Avenged Sevenfold trollou os fãs? Novo EP "STATIC" parece brincadeira de mau gosto

Avenged Sevenfold
STATIC
 1/5

Por  Bruno Eduardo 


Sempre defendi o Avenged Sevenfold dos haters.

Existe uma parcela de críticos que nunca comprou a ideia da banda, seja por enxergar seu som como derivativo ou por implicar com a imagem e a postura dos integrantes. Nunca fiz parte desse grupo. Para mim, o Avenged Sevenfold sempre foi uma banda de ótimos músicos, capaz de criar discos muito acima da média e composições de enorme ambição.

Basta ouvir faixas como "A Little Piece of Heaven", "Demons", "Save Me", "Welcome to the Family" ou, mais recentemente, "Mattel". São músicas que flertam com o metal progressivo, o avant-garde e conseguem unir técnica, criatividade e grandes melodias sem perder identidade.

Por isso, foi impossível esconder minha decepção ao ouvir o EP STATIC.

Sinceramente, não consigo encará-lo como um lançamento de verdade.


Minha sensação foi a de que a banda estava brincando em um estúdio caseiro, gravando experimentos aleatórios, e alguém resolveu publicar o resultado. Em vários momentos, nem parece que estou ouvindo canções. Soa como uma sequência de ideias soltas, colagens sonoras e improvisos que jamais deveriam ter saído da sala de ensaio.

O mais estranho é que essa impressão vem justamente depois de Life Is But a Dream..., disco que considero um dos melhores da carreira da banda.

Na época, fiquei extremamente surpreso com a coragem do Avenged Sevenfold. Era um álbum experimental, mas com propósito. As influências de Mr. Bungle e System of a Down estavam ali de forma escancarada, só que transformadas em músicas inteligentes, cheias de mudanças de andamento, arranjos complexos e uma identidade própria. Era exatamente o tipo de disco que eu imaginava que eles sempre quiseram fazer.

STATIC parece seguir o caminho oposto.

As quatro faixas soam desconexas, recheadas de vocais carregados de autotune, ruídos e guitarras que, sinceramente, nem parecem ter sido gravadas por Synyster Gates. Falta direção, falta construção e, principalmente, falta aquela sensação de que existe uma música por trás de toda a experimentação.

E isso é o que mais incomoda.

Não é uma questão de rejeitar propostas ousadas. Pelo contrário. Sempre admirei quando o Avenged Sevenfold resolveu fugir do óbvio. Mas existe uma diferença enorme entre experimentar e simplesmente juntar ideias sem que elas levem a lugar algum.

Minha impressão é que alguém estava pressionando a banda para lançar material novo, e eles responderam com um EP que parece ter sido feito justamente para desafiar qualquer expectativa. Como se dissessem: "Queriam algo novo? Então toma."

Se esse era o objetivo, eles conseguiram.

O Avenged Sevenfold trollou geral.

E, desta vez, nem eu consegui defender.

Bruno Eduardo

Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.

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