Kaiser Chiefs rouba a cena e entrega um dos grandes shows do Rock in Rio Lisboa

Foto: Instagram @rockinriolisboa

Num dia mais voltado para o rock mais pesado e a fusão de rock com rap e hip hop, o Kaiser Chiefs poderia parecer um pouco deslocado no meio de nomes como Pretty Reckless, Grandson, Cypress Hills e Linkin Park, só para citar as atrações do Palco Mundo. Essa impressão durou apenas os segundos que se compreenderam entre a entrada da banda britânica no Palco Super Bock e o início de “The Factory Gate”, a primeira música do show.

A partir daí e comandando por um carismático Ricky Wilson, o Kaiser Chiefs tomou conta do Parque Tejo e fez um dos shows mais divertidos, enérgicos, viscerais mesmo do festival. Não por acaso foi dos concertos do Rock in Rio Lisboa que provocou mais resposta da plateia, que se divertiu e cantou praticamente todas as músicas da banda formada em Leeds, na Inglaterra.

Coincidência ou não, a resposta do público foi grande especialmente depois que Wilson elegeu Portugal como o seu top-3 de melhores lugares para fazer um show.

- Top-3 lugares para tocar no mundo. Número 3: Escócia. Número 2: Brasil. Número 1: Portugal – disse o vocalista, para delírio da multidão.

Neste momento, o Kaiser Chiefs tinha tocado apenas duas músicas. Além da abertura, o hit “Everyday I love you less and less”. A partir daí, o que se seguiu foi um concerto frenético e com alta intensidade.

Se teve uma banda que aproveitou bem a hora que teve para tocar foi o Kaiser Chiefs. Foram 13 canções, seis delas do álbum “Employment”, o primeiro do grupo, lançado em 2005. Além de “Everyday I love you less and less”, o grupo tocou “Modern Way”, “Na Na Na Na Naa”, “Oh my God”, Take my temperature” e o grande hit “I predict a riot”.

Alguns elementos ajudam para que o show do Kaiser Chiefs seja tão bom. A banda tem músicas excelentes para um clima de festival. O que significa estrutura simples, refrões fáceis de cantar junto, a bateria bem marcada e constante de Vijay Mistry e as guitarras simples e que vão ditando o ritmo de Andrew White. E ao vivo a banda soa de forma bem crua e direta. Assim, fica quase impossível ficar indiferente a músicas como “Never miss a beat” ou “Ruby”.

Soma-se a isso à interação constante de Wilson com o público e o Kaiser Chiefs cria uma atmosfera matadora para um festival, que costuma ter um público bastante diversificado.

Wilson, aliás, protagonizou um dos momentos mais memoráveis do festival até aqui. Ainda durante “I Predict a Riot”, ele abandonou o palco, correu pelo meio do corredor que tem em frente ao palco e subiu até a torre técnica de som, de onde ainda cantaria “The Angry Mob”.

Depois desse momento catártico, o Kaiser Chiefs fechou sua apresentação com um cover de Ramones (“Blitzkrieg Bop”), “Take my temperature” e “Oh my God”. Sob aplausos e pedidos de mais uma canção, o Kaiser Chiefs saiu do palco com a certeza de que tinha entregado um dos grandes concertos deste Rock in Rio.

O jornalista Marcelo Alves, correspondente do Rock On Board em Portugal, acompanhou o show presencialmente no Parque Tejo, em Lisboa.

Marcelo Alves

Acredita que o bom rock and roll consiste em dois elementos: algumas ideias na cabeça e guitarras no amplificador. Fã de cinema e do rock nas suas mais variadas vertentes, já cobriu diversas edições do Rock in Rio no Rio e em Lisboa e uma do Monsters of Rock. Desde 2014, faz colaborações para o site "Rock on Board". Já trabalhou em veículos como os jornais "O Globo" e "O Fluminense".

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