The Pretty Reckless se destaca no segundo dia do Rock in Rio Lisboa

Foto: Instagram @rockinriolisboa

Exceção feita ao nostálgico e emocionante show do Linkin Park, o segundo dia de Rock in Rio Lisboa não foi exatamente de memoráveis concertos no Palco Mundo. E o melhor entre os outros três artistas que se apresentaram no palco principal foi o The Pretty Reckless.

A banda liderada por Taylor Momsen iniciou o show com “Death by Rock and Roll”, música que resumo um pouco o som da banda calcada no hard rock moderno, mas com forte influência de grunge e blues rock.

Na sequência vieram “Since you´re gone”, “Follow me down” e “Miss Nothing” até que Monsen avisou que cantaria uma canção nova. Na verdade, foram duas novas músicas apresentadas no show: “For I Am death” e “When I wake up”. Ambas estarão no próximo álbum do Pretty Reckless que será lançado nesta semana.

Embora o show tenha se mostrado interessante desde o início, ele demorou a pegar de fato para grande parte do público que estava acompanhando. Monsen quebra muito a sua apresentação estendendo algumas canções – o que fez com que o show de 1h de duração tivesse apenas dez músicas – e o Pretty Reckless não tem muitas canções que chame o público a cantar junto. Uma delas, no entanto, foi o que talvez tenha sido o ponto mais alto do show, quando Monsen cantou “Witches Burn”.

 “Heaven Knows” e “Going to hell” finalizaram uma apresentação correta e sem grandes sobressaltos para a banda.

Grandson toca sob forte calor

Mais cedo, o cantor americano-canadense Grandson teve a missão de abrir o Palco Mundo e tocar sob um forte calor e para um público ainda relativamente pequeno no Parque Tejo. Pelo menos em comparação com a véspera, quando milhares de pessoas já estavam no local do Rock in Rio Lisboa para verem Calema e Pedro Sampaio, os primeiros artistas do palco principal.

Com cerca de dez anos de carreira, o Grandson se mostrou uma escolha que combinava bem com o dia do festival que navegava entre o rock, o metal e o rap e hip hop. O artista também não se fez de rogado em ser o mestre de cerimônias da grande atração do dia, o Linkin Park, sempre citando a banda durante o seu show.

Com músicas que abordam política, desigualdade social e corrupção, Grandson fez questão de protestar contra a brutalidade da polícia nos Estados Unidos e contra o fascismo. Citou os imigrantes como aliados e criticou bilionários que gastam dinheiro para promover o ódio.

- É uma honra e um privilégio cantar minhas músicas de resistência para vocês.

Os grandes destaques do show foram os momentos em que o artista cantou “Brain Rot”, “Bells of War”, e “Blood/Water”, talvez a sua música mais conhecida e que fechou o show. Outro ponto alto foi uma versão pesada de “Masters of War”, de Bob Dylan.

Cypress Hill interrompe show na última música

Com mais de três décadas de carreira, o Cypress Hill tinha como grande desafio conquistar uma plateia que na sua grande maioria os estava vendo pela primeira vez e que estava mais interessada no Linkin Park, atração que viria logo a seguir.

Embora a recepção do público tenha sido um pouco morna, o Cypress Hill mostrou toda a sua competência em canções como “How I could just kill a man” e “Hand on the Pump”. A banda ainda mostrou uma canção nova, ”Watcha Trucha”, que estará em Dios Bendiga, novo álbum do grupo a ser lançado em julho e totalmente em espanhol.

O show do Cypress Hill acabou sendo ligeiramente mais curto. Isso porque a banda teve que interromper a apresentação antes de tocar a última música para que uma pessoa que estava se sentindo mal na plateia fosse atendida. Depois disso, a banda não voltou mais para o palco.

O jornalista Marcelo Alves, correspondente do Rock On Board em Portugal, acompanhou o show presencialmente no Parque Tejo, em Lisboa.

Marcelo Alves

Acredita que o bom rock and roll consiste em dois elementos: algumas ideias na cabeça e guitarras no amplificador. Fã de cinema e do rock nas suas mais variadas vertentes, já cobriu diversas edições do Rock in Rio no Rio e em Lisboa e uma do Monsters of Rock. Desde 2014, faz colaborações para o site "Rock on Board". Já trabalhou em veículos como os jornais "O Globo" e "O Fluminense".

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