Exceção feita ao nostálgico e emocionante show do Linkin Park, o segundo dia de Rock in Rio Lisboa não foi exatamente de memoráveis concertos no Palco Mundo. E o melhor entre os outros três artistas que se apresentaram no palco principal foi o The Pretty Reckless.
A banda liderada por Taylor Momsen iniciou o show com “Death
by Rock and Roll”, música que resumo um pouco o som da banda calcada no hard
rock moderno, mas com forte influência de grunge e blues rock.
Na sequência vieram “Since you´re gone”, “Follow me down” e “Miss
Nothing” até que Monsen avisou que cantaria uma canção nova. Na verdade, foram
duas novas músicas apresentadas no show: “For I Am death” e “When I wake up”.
Ambas estarão no próximo álbum do Pretty Reckless que será lançado nesta
semana.
Embora o show tenha se mostrado interessante desde o início,
ele demorou a pegar de fato para grande parte do público que estava
acompanhando. Monsen quebra muito a sua apresentação estendendo algumas canções
– o que fez com que o show de 1h de duração tivesse apenas dez músicas – e o
Pretty Reckless não tem muitas canções que chame o público a cantar junto. Uma
delas, no entanto, foi o que talvez tenha sido o ponto mais alto do show,
quando Monsen cantou “Witches Burn”.
“Heaven Knows” e “Going
to hell” finalizaram uma apresentação correta e sem grandes sobressaltos para a
banda.
Grandson toca sob forte calor
Mais cedo, o cantor americano-canadense Grandson teve a
missão de abrir o Palco Mundo e tocar sob um forte calor e para um público
ainda relativamente pequeno no Parque Tejo. Pelo menos em comparação com a
véspera, quando milhares de pessoas já estavam no local do Rock in Rio Lisboa
para verem Calema e Pedro Sampaio, os primeiros artistas do palco principal.
Com cerca de dez anos de carreira, o Grandson se mostrou uma
escolha que combinava bem com o dia do festival que navegava entre o rock, o
metal e o rap e hip hop. O artista também não se fez de rogado em ser o mestre
de cerimônias da grande atração do dia, o Linkin Park, sempre citando a banda
durante o seu show.
Com músicas que abordam política, desigualdade social e
corrupção, Grandson fez questão de protestar contra a brutalidade da polícia nos
Estados Unidos e contra o fascismo. Citou os imigrantes como aliados e criticou
bilionários que gastam dinheiro para promover o ódio.
- É uma honra e um privilégio cantar minhas músicas de
resistência para vocês.
Os grandes destaques do show foram os momentos em que o artista
cantou “Brain Rot”, “Bells of War”, e “Blood/Water”, talvez a sua música mais
conhecida e que fechou o show. Outro ponto alto foi uma versão pesada de “Masters
of War”, de Bob Dylan.
Cypress Hill interrompe show na última música
Com mais de três décadas de carreira, o Cypress Hill tinha
como grande desafio conquistar uma plateia que na sua grande maioria os estava
vendo pela primeira vez e que estava mais interessada no Linkin Park, atração que
viria logo a seguir.
Embora a recepção do público tenha sido um pouco morna, o
Cypress Hill mostrou toda a sua competência em canções como “How I could just
kill a man” e “Hand on the Pump”. A banda ainda mostrou uma canção nova, ”Watcha
Trucha”, que estará em Dios Bendiga, novo álbum do grupo a ser lançado em
julho e totalmente em espanhol.
O show do Cypress Hill acabou sendo ligeiramente mais curto.
Isso porque a banda teve que interromper a apresentação antes de tocar a última
música para que uma pessoa que estava se sentindo mal na plateia fosse
atendida. Depois disso, a banda não voltou mais para o palco.
O jornalista Marcelo Alves, correspondente do Rock On Board em Portugal, acompanhou o show presencialmente no Parque Tejo, em Lisboa.

