Sempre defendi o Avenged Sevenfold dos haters.
Existe uma parcela de críticos que nunca comprou a ideia da banda, seja por enxergar seu som como derivativo ou por implicar com a imagem e a postura dos integrantes. Nunca fiz parte desse grupo. Para mim, o Avenged Sevenfold sempre foi uma banda de ótimos músicos, com alguns discos acima da média e composições de enorme ambição no universo rock.
Basta ouvir faixas como "A Little Piece of Heaven", "Demons", "Save Me", "Welcome to the Family" ou, mais recentemente, "Mattel". São músicas que flertam com o metal progressivo, o avant-garde e conseguem unir técnica, criatividade e melodias interessantes.
Por conta disso, foi impossível não se decepcionar com o lançamento quase surpresa do novo EP, STATIC. Sinceramente, é até difícil encará-lo como um lançamento de verdade.
A sensação foi a de que a banda estava brincando em um estúdio caseiro, gravando experimentos aleatórios, e alguém resolveu publicar o resultado. Tudo aqui soa como uma sequência de ideias soltas, colagens sonoras e improvisos que jamais deveriam ter saído do papel.
O mais estranho é que essa impressão vem justamente depois de Life Is But a Dream..., disco considerado por este que vos escreve, como um dos melhores da carreira da banda. Era um álbum experimental, mas com propósito. As influências de Mr. Bungle e System of a Down estavam ali de forma escancarada, só que transformadas em músicas inteligentes, cheias de mudanças de andamento, arranjos complexos e uma identidade própria. Era exatamente o tipo de disco que eles sempre quiseram fazer.
Já STATIC parece seguir o caminho oposto.
As quatro faixas soam desconexas, recheadas de vocais carregados de autotune, ruídos e guitarras que, sinceramente, nem parecem ter sido gravadas por Synyster Gates. Falta direção, falta construção e, principalmente, falta aquela sensação de que existe uma música por trás de toda a experimentação.
Não é uma questão de rejeitar propostas ousadas. Pelo contrário. Os melhores momentos do Avenged Sevenfold foram exatamente quando a banda resolveu fugir do óbvio. Mas existe uma diferença enorme entre experimentar e simplesmente juntar ideias sem que elas levem a lugar algum.
A impressão é que alguém estava pressionando a banda para lançar material novo, e eles responderam com um EP malcriado. Como se dissessem: "Queriam algo novo? Então toma."
Se esse era o objetivo, eles conseguiram.
O Avenged Sevenfold trollou geral.
E, desta vez, nem eu consegui defender.

