Avenged Sevenfold entrega show poderoso e confirma seu lugar entre os grandes headliners do metal

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

A Cidade do Rock estava visivelmente mais cheia que no dia anterior, mostrando que os fãs de Avenged Sevenfold realmente não se importam se banda vem ao Brasil três anos consecutivos. A ansiedade que tomava conta do local só aumentou mais perto da apresentação, por conta de um atraso de vinte minutos para configuração do telão, que hoje ocupa toda extensão do Palco Mundo. A informação apurada pela reportagem do Rock On Board, é que uma parte da estrutura levada pela banda precisou ser sincronizada com a tecnologia do palco, e até que tudo fosse devidamente testado, o show não teve seu início. Mas quando as luzes finalmente se apagaram e os primeiros acordes de “Nightmare” ecoaram pela Cidade do Rock, ficou claro que a espera valeria a pena.

Abrir com um hino do quilate de “Nightmare” foi o prenúncio para uma noite que provavelmente ficará marcada como o melhor show da banda no Rock in Rio. Ao contrário da última aparição no festival, dessa vez o som estava poderoso, pesado e muito mais definido.

Outro fator extremamente positivo foi a voz de M. Shadows, que demonstrou estar em plena forma já no início. Se na última aparição no festival, a sua saúde vocal vinha de um estado em atenção, dessa vez ele já iniciou os trabalhos alternado timbres com firmeza e ótima desenvoltura. A sequência com “Mattel”, canção da última leva de inéditas, com direito a fogos de artifício isolados, e mais um hino da banda cantado em alto e bom som pelo público, “Afterlife”, só evidenciaram que o Avenged Sevenfold é hoje um dos grandes headliners de metal do planeta.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

E o telão, depois dos ajustes que atrasaram o início da apresentação, teve papel importante durante boa parte do show. A banda optou, na maior parte do tempo, por imagens em preto e branco, criando uma atmosfera mais sombria e cinematográfica que combinava perfeitamente com a sonoridade do grupo.

A chuva, que vinha castigando a Cidade do Rock, também deu uma trégua durante a apresentação. Foi como se o clima tivesse decidido colaborar justamente quando o Avenged Sevenfold começou a mostrar por que ocupa uma posição tão alta no cenário do metal atual. O público, em maior número na Cidade do Rock que na noite anterior, participou de forma interativa durante toda apresentação.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

“Shepherd of Fire”, da fase mais à la Metallica, veio acompanhada de labaredas queimando o céu, enquanto Synyster Gates fritava sua guitarra num solo que deixaria Joe Satriani orgulhoso. O repertório do show é o retrato de uma banda que sofreu mutações ao longo dos anos, mas sobreviveu — e se reinventou — graças à qualidade de seus integrantes. Todos são músicos acima da média em seus respectivos instrumentos e, principalmente, capazes de criar uma penca de canções marcantes.

“Buried Alive” é um desses exemplos. Uma verdadeira epopeia sonora que já ultrapassa 15 anos de existência e continua funcionando ao vivo com a mesma força.

“Hail to the King” é aquele superhit levanta-defunto, uma espécie de “Enter Sandman” da geração Z. Quando os primeiros acordes surgem, não há muito o que fazer além de cantar junto. E é justamente aí que o Avenged mostra sua capacidade de transitar por diferentes vertentes sem perder sua identidade.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

Também é muito legal ver a banda não abandonar seu lado mais avant-garde, influenciado por nomes como Mr. Bungle. “Nobody”, do ótimo Life Is but a Dream..., representa essa fase mais experimental, enquanto “A Little Piece of Heaven” mergulha de vez no lado mais teatral e excêntrico do grupo.

O Avenged Sevenfold é uma das bandas de metal mais versáteis da atualidade, e isso não pode ser ignorado. Entre riffs pesados, experimentações, solos de guitarra, grandes refrões e momentos grandiosos de palco, o grupo mostrou no Rock in Rio que sabe exatamente como ocupar o espaço de um headliner.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

Mesmo com os questionamentos sobre a repetição da banda como headliner em duas edições consecutivas do Rock in Rio, o Avenged Sevenfold mostrou mais uma vez que tem tamanho para ocupar esse espaço. Levou um grande público à Cidade do Rock e entregou uma apresentação poderosa, tecnicamente impecável e recheada de grandes momentos.

Com M. Shadows em grande noite, Synyster Gates incendiando a guitarra e uma coleção de hinos capazes de fazer milhares de pessoas cantarem juntas, o Avenged Sevenfold confirmou que continua sendo uma das grandes forças do metal mundial.

Bruno Eduardo

Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.

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