She Has Gone Insane: uma estreia que merece ser acompanhada de perto

Foto: Gabriel Cézar (@gabrielcezars) - Divulgação

Poucas bandas conseguem apresentar personalidade logo no primeiro lançamento. A She Has Gone Insane é uma delas.

Formado no início de 2026 por músicos experientes da cena independente do ABC Paulista, o quarteto estreia oficialmente no dia 2 de setembro com “Authority Vendetta”, um single que soa como o trabalho de uma banda madura, apesar do pouco tempo de estrada.

A música começa impondo respeito. André Alves abre caminho com guitarras de palhetadas firmes e um riff marcante, daqueles que fisgam o ouvinte logo nos primeiros segundos. O peso é evidente, mas nunca se torna excessivo. Bases e solos se alternam com equilíbrio, mantendo a dinâmica da composição sem transformá-la em um exercício de virtuosismo ou numa avalanche de distorção.

Se a guitarra conduz o caminho, a cozinha formada por Luisa Sauer e Juliano Demarchi sustenta toda a estrutura. A bateria tem impacto, precisão e presença, enquanto o baixo acompanha cada mudança de direção com naturalidade. Os dois constroem uma base sólida e coesa, permitindo que a música respire mesmo nos momentos mais pesados.

A primeira referência que me veio à cabeça foi The Bellrays. Não porque as bandas soem iguais. Muito pelo contrário. Os norte-americanos construíram sua identidade misturando garage rock, punk e soul, enquanto a She Has Gone Insane segue por um caminho mais pesado e difícil de rotular. A aproximação acontece por outro motivo: assim como Lisa Kekaula era o elemento que transformava os Bellrays em algo único, Nico Modena é quem dá identidade à She Has Gone Insane.

E aí está o grande diferencial de “Authority Vendetta”.


Quando a faixa termina, o riff permanece na memória, mas é a voz de Nico que continua ecoando. Sua interpretação acrescenta suingue, personalidade e um contraste muito interessante com a densidade dos instrumentos. Ela não tenta competir com o peso da banda; ao contrário, conduz a música com naturalidade, fazendo com que tudo soe orgânico.

Talvez por isso seja tão difícil encaixar a She Has Gone Insane em um único rótulo. Há rock, há punk, há metal, há groove, mas, acima de tudo, há uma identidade própria surgindo logo em seu primeiro lançamento.

Outro aspecto que chama atenção é saber que esse single é apenas a primeira amostra de um álbum composto em tempo recorde. Em apenas quatro meses, o quarteto escreveu dez músicas inéditas. Se “Authority Vendetta” realmente representar o nível do restante desse material, há motivos de sobra para acreditar que um dos lançamentos nacionais mais interessantes dos próximos meses está a caminho.

A She Has Gone Insane estreou oficialmente apenas agora. Mas, depois de ouvir “Authority Vendetta”, a sensação é de que essa história já começou muito bem.

Também no SPOTIFY.

Ricardo Cachorrão

Ricardo “Cachorrão” é o velho chato gente boa que não pede licença pra gostar de música. Viciado em rock and roll, formou opinião longe de rádio, longe de MTV e perto demais de pilhas de discos e revistas. Tem alergia a banda cover, respeito profundo por discos obscuros do Frank Zappa e ainda sai sorrindo de um show do Iron Maiden — mas é no calor, no barulho e no caos dos buracos punk da periferia que se sente vivo de verdade. Já escreveu para Rock Brigade, Kiss FM, Portal Rock Press e a Revista Eletrônica do Conservatório Souza Lima. Está no Rock On Board desde o começo — e não pretende sair tão cedo.

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