe trabalhadora enquanto mantinha intacta a estrutura que a deixava sufocada.

Wattie cospe impropérios contra programas de emprego pífios e soluções que ofereciam vagas precárias, sem estabilidade e sem qualquer garantia real de futuro.

Para quem estava na fila do desemprego, a promessa podia até soar como oportunidade.

Na prática, porém, significava muitas vezes apenas uma forma de manter a engrenagem funcionando.

A classe trabalhadora continuava sendo a base da pirâmide social.

Aquela que produz.

Trabalha.

Sustenta a riqueza.

Mas raramente tem acesso aos privilégios acumulados no topo.

E, quarenta e três anos depois, é impossível não perceber como esse mecanismo continua atual.



Mudam os governos.

Mudam os discursos.

Mudam os nomes dos programas.

Mas a promessa permanece praticamente a mesma:

Trabalhe duro.

Aceite as regras.

Talvez, um dia, consiga subir.

Meritocracia é balela para enganar desavisados.

Desde os tempos mais remotos, sociedades profundamente desiguais encontram maneiras de convencer aqueles que estão na base de que, com esforço suficiente, poderão alcançar o topo.

Enquanto acreditam nisso, continuam sustentando toda a estrutura.

Mais um dia para não ir a lugar nenhum

“Another Day to Go Nowhere” é o resumo frio e sincero da realidade daquele jovem oprimido, vítima de um sistema cruel e achincalhado durante todo o álbum.

Depois de tantas discussões sobre governos, guerras, líderes e estruturas de poder, THE EXPLOITED coloca o foco em quem realmente paga a conta.

É o cara desempregado.

Fudido.

Sem perspectiva.

Sem absolutamente nada para fazer.

Parado em uma esquina, vendo a neve cair, ele pensa na miséria do auxílio governamental.

Dinheiro que sequer chega facilmente, perdido no meio de uma burocracia gigantesca até finalmente alcançar quem precisa dele.

É a consequência concreta de tudo aquilo que Wattie vinha berrando nas músicas anteriores.

A guerra tem seus mortos.

O capitalismo tem seus excluídos.

Os governos fazem promessas.

Os líderes se protegem.

E, no final, sobra o jovem parado numa esquina, sem emprego, sem dinheiro e sem saber para onde ir.

“Another Day to Go Nowhere”.

Mais um dia para não ir a lugar nenhum.

Sem futuro?

Seis anos depois do grito dos SEX PISTOLS, aquela frase continuava dolorosamente atual.

E, por fim, os wankers

Depois de denunciar as mazelas do capitalismo, atacar a extrema direita, criticar a guerra, a monarquia e praticamente tudo aquilo que oprime a juventude, Wattie Buchan resolve mirar em outra categoria.

Aqueles que se acham no direito de direcionar o seu trabalho.

“Wankers” cita nominalmente Garry Bushell, crítico musical ligado à influente revista britânica Sounds, e aponta o dedo para aqueles que se colocavam na posição de decretar a morte do punk rock sem jamais terem feito parte daquela realidade.

Para Wattie, eram burgueses sem conhecimento e sem estofo para falar de um movimento cuja realidade desconheciam.

Gente confortável o suficiente para observar o punk de fora e decidir quando ele havia começado, terminado ou perdido sua relevância.

E, transportando essa discussão para 2026, a música continua deliciosamente atual.

Ainda existem inúmeros críticos dispostos a decretar a morte do rock and roll.

A diferença é que agora muitos sequer precisam sair de casa.

Não frequentam shows de bandas novas.

Não vasculham o underground.

Não acompanham selos independentes.

Não têm a menor ideia do que está acontecendo no submundo musical.



Ficam sentados esperando que o algoritmo indique o que devem ouvir e, depois, sentem-se qualificados para anunciar o fim de um movimento que sequer se deram ao trabalho de procurar.

O rock não morreu.

Talvez alguns críticos apenas tenham parado de sair de casa.

Quando a guerra estava em toda parte

Essa nova audição de “Let’s Start a War… Said Maggie One Day” deixou uma coisa muito clara.

O álbum não fala apenas sobre a Guerra das Falklands/Malvinas.

A guerra estava em toda parte.

Estava nas Malvinas.

Estava no Líbano.

Estava na ameaça nuclear da Guerra Fria.

Estava nas ruas britânicas.

Estava na repressão policial.

Estava nas filas do desemprego.

Estava na precarização do trabalho.

Estava na propaganda patriótica.

Estava na distância entre o palácio e a esquina onde um jovem desempregado via a neve cair.

THE EXPLOITED não fazia um disco simplesmente contra Margaret Thatcher.

Ela é, sem dúvida, a grande vilã do álbum e seu nome aparece repetidamente como símbolo de um determinado projeto político.

Mas o alvo era maior.

Era um sistema capaz de produzir guerra, desemprego, repressão, desigualdade e falsas esperanças.

Um sistema em que os líderes tomam decisões enquanto outros morrem.

Em que os poderosos possuem bunkers e o povo vira pó.

Em que a polícia chama o revoltado de psicopata.

Em que a monarquia oferece glamour enquanto parte da população enfrenta filas.

Em que o trabalhador sustenta a riqueza, mas continua acreditando que talvez um dia consiga chegar ao topo.

E talvez seja justamente por isso que “Let’s Start a War… Said Maggie One Day” continue tão atual.

Quarenta e três anos se passaram.

Margaret Thatcher morreu.

A Guerra Fria acabou.

A União Soviética deixou de existir.

Mas o medo continua.

As guerras continuam.

O desemprego continua.

A precarização continua.

A desigualdade continua.

A repressão continua.

A propaganda continua.

O sistema que Wattie Buchan atacava continua muito bem vivo.

E, por isso, ouvir THE EXPLOITED em 2026 continua sendo, em muitos momentos, uma experiência desconfortável.

Porque o disco envelheceu.

Infelizmente, boa parte dos problemas não.



Ricardo Cachorrão

Ricardo “Cachorrão” é o velho chato gente boa que não pede licença pra gostar de música. Viciado em rock and roll, formou opinião longe de rádio, longe de MTV e perto demais de pilhas de discos e revistas. Tem alergia a banda cover, respeito profundo por discos obscuros do Frank Zappa e ainda sai sorrindo de um show do Iron Maiden — mas é no calor, no barulho e no caos dos buracos punk da periferia que se sente vivo de verdade. Já escreveu para Rock Brigade, Kiss FM, Portal Rock Press e a Revista Eletrônica do Conservatório Souza Lima. Está no Rock On Board desde o começo — e não pretende sair tão cedo.

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