Com show denso e manifesto político, Canto Cego prova que merece palcos maiores no Rock in Rio

Foto: Tarcísio Chagas / Rock On Board

Com 10 minutos de atraso e um publico reduzido por causa da chuva, o Canto Cego começou seu show com a performática vocalista Roberta Dittz com um vestido bem estilizado e a ótima “Odiar o Fim” nos speakers. Sete anos depois de tocarem no Rock in Rio, o Canto Cego volta ao Palco Favela, lugar que eles viram nascer e, segundo Roberta, era um motivo de orgulho.

Aos poucos, o público foi crescendo e se entusiasmando com a mensagem e o som pesado do Canto Cego. O guitarrista Rodrigo Solidade é uma máquina de riffs e bases totalmente fora da curva. A forma percussiva e cheia de efeitos de tocar, define o som da banda.


Há 15 anos foi escrita a música “Nuvem Negra” do álbum de estreia Valente (2017) em homenagem aos mortos na tragédia do Morro do Bumba em Niterói. Inclusive, Roberta deu um recado aos governantes dizendo que desde a época dessa tragédia, nada mudou. Não dá para discordar.

“Margem” é outra música do primeiro disco e cada vez mais a participação do público aumentava de acordo com a quantidade de pessoas que vieram chegando.

O forrozeiro Getúlio Abelha foi convidado para o palco com a afirmação que dava para misturar os estilos e o que vimos foi um dos momentos altos do show cantando “Toda Semana”. Mistura porreta mesmo!

Foto: Tarcísio Chagas / Rock On Board

“Zé Caroço” foi outro destaque do show com muita brasilidade e um pouco de samba com direito ao grito de “Salve Leci Brandão!”

Visivelmente emocionada, Roberta Dittz agradeceu a todos presentes e lembrou do começo da banda vindos da Favela da Maré e anunciou a saideira com “Transmutação”, certamente a mais aclamada do ótimo show.

A pergunta que não quer calar é: como que o Canto Cego não está pelo menos no Palco Sunset? O som deles é denso e muito original, coisa que falta na maioria das bandas atuais. 

Tarcísio Chagas

O sequestro aconteceu nos anos 80, sem aviso prévio. A vítima? Tarcísio Chagas. O álibi? Um tal de "As Aventuras Da Blitz". O crime perfeito. Mas foi só em 1984, com a compra do disco "Animalize" do KISS, que veio o batismo de fogo — e aí já era: alma entregue ao Rock para sempre. Hoje, Tarcísio transita com naturalidade entre a fúria do Hard Rock, a pegada do Metal, a alma do Soul e a levada do Reggae. Já teve suas palavras espalhadas por terrenos sagrados como Confere Rock, o site do Igor Miranda e Rock Vibrations — e por onde passa, deixa riffs e memórias.

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